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Letícia Datena vira 'especialista em rali' e quebra barreira em TV no Chile

Daniel Halac
Leticia Datena é jornalista especialista em rali no Chile Imagem: Daniel Halac

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

06/12/2018 04h00

Em abril deste ano, Leticia Datena 'caiu de paraquedas' no rali. Morando no Chile, a jornalista recebeu a oportunidade de embarcar na cobertura do esporte automobilístico no país, mesmo sem experiência. O que era uma dificuldade virou motivação para que a filha do apresentador José Luiz Datena se dedicasse ao esporte e se tornasse a única mulher a fazer transmissões ao vivo das competições da modalidade no Gran Prêmio de Concepcion de RallyMobil.

"Tive essa proposta da produtora do campeonato nacional de rali. Aqui no Chile tem muitos fanáticos por esse esporte. A Argentina, que é sede do mundial há anos, é perto geograficamente... Então tem muitos torcedores. Eu tive a sorte porque entrei no melhor momento. Não sabia de nada. Mas vi como uma oportunidade de entrar no jornalismo esportivo daqui", contou Leticia, em entrevista ao UOL Esporte.

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"Foi difícil, porque foi uma combinação do espanhol, que tenho mais dificuldade do que inglês, e por nunca ter tido contato com o esporte antes. Foi dar a cara para críticas mesmo. Mas nunca liguei para isso. Confiei na minha trajetória, na minha carreira. Quando eu cheguei, o pessoal do rali desconfiava: 'uma mulher brasileira aqui no meio do rali'. Mas hoje muitos colegas meu aqui falam que eu acabei surpreendendo muita gente", acrescentou.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
Leticia começou na função que a maioria das jornalistas esportivas do Chile faz: monitorar redes sociais. Apesar disso, ela se empenhou para virar "uma especialista sobre rali". Atualmente ela é repórter e comentarista de programas focados em automobilismo e é a única mulher a integrar a bancada das transmissões ao vivo das etapas de rali pelo Chile, que acontecem mensalmente. Em janeiro, Leticia tem mais uma conquista para celebrar: ela irá cobrir a etapa do Peru do Rally Dakar.

A jornalista acredita que a presença dela em um meio predominantemente masculino pode abrir portas para outras jornalistas mulheres que sentem vontade de cobrir o mundo do rali. Além disso, Leticia observou que tem até mais facilidade de conseguir entrevistas com os competidores do que os colegas de profissão.

"Acho que eu ser a única mulher nas transmissões de rali abre o espaço para outras. E no rali, eles são muito educados, não sei se é coisa do Chile, ou do esporte. Mas é até mais fácil na hora de entrevistas. Porque ficam sem graça por falar 'não' ao meu pedido. Faço sempre na chegada [da corrida], então às vezes eles vêm bravos, com o carro todo quebrado, e eu quero entrevista... Eles abrem a janela do carro e falam numa boa", observou.

O apresentador José Luiz Datena sempre acompanha a filha e vibra com as conquistas dela no jornalismo esportivo. "Meu pai ama de paixão. Eu sempre mando as coisas que eu faço, ele sempre me acompanha, me liga para falar sobre", contou Leticia.

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