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FIVB/Divulgação

Fabi chora em quadra após derrota do Brasil para a Rússia na decisão do Mundial

14/11/2010 - 10h55

Brasil repete roteiro, perde para a Rússia e fica com o vice no Mundial

Lello Lopes
Em Tóquio (Japão)

Faltou pouco, de novo. Assim como aconteceu em 2006, o Brasil ficou perto de ganhar pela primeira vez o título do Mundial feminino de vôlei. E, assim como aconteceu em 2006, a Rússia levou a melhor no tie-break e impediu a realização desse sonho. Neste domingo, com uma atuação magistral da ponteira Gamova, as russas venceram a final por 3 sets a 2, com parciais de 21-25, 25-17, 20-25, 25-14 e 15-11, e conquistaram o bicampeonato.

Com o resultado, a Rússia impede o Brasil de ter a hegemonia no vôlei feminino, uma vez que a seleção é a atual campeã olímpica. As russas, por sinal, comprovam que o Mundial é o seu torneio preferido. Esse é o sétimo título das europeias na competição.

A seleção brasileira, que chegou invicta à decisão, não encontrou um jeito de parar a gigante Gamova. Com 2,02 m, a atacante russa marcou 35 pontos, oito deles no tie-break. A atuação ajudou a atleta a ganhar o prêmio de melhor jogadora do Mundial.

"É muito difícil nessas horas falar porque aconteceu. A gente lutou, todo mundo está de prova aí que a gente lutou. Só que não era pra ser nosso", lamentou a ponteira Jaqueline, uma das principais jogadoras do Brasil no Mundiall.

Na partida contra a Rússia, o Brasil começou arrasador. Usando as bolas de Natália na entrada da rede a seleção marcou 6-1. O resultado deu tranquilidade para as brasileiras em toda a parcial.

Principal arma ofensiva da Rússia, a ponteira Gamova demorou para fugir da defesa brasileira. Com o saque nacional funcionando bem, a bola chegava ruim para a levantadora Startseva, que não conseguia acionar a sua ponteira da melhor maneira.

Sorte do Brasil, que encontrou o caminho livre na entrada da rede. Um ataque de Jaqueline no setor deixou a seleção com 10-3. A Rússia, então, acordou. Aos poucos foi tirando a diferença. Dois ataques seguidos de Gamova deixaram o jogo em 13-11.

A seleção deu uma outra esticada no placar (20-15, com bloqueio de Fabíola), mas permitiu o empate russo em 21 pontos. Mas o Brasil não se perdeu. Com personalidade, fez quatro pontos seguidos e fechou o set em 25-21, com Sheilla.

No segundo set a seleção não conseguiu impor o mesmo ritmo do início do primeiro. A Rússia passou a forçar mais o saque, atrapalhando o ataque brasileiro. O serviço de Startseva, principalmente, foi fatal para o Brasil.

Toda a parcial foi dominada pela Rússia. Gamova atacou como quis. E o jogo da veterana oposto Sokolova finalmente apareceu. Foi ela quem decidiu o set em 25-17 em um ataque.

No terceiro set, o equilíbrio durou até a levantadora Fabíola começar a usar as bolas das centrais. Além disso, Jaqueline também brilhou. Três pontos seguidos da ponteira deram 11-6 para a seleção. O Brasil administrou a vantagem até fechar em 25-20, com Fabiana.

Faltava um set para a vitória brasileira. Mas as jogadoras não mostraram em quadra que estavam tão perto do título. Desconcentrado, o Brasil viu a Rússia jogar livre no quarto set. Sem conseguir marcar Gamova e errando bastante, as brasileiras perderam a parcial por fáceis 25-14.

No tie-break, a seleção brasileira voltou mais ligada no jogo. Por três vezes abriu uma vantagem de dois pontos, mas permitiu a reação da Rússia. Um pouco antes da virada de quadra, o árbitro sul-coreano Kim Kun-Tae inverteu erroneamente a marcação do bandeirinha em um ataque de Sheilla. O Brasil, que abriria 8-6, viu a adversária empatar em 7-7. As russas tomaram a dianteira (8-9) em um ataque para fora de Sheilla. E fizeram 9-11 com Sokolova.  A diferença foi demais para as brasileiras. Gamova atacou forte, marcou o seu oitavo ponto na parcial e fechou o jogo em 15-11.

"O grupo trabalhou muito, merecia ter ganho esse título, mas acho que é um processo de aprendizado. Acho que com as derrotas a gente não tem muita coisa para tirar proveito, porque a gente fica pensando onde é que errou, mas o grupo que eu vi e conheci esta de parabéns pelo comportamento. Lutaram, que é o que a gente esperava que acontecesse. E eu só tenho que agradecer o comportamento de todas as jogadoras. Mas foi um pecado, a Rússia jogou melhor e mereceu a vitória", disse o técnico José Roberto Guimarães.

 

 

FICHA TÉCNICA DO JOGO

BRASIL
Fabíola e Sheilla, Jaqueline e Natália, Thaísa e Fabiana, Fabi. Entraram: Fernanda Garay, Dani Lins, Joycinha e Sassá.
Técnico: José Roberto Guimarães

RÚSSIA
Borodakova e Perepelkina, Sokolova e Gamova, Startseva e Kosheleva, Kryuchkova. Entraram: Makhno e Goncharova.
Técnico: Vladimir Kuzyutkin

 

DIRETO DO GINÁSIO

PROVOCAÇÃO
Enquanto as brasileiras concediam entrevistas para a TV, as russas passavam no fundo e acenavam para as câmeras.
INOVAÇÃO
A festa do pódio não teve o tradicional papel picado. As campeãs foram saudadas com uma cortina de fumaça e o tema de "Carruagens de Fogo".
TRISTEZA
Jaqueline era uma das jogadoras mais abatidas com a derrota. A ponteira precisou ser amparada no caminho dos vestiários.
MINORIA
A torcida russa era minoria na arquibancada, mas fez muito barulho. E ainda levou um bandeirão digno de estádio de futebol.

 

MELHORES E PIORES

Gamova
Marcou 35 pontos na final (oito no tie-break) e foi eleita, com justiça, a melhor jogadora do Mundial.
Zé Roberto
Sabia que a maior arma da Rússia era Gamova, mas não conseguiu achar uma forma de parar a jogadora.
Sokolova
Deu estabilidade na defesa, manteve a calma do time nos momentos difíceis e ainda contribuiu com 14 pontos.
Thaísa
Apareceu pouco no ataque e foi lenta no bloqueio. Ficou longe de suas melhores atuações no Mundial.

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