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Verstappen cumpre punição na F-E por agredir Ocon e surpreende pilotos

Toru Hanai /Reuters
Imagem: Toru Hanai /Reuters

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Marrakesh (Marrocos)

13/01/2019 04h00

A presença de Max Verstappen na etapa do Marrocos da Fórmula E dividiu opiniões na categoria. Afinal, o holandês não esteve lá por vontade própria: o piloto da Red Bull passou todo o sábado acompanhando o trabalho dos comissários, cumprindo um de seus dois dias de punição por ter agredido Esteban Ocon depois do GP do Brasil do ano passado.

A ideia da FIA era que, ao acompanhar o trabalho dos comissários, Verstappen teria uma punição educativa, para entender seu trabalho. Mas o terceiro colocado em Marrakesh, Sam Bird, afirmou que isso desmerece a Fórmula E.

"Dizer que vir para a F-E é um serviço para a comunidade faz um desserviço à categoria. É uma categoria incrível e as pessoas pagam para nos assistir. Vir aqui não deveria ser uma punição. Espero que ele tenha gostado e que ele fala bem da F-E para seus colegas."

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Imagem: Reprodução
Perguntado pelo UOL Esporte sobre a punição, Nelsinho Piquet levantou outra teoria: a de que o presidente da FIA, Jean Todt, teria usado a oportunidade para promover a categoria.

"Você pode ver isso como o Jean Todt talvez querendo dar bola para a Fórmula E trazendo um piloto para cá porque ele talvez tenha mais interesse que isso aqui cresça. Posso estar viajando, mas pode ser isso. Ou foi porque, fora a F1, é a categoria mais competitiva que tem por aí, então se eles querem dar um tapa na mão do Max, falam para ele ir assistir a uma corrida e finge que você está aprendendo alguma coisa na sala dos comissários."

Já Felipe Massa contou que acabou sendo pego de surpresa quando encontrou o holandês na sala dos comissários. "Eu fui lá porque falaram que eu tinha ido muito rápido na bandeira amarela, aí cheguei lá e falei 'o que você está fazendo aqui?', e ele disse que estava 'pagando algumas coisas'. Ele não estava muito animado. Eu também não estaria", contou o brasileiro, rindo.

Para ele, a punição a Verstappen pelo episódio no Brasil mostra uma mudança no esporte. "No passado, os caras saiam na porrada e todo mundo dava risada. Hoje em dia as coisas não são mais assim, e isso não é só na F-1, mas também no futebol, no geral. O mundo hoje em dia é diferente. Deram essa punição para ele para ver se isso não acontece mais. Não sei direito como funciona, mas ele fica lá para ver como os comissários estão trabalhando." 

Outro que não quis criticar a decisão da FIA foi Lucas Di Grassi. "Se a FIA decidiu que ele teria que vir para cá, algum motivo tem. Não sei todas as variáveis, então não tenho como criticar uma decisão dessa. Nem para um lado, nem para o outro."

Após a prova, a FIA soltou um comunicado em que Verstappen dizia ter aproveitado a oportunidade em sua punição. "É interessante ver as coisas do outro lado, normalmente você não passa um dia inteiro com os comissários. Acho que fazer esse trabalho foi construtivo para mim", disse o holandês, que disse ter gostado de estar pela primeira vez no paddock da F-E. "Antes de tudo, a corrida foi muito emocionante. O campeonato está claramente crescendo e há várias montadoras, então acho que é uma categoria bacana".

Segunda etapa do campeonato, o e-Prix de Marrakesh foi vencido por Jerome D?Ambrosio depois que os dois pilotos da BMW, Antonio Felix da Costa e Alexander Sims, que lideravam com folga, bateram a poucas voltas do final.
 

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