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São Caetano monta elenco com cautela para evitar nova decepção

Paula Almeida<br/> Em São Paulo

04/06/2009 15h15

Em meados de 2008, o São Caetano e Blausiegel iniciaram uma parceria que prometeu mexer com o voleibol feminino do Brasil. A equipe trouxe, de uma vez, a levantadora Fofão e as atacantes Mari e Sheilla, que em seguida conquistariam o ouro olímpico nos Jogos de Pequim, e avisou que brigaria para desbancar Rexona-Ades e Finasa/Osasco do topo da Superliga. As promessas não se concretizaram, e o time ficou em terceiro lugar.

ELENCO DO SÃO CAETANO PARA TEMPORADA 2009/2010
Laércio Checa / Photo&Grafia
Sheilla (e), Fofão (c) e Mari continuam como os principais nomes da equipe
Divulgação
Mauro Grasso foi contratado para fazer
do São Caetano um time mais regular
TécnicoMauro Grasso (Vivo/Minas)
LevantadorasFofão
Macris
Ana Maria (Mackenzie)
PonteirasMari
Dayse
Luciana
Mariana (Mackenzie)
Fê (Pinheiros)
Regla Bell (Cantur-ESP)
OpostasSheilla
Dani
Ciça (Banespa)
CentraisLara
Jucy (Brasil Telecom)
Nati (Brasil Telecom)
LíberoSuelen
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Às vésperas da temporada 2009/2010, o discurso se repete, as promessas são as mesmas, mas a estratégia é diferente. Nesta quinta-feira, durante apresentação do elenco para os próximos campeonatos, o clube se disse pronto para resolver os problemas que deixaram o time decepcionado no último ano.

"A empresa nunca pensou em deixar de patrocinar o São Caetano", afirmou Marcelo Hahn, CEO da Blausiegel. "É claro que não só nós, mas o grupo todo ficou um pouco decepcionado, porque nós acreditávamos que chegaríamos na final da Superliga. Mas tivemos problemas com o técnico, e algumas jogadoras demoraram a se integrar por causa das Olimpíadas. Isso tudo pode ter atrapalhado um pouco. Estamos torcendo para que este seja um ano de glórias para nós.".

Estrela da equipe ao lado de Sheilla e Fofão, Mari fez coro com o empresário. "Nossa expectativa era muito boa no começo da temporada. Mas já durante a Superliga a gente foi ficando triste com os problemas que o time teve. Saiu um treinador [Antônio Rizzola], aí entrou outro [Chicão] que ainda não estava preparado para assumir uma equipe desse porte, uma jogadora quebrou o pé, a Dayse voltou a jogar após duas cirurgias...", lembrou a atacante. "Então, tivemos uma série de problemas e o grupo não se encaixou".

Uma das críticas feita ao São Caetano da última temporada foi a formação de um elenco irregular, composto por três jogadoras de peso e outras atletas sem experiência ou de baixo nível técnico. Para sanar este problema, a diretoria contratou o veterano técnico Mauro Grasso, que retorna ao vôlei feminino após comandar equipes masculinas por quase 15 anos.

"No ano passado, nós não acompanhamos de perto o trabalho da equipe técnica na contratação das jogadoras. Agora estamos mais próximos e damos mais enfoque ao treinador", explicou Marcelo Hahn, apostando todas as suas fichas em Grasso.

O treinador, por sua vez, entendeu as necessidades do time. "Cada técnico tem o seu feeling. Eu estou sendo muito auxiliado, em razão dessa minha ausência no vôlei feminino. Tenho conversado com muitas jogadoras, ex-jogadoras, técnicos. A partir daí, fomos montando o time. Ainda ficou aquém do que nós gostaríamos, mas vamos fazer o possível com o time que temos", detalhou o treinador, ressaltando que, apesar das três estrelas olímpicas, o elenco será tratado de maneira equilibrada.

O aval ao técnico não vem apenas da diretoria, mas também das próprias atletas. "Nunca foi treinada pelo Mauro, mas estávamos em times adversários quando ele era técnico de vôlei feminino. Eu o conheço há muito tempo e sei que ele é muito dedicado. Ele vem muito motivado, porque está voltando ao feminino, e essa motivação é muito bacana para a equipe", comentou Fofão, capitã da equipe.

Jogadoras 'resgatadas'

A permanência do trio olímpico foi um alívio para o São Caetano/Blausiegel, que também fez questão de manter jogadoras que fizeram um bom trabalho na última Superliga. Destaque para a líbero Suellen, melhor recepção do campeonato passado. Ainda permaneceram as ponteiras Dayse e Luciana, a oposta Dani, a central Lara e a levantadora Macris.

TIME FICA SEM VALESKINHA
Cotada como possível reforço do São Caetano/Blausiegel, a campeã olímpica Valeskinha não entrou em acordo com a equipe do ABC paulista. Além do alto salário, a ponteira impôs algumas condições para fechar negócio, e o clube não aceitou.

"Ela fez uma solicitação para que se apresentasse mais para frente [em agosto]. Mas nós queremos evitar que o grupo fique 'quebrado'. Só com a Maria e com a Sheilla não tem jeito, porque elas estão na seleção", explico o técnico Mauro Grasso.

O treinador revelou que a equipe ainda tentou repatriar brasileiras que estão fora do país, mas disse que a questão financeira foi o principal entrave nas negociações.
Entre as contratadas, três atletas viram no time do ABC a possibilidade de 'ressuscitar' após um ano muito difícil. Foi o caso das meios-de-rede Juciely e Natália, que estavam sem emprego após a desintegração do time da Brasil Telecom, e da atacante Ciça, que enfrentou muitas dificuldades no Banespa. Depois que a Medley retirou seu patrocínio, a jogadora ficou sem salário e viu algumas de suas companheiras abandonarem o clube.

"Foi muito difícil pra mim. A maioria das jogadoras não tem família, não tem filhos, mas eu tenho uma filha. Mas mesmo assim, não recebendo salário, eu decidi que ficaria no time até o final", lembrou Ciça, que atua como ponteira e oposta. "Agora estou muito feliz por estar jogando ao lado de grandes atletas. Conheço a Mari e a Sheilinha desde os tempos das seleções de base, e elas são pessoas maravilhosas".

O time também contratou a levantadora Ana Maria e a ponteira Mariana (ambas do Mackenzie/Cia do Terno), e a também atacante de ponta Fé (Pinheiros/Mackenzie). O grande aníncio, porém, foi a chegada da cubana Regla Bell, tricampeã olímpica em Barcelona-1992, Atlanta-1996 e Sydney-2000.

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