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   19h17 - 29/06/2002

Paixão pela cerveja e rixa no futebol ligam Brasil e Alemanha

Por Thiane Loureiro

SÃO PAULO (Reuters) - Negócios, música, arte contemporânea e cerveja formam importantes laços entre brasileiros e alemães. Mas no esporte, o lema é: "amigos, amigos, futebol e Fórmula 1 à parte".

Se a Alemanha vencer o jogo deste domingo se tornará tetracampeã, empatando em número de conquistas com o Brasil e ganhando a possibilidade de chegar ao pentacampeonato em casa, já que o próximo Mundial acontecerá em solo germânico.

Para impedir que isso aconteça, a seleção brasileira terá que quebrar a tradição da Alemanha de fazer gols em finais de Copa -- os alemães marcaram em todas as seis decisões mundiais que disputaram, incluindo três derrotas.

Assim como no futebol, a rixa é grande nos autódromos. Neste ano, os três pilotos brasileiros de Fórmula 1 disputam com alemães a atenção de suas escuderias.

A briga de maior destaque é entre Rubens Barrichello e Michael Schumacher, na Ferrari. Depois de ter sido obrigado a abrir mão do pódio em favor do companheiro de equipe, Barrichello venceu no último domingo o circuito de Nurburgring, como se estivesse prevendo a histórica competição no gramado, no Japão.

Felipe Massa e Henrique Bernoldi também não têm vida mansa. "Enfrentar alemão é muito difícil", afirmou Massa, que ficou à frente do companheiro Nick Heidfeld em Nurburgring, na sexta colocação.

Bernoldi, por sua vez, acha que os brasileiros têm mais raça. "O alemão é meio máquina", comentou o piloto. Em Nurburgring, Bernoldi ficou em décimo, enquanto Hainz-Harald Frentzen terminou a corrida em 13o.

MAIS AMOR DO QUE ÓDIO

Se no futebol e na Fórmula 1 brasileiros e alemães têm lá suas desavenças, em outras áreas os dois países cultivam, há pelo menos 170 anos, uma relação amigável.

O Brasil abriga mais de cinco milhões de imigrantes e descendentes de alemães, principalmente no Sul do país, segundo a embaixada da Alemanha em Brasília.

Dois grandes símbolos brasileiros, Gustavo Kuerten e Gisele Bundchen têm descendência alemã, unindo nas quadras e nas passarelas dois povos que também compartilham de uma paixão: a cerveja.

O Brasil está logo atrás da Alemanha, em quarto lugar, no ranking dos principais consumidores de cerveja do mundo, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindcerv).

Os alemães consomem ao todo, por ano, 11 bilhões de litros de cerveja, enquanto os brasileiros bebem 8,2 bilhões de litros. O consumo per capita brasileiro (50 litros por habitante), porém, é quase três vezes menor do que o alemão (131 litros por habitante).

A segunda maior festa cervejeira fora da Alemanha acontece em Blumenau, Santa Catarina. A Oktoberfest brasileira nasceu da necessidade dos imigrantes alemães de manter um vínculo com suas raízes, e há 17 anos a festança tem tido sucesso de público.

Segundo dados do site oficial do Oktoberfest (http://www.oktoberfestblumenau.com.br), desde 1984 cerca de 12,250 milhões de pessoas já compareceram a Blumenau, sendo uma média de público de 720 mil pessoas por ano desfrutando de 18 dias de farra. Anualmente, a Oktoberfest de Munique recebe 10 milhões de pessoas, que consomem aproximadamente sete milhões de litros de cerveja.

PARCEIROS COMERCIAIS

No setor industrial, brasileiros e alemães são fortes parceiros. O Brasil foi escolhido em 1950 para receber a primeira fábrica da Volkswagen fora do território alemão. A montadora virou símbolo da industrialização brasileira e o Fusca, um ícone nacional nas décadas de 1960 e 1970.

De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, são cerca de mil companhias alemãs instaladas no Brasil, empregando diretamente mais de 500 mil pessoas.

O Itamaraty afirma que os investimentos diretos alemães no Brasil somam mais de 12,5 bilhões de dólares, enquanto a Câmara de Comércio e Indústria Brasil e Alemanha, que tem por objetivo incrementar as relações entre os dois países, estima que os investimentos alemães somem 18,7 bilhões de dólares.

ARTE E MÚSICA

Outra paixão comum entre alemães e brasileiros é a música e o principal intercâmbio entre os dois povos acontece na cena punk/hardcore. Splits (discos compartilhados por dois grupos) e turnês conjuntas são frequentes.

Desde que bandas como Ratos de Porão, Cólera e Olho Seco começaram a excursionar pela Europa, a troca de experiências não pára de crescer, abrindo espaço até mesmo para bandas novas tocarem no exterior.

No começo deste mês, o brasileiro Agrotóxico excursionou por nove cidades alemãs, onde tocou com grupos como Scattergun e Rasta Knast.

O heavy metal e a música eletrônica também contam com fãs brasileiros cativos, como é o caso dos grupos Halloween e Kraftwerk.

Para sua edição de 2002, a mais prestigiada mostra de arte contemporânea do mundo, a Documenta de Kassel, selecionou dois brasileiros, Cildo Meireles e Artur Barrio, para se juntar a um elenco de mais cem artistas.

Meireles, por sinal, é o único brasileiro que participa pela segunda vez da Documenta, e os trabalhos desses artistas estão expostos desde 8 de junho na cidade localizada no centro-oeste da Alemanha.




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