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Time gay de vôlei tem ajuda de campeãs olímpicas e tenta disputar Mundial

Reprodução/Instagram
Angels Volley Brazil se prepara para a disputa do Gay Games em agosto de 2018, em Paris Imagem: Reprodução/Instagram

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

28/12/2017 04h00

Criado há menos de um mês, o perfil do time "Angels Volley Brazil" está bombando no Instagram. Já são quase 10 mil seguidores e publicações com bom alcance que ajudam a divulgar um projeto e um sonho encabeçados pelos jogadores Willy  Montmann e Rafael Martins. Eles planejam colocar nas quadras de Paris, na França, o primeiro time gay brasileiro de vôlei para a disputa da décima edição mundial do Gay Games, em agosto de 2018. 

Para concretizar o objetivo e embarcar os 12 jogadores à Europa, o Angels precisa arrecadar uma verba que prefere não revelar em contato com o UOL Esporte. Em busca de divulgação, o time tem obtido apoio de importantes fontes, como as campeãs olímpicas do vôlei Thaisa, Jaqueline e Carol Albuquerque, e outras jogadoras com passagem pela seleção como Carol Gattaz. Todas gravaram vídeos pedindo aos seus seguidores em redes sociais incentivos ao projeto. Foi isso que bombou a página e permitiu novas possibilidades de obtenção de receita, que podem permitir a comunidade gay brasileira de fazer história.

"Hoje em dia as mídias sociais são a principal plataforma para buscar apoio. Nós não queríamos palco, seguidores, e sim apresentar nossa ideia. Foi então que as atletas abraçaram, primeiro a Tifanny, depois a Thaisa entrou, superempolgada e empenhada, e começou um efeito dominó. Hoje estamos indo em empresas com uma estratégia de mercado, temos contato com uma agência de marketing esportivo que surgiu através das publicações... A gente queria, quer e vai conseguir jogar esse Mundial", crava Willy Montmann, o capitão do time.

O Angels Volley começou em 2008, quando Rafael Martins decidiu reunir um grupo de amigos gays para jogar em uma quadra alugada em São Paulo. Era um bate-bola descontraído, só por diversão, mas que começou a tomar ares profissionais com o apoio de Bruno Maia, o Todd Tomorrow, importante figura da comunidade LGBTQ no Estado, e que intermediou um contato com o Consulado da França. A organização do Gay Games de Paris havia tomado conhecimento do projeto em São Paulo, que já conta com jogadores com passagens pela base da seleção brasileira e experiências internacionais, e queria levá-los para a competição em 2018.

Divulgação
Símbolo do time fundado em São Paulo, em 2008 Imagem: Divulgação

"O Gay Games não é um torneio exatamente profissional, mas tem sua seriedade. E nós levamos o vôlei a sério, jogamos desde pequenos, tratamos como algo além de um hobby", conta Willy, que tem percebido até um aumento no público presente nos treinos do Angels desde a criação do perfil no Instagram.

"O vôlei é o esporte número um dos gays. A torcida gay no voleibol é muito presente. Então existe essa receptividade, eles abraçam a causa. Hoje somos um time já fechado e totalmente gay, mas quando não vão todos, aceitamos héteros nos treinos e alguns até vão como convidados. Aqui não existe esse tipo de exclusão, porque estaríamos só disseminando o preconceito".

Dentro e fora das quadras

Além das publicações pedindo apoio na busca por patrocínios, o perfil do Angels tem conteúdo de caráter político e social que levanta a bandeira contra a homofobia e o preconceito e algumas fotos mais, digamos, ousadas dos jogadores que fazem parte do time. A beleza física dos jogadores, inclusive, foi um dos fatores que motivou a criação do nome: os "anjos" da luta pela causa LGBTQ também são "angels", como os ícones da beleza da marca Victoria's  Secret. As imagens estão chamando atenção...

"Os meninos são interessantes mesmo... Nossa página hoje é formada por cerca de 50% de mulheres, que gostam, mandam recados, dizem que somos lindos. E é verdade".

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