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Sem contrato anual, brasileiros utilizam prova da Indy em SP como vitrine

José Eduardo Martins e Andrei Spinassé

Da Folhapress<br>Em São Paulo

08/03/2010 09h02

Dos 22 pilotos que vão disputar a primeira etapa da Indy deste ano, no próximo domingo, no circuito de rua montado na zona norte de São Paulo, muitos podem não participar do restante da temporada. Tradicionalmente, a categoria dá espaço para pilotos de aluguel, que sem um contrato anual competem em apenas uma ou duas corridas por ano.

Por ser a primeira prova e pelo fato de a Indy estar desde 2000 longe do país, a corrida paulistana aguçou ainda mais os pilotos brasileiros, que veem na etapa uma oportunidade para suas carreiras deslancharem. Em contrapartida, as equipes menos abastadas da categoria encaram a prova brasileira como uma chance para reforçar os seus limitados orçamentos.

‘Principalmente em relação às 500 Milhas de Indianápolis isso sempre aconteceu. Isso [pilotos de aluguel] é uma característica da Indy. E realmente esta corrida do Brasil atraiu muito os pilotos’’, disse Gil de Ferran, proprietário da equipe Luzco/De Ferran.

Uma das confirmadas apenas no próximo domingo é Bia Figueiredo, 24. Sem saber se disputará mais provas no ano, ela faz a sua estreia na Indy após testar uma única vez nos EUA.

‘Acho que é algo normal [a existência dos pilotos de aluguel]. Para mim será uma excelente oportunidade. Não me sinto pressionada. O foco é terminar a corrida e maximizar esse aprendizado. A ideia é continuar pelo restante da temporada’’, afirmou Bia, primeira mulher a ganhar uma corrida da Indy Lights, espécie de categoria de acesso à Indy.

Com a ajuda dela e de outros pilotos de aluguel, o contingente de brasileiros pode aumentar ainda mais até o fim da semana. Neste momento, já são seis os competidores locais -Bia, Tony Kanaan, Helio Castro Neves, Mário Romancini, Raphael Matos e Vitor Meira.

Nelson Merlo, 26, é exemplo de piloto que ainda trabalha para estar no grid. Detentor de três títulos de monopostos (F-São Paulo, F-Renault e F-3 sul-americana), ele deve saber nesta segunda se terá patrocínio para correr.

A equipe com a qual negocia pede algo em torno de US$ 400 mil. Segundo seu empresário, André Duek, o valor seria quase o dobro se o time não visse no piloto uma oportunidade para faturar em cima dos prêmios que ele pode ganhar. Pelo contrato, a escuderia ficaria com 60% das premiações, e Merlo com o restante. Mas esse prêmio, caso seja grande, pode ser convertido em verba para que o brasileiro corra também em St. Petersburg, na Flórida, na segunda etapa da temporada.

Uma regra da Indy, porém, talvez faça com que Merlo, mesmo com contrato fechado, não possa correr em São Paulo. Teoricamente, ele teria de fazer um teste nos EUA antes de estrear, mas, como isso não será possível, busca autorização para estar no GP sem esse teste.

Mario Moraes, que disputou a última temporada da Indy, também negocia a sua participação na prova de São Paulo.

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