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Guard-rails da Fórmula Indy continuam instalados na avenida Olavo Fontoura

30/09/2010 - 13h39

Seis meses depois da Indy, guard-rails ficam na rua como 'atração turística'

Rafael Krieger
Em São Paulo

A avenida Olavo Fontoura, na região paulistana do Anhembi, faz o motorista se sentir um piloto de Fórmula Indy acelerando no circuito de rua da São Paulo 300, montado em março. Seis meses depois da corrida, muita coisa ainda não foi desmontada.

INDY "ETERNA" EM SÃO PAULO

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    Guard-rails da Indy continuam instalados também na Marginal Tietê, no trecho perto do Sambódromo

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    Parte do equipamento foi arrancado do chão para abrir espaço a ponto de ônibus na Olavo Fontoura

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    Até uma zebra de concreto permanece instalada na Olavo Fontoura, perto de uma entrada bloqueada

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    Dentro do estacionamento, que serviu como área dos boxes, espaço de Takuma Sato ainda está lá

Quem trafega por lá ainda pode ver os guard-rails da Reta de Marte, um dos trechos que foram usados pelos pilotos na prova da Indy. Uma zebra de concreto também continua no mesmo lugar. No trecho da Marginal do Tietê que passa ao lado do Sambódromo, as proteções na lateral da pista também foram mantidas.

Segundo a SPTuris, os guard-rails não vão sair de lá. Diretor de eventos da empresa vinculada à prefeitura, Everaldo Júnior revelou ao UOL Esporte que os equipamentos foram mantidos para servir de atração turística na região, uma das mais visitadas da cidade por conta do Centro de Convenções do Anhembi.

“Eles estão lá para ficar. A coisa mais legal de ir para Mônaco é as pessoas saberem que ali é o local onde a corrida passa. Queremos melhorar a condição dos guard-rails e ter esse espaço caracterizado”, explicou Everaldo Júnior. Entretanto, na prova de Fórmula 1 em Monte Carlo, os guard-rails costumam ser desmontados depois.

O diretor da SPTuris ainda tem outro argumento para justificar a permanência do equipamento: proteção aos pedestres. “Ele representa segurança para as pessoas que estão passando ali. Muita gente diz que atrapalha quem vai atravessar a rua, mas só pula quem está atravessando fora da faixa. Em todos os locais de travessia, os guard-rails estão abertos. Se percebermos que alguém tenta pular, o pessoal da segurança orienta”, completou.

A reportagem visitou o local na última quarta-feira e observou que, na única passagem de pedestres ao longo de um quilômetro na avenida Olavo Fontoura, os guard-rails realmente foram arrancados do chão.  O mesmo aconteceu nos pontos de ônibus. Assim, a organização terá que renovar toda a estrutura de qualquer maneira, para que possa receber novamente a prova no dia 1º de maio de 2011.

No restante do trecho entre a saída do Sambódromo e a praça Campo de Bagatelle, há guard-rails por toda a extensão de uma das calçadas e no canteiro. Para as pessoas que trabalham na região e frequentam o local todos os dias, a opinião geral é de que todo esse aparato acaba atrapalhando na hora de atravessar a rua.

“Acho que ficaria mais bonito sem. E atrapalha um pouco quando se quer atravessar”, avaliou Taís, funcionária da Força Aérea. Gisele, que trabalha no centro de eventos do Anhembi, até concordou com o argumento do diretor da SPTuris: “Por um lado é melhor, porque evita o perigo de atravessar fora da faixa. Mas a pessoa acaba tendo que andar mais”.

Presidente da Associação Brasileira de Pedestres, E.J. Daros não considera os guard-rails como um instrumento adequado de segurança. “É controverso dizer que protege, porque leva a um conflito. Por um lado, o motorista vê aquilo como um direito que ele tem para transitar com mais segurança sem se preocupar com quem estiver atravessando. Mas acontece que o pedestre vai pular do mesmo jeito”, analisou.

“Se ele estiver do outro lado da calçada, longe da faixa, e ver o ônibus dele passando, ele vai sair correndo, pular o guard-rail e correr risco de atropelamento. Então isso só vale para os pedestres que já obedecem à lei”, completou Daros, lembrando que o Código Nacional de Trânsito estipula uma distância máxima de 50 metros entre as travessias para pedestres. Na Olavo Fontoura, há apenas uma faixa ao longo de um quilômetro.

Até maio, essa única faixa para pedestres ainda estava bloqueada pelos guard-rails. Foi quando a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre o tema, e a Dersa se comprometeu a retirar os equipamentos. No entanto, a estrutura só foi desmontada em partes, e em locais estratégicos, como travessias, pontos de ônibus e a entrada principal do Parque Anhembi.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Dersa esclareceu que a decisão de retirar ou não os guard-rails é da prefeitura, pois o equipamento pertence ao município. No entanto, a entidade não soube especificar se já havia um pedido para que isso fosse feito.

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