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Levantadora da seleção mostra força pela causa LGBT e contra machismo

Naiane Rios, atleta do Sesi Vôlei Bauru, ergue a bandeira da causa LGBT - Reprodução/Instagram
Naiane Rios, atleta do Sesi Vôlei Bauru, ergue a bandeira da causa LGBT Imagem: Reprodução/Instagram

Leandro Carneiro

Do UOL, em São Paulo

08/03/2019 12h00

Naiane não é uma jogadora qualquer de vôlei. E não estamos falando apenas por seu desempenho em quadra que a levou para a seleção no atual ciclo olímpico. A atleta do Sesi Bauru não gosta de se esconder. Nada contra a maré de uma sociedade ainda machista e repleta de preconceitos. Tenta esclarecer a cabeça dos seguidores e levanta a bandeira do respeito.

A levantadora tem um namoro de anos e mostra constantemente a alegria ao lado de sua companheira nas redes sociais. Mas suas postagens não param por aí. Ela pede, principalmente, respeito e amor aos seus fãs.

"O feminismo não é o oposto de machismo, ele vem pra libertar nossos corpos e intensificar que somos donas de nós. Apesar de nossos caminhos já terem se aberto, a caminhada ainda é longa e dura, ainda temos muito o que evoluir quanto sociedade", disse em entrevista ao UOL Esporte.

"Eu procuro sempre ser clara com as coisas que eu penso. Não acredito que exista outro caminho que não seja o do amor. E quando o assunto é eleição eu acho que não adianta a gente se preocupar com o que é visível aos olhos, no meu ver o certo é ser a voz dos menos favorecidos".

A levantadora transparece coragem. Responde quem acha que merece ser respondido. Mas tem medo. Receio que a maioria das pessoas tem com a intolerância recorrente no país. Só que Naiane sabe que se calar é pior.

"A gente não conhece as pessoas. Mas acho que a intolerância vem do silêncio, estamos na busca de um mundo melhor, numa evolução maior do que a gente imagina, é isso que me move", revelou a atleta que nunca teve problema pela sua orientação sexual nas redes sociais.

"Nunca tive esse tipo de problema quanto a orientação sexual, mais sobre posicionamento político. Mas isso faz parte né, cada um tem uma opinião diferente e quando você consegue dialogar, ambas as partes se ouvirem e ficar tudo bem, o nome disso é respeito", falou.

"Uma vez sobre feminismo (pediram para se posicionar menos no clube), disseram que as pessoas ainda não estavam preparadas pra ouvir aquilo. Minha reação foi de surpresa. E outras vezes as piadinhas por falta de compreensão, mas eu sempre dou um jeito de conversar e ser bem didática", complementou.

Naiane foi aproveitada por José Roberto Guimarães na seleção há dois anos depois de se destacar nas categorias de base. Ela vive a expectativa de participar do trabalho em 2019, quando a seleção possivelmente terá de formar duas equipes para se dividir entre Jogos Pan-Americanos e Pré-olímpico.

"Em relação à seleção eu sempre deixei a acontecer porque sempre acreditei ser uma consequência do meu trabalho e agora não é diferente. Meu principal foco no momento é o clube. Vivo um ótimo momento pessoal. Tenho buscado minha evolução diariamente sei que estou no caminho certo", finalizou.