Vôlei

Zé Roberto conversará com aposentadas para chamá-las de volta à seleção

REUTERS/Yves Herman
Imagem: REUTERS/Yves Herman

Vinicius Konchinski

Do UOL, no Rio de Janeiro

23/09/2016 17h25

O técnico José Roberto Guimarães, 62 anos, anunciou na sexta-feira (23) sua permanência no comando da seleção brasileira de vôlei feminino até a Olimpíada de Tóquio, em 2020. Anunciou também o seu principal objetivo durante o próximo ciclo olímpico: recolocar seu time no topo do esporte –após a Rio-2016, a equipe caiu da segunda para a quarta posição no ranking da FIVB (Federação Internacional de Vôlei).

Para alcançar essa meta, porém, Zé disse ter uma missão mais imediata. O técnico, no comando da seleção feminina desde 2003, pretende ter uma conversa individual com algumas de suas principais jogadoras para convencê-las a desistir de aposentadorias já anunciadas após os Jogos do Rio.

Depois de o Brasil perder para a China nas quartas-de-finais do torneio olímpico, duas lideranças da seleção feminina, Fabiana (a capitã) e Sheila, declararam que não pretendem mais defender a seleção. Outras duas atletas, Thaísa e Camila Brait (que foi cortada da equipe dias antes da Rio-2016), também deram o entender que não devem mais jogar pelo Brasil.

Zé Roberto, entretanto, considera que todas elas ainda podem render na seleção. Portanto, deve agendar uma conversa tête-à-tête com cada uma delas para entender seus planos e ter certeza sobre com quais pode contar já pensando na equipe que jogará a Olimpíada de 2020.

“Não estou convencido de que algumas jogadoras não possam vir a jogar pela seleção. São jovens e privilegiadas no aspecto físico. A tentativa de fazê-las jogar sempre vai existir”, explicou Zé Roberto, em entrevista coletiva. “A Sheilla e a Fabiana têm bola para continuar jogando.”

Segundo o técnico, é natural que atletas anunciem aposentadorias após derrotas marcantes. É natural também que jogadoras aproveitem o fim de um ciclo olímpico e repensem sua vida profissional e pessoal. No caso do esporte feminino, algumas até interrompem suas carreiras visando a uma gravidez.

Zé diz respeitar os planos de todas as jogadoras. Mas quer encontros com elas para entender os objetivos de cada uma.

“No esporte feminino, existem imponderáveis. Há jogadoras que querem engravidar, construir família...”, afirmou o técnico. “Quero ter conversas individuais para saber a vida delas. Preciso saber o que estão pensando para fazer meu planejamento. ”

Mais treinos e jogos por nova geração

Zé Roberto disse também que, independentemente da permanência de jogadoras-chave na seleção, jovens atletas também passarão a integrar a equipe durante o novo ciclo olímpico. Segundo ele, é importante que essas novas jogadoras passem por um período de amadurecimento. Por isso, ele pretende fazer mais jogos e treinos durante os próximos quatro anos.

“Queremos fazer 140 jogos no próximo ciclo olímpico, entre amistosos e partidas oficiais. Serão pelo menos 40 jogos por ano para que jovens atletas ganhem experiência”, disse Zé. “No ciclo passado, por causa da Olimpíada, deixamos de jogar um campeonato importante, que foi a Copa do Mundo.”

Dor da derrota em 2016 como motivação para 2020

Zé Roberto afirmou na entrevista que ainda sofre e fica sem dormir por causa da derrota para a China na Rio-2016. Segundo ele, a seleção feminina tinha todas as conquistar a medalha de ouro jogando uma Olimpíada em casa e sagrar-se tricampeã olímpica.

Ele disse que tem usado esse sofrimento como motivação. Segundo ele, sem o ouro no Rio, ficou o sentimento de dever não cumprido. O técnico disse que não quer conviver com essa “pendência” por muito tempo.

“Foi muito duro para todos nós a derrota. Ninguém esperava sair dos Jogos num momento como aquele”, afirmou. “Sinto que tenho coisas a fazer, e o Brasil precisa continuar entre os melhores.”
 

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