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26/08/2005 - 08h00

"Sete" faz Érika trocar campeão por lanterna da última Superliga

Lello Lopes
Em São Paulo
Na numerologia, o sete está relacionado com introspecção e misticismo. No vôlei brasileiro, entretanto, o número significa mudança. Principalmente para uma das mais importantes jogadoras do país, a ponta Érika. Graças ao sistema de ranqueamento utilizado pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), a jogadora precisou trocar o Finasa/Osasco, campeão da última Superliga, pelo Oi/Macaé, lanterna do campeonato passado.

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Érika deixa o Finasa/Osasco para jogar no Oi/Macaé na próxima temporada da Superliga
A saída só aconteceu porque nesta temporada o Osasco teria três jogadoras consideradas nível sete (além de Érika, atingem o grau máximo do ranking a meio-de-rede Valeskinha e a oposto Mari). O regulamento da Superliga só permite duas atletas nível sete por time. Assim, os dirigentes do Osasco não tiveram escolha a não ser mandar um das atletas embora.

"Não foi uma escolha técnica, aconteceu muito em virtude da negociação (dos contratos) das atletas com a diretoria. A minha idéia era continuar com a mesma equipe", reclama o técnico do Osasco, Paulo Coco. "É engraçado que essa situação só aconteceu com o Finasa. Eu achei que o ranqueamento não foi justo para todas as equipes", completa.

Para o gerente de competições nacionais da CBV, Renato D'Ávila, a reclamação do Osasco não tem fundamento. "Essa reclamação sempre existiu desde o início do ranking. Mas apesar de reclamarem, eles participam da conversa, votando nas jogadoras. Tudo na Superliga parte das equipes. A CBV só administra a competição."

O ranking foi criado na temporada 1992/1993 para evitar a concentração de forças em uma só equipe. As atletas consideradas de alto nível ganham sete pontos na lista, sendo que cada time só pode ter duas jogadores deste tipo. A soma máxima de pontos por equipe é 32. O ranking é atualizado a cada ano após uma votação realizada com os times.

SETE DETALHES SOBRE ÉRIKA
1: Nasceu em Belo Horizonte, no dia 23/03/80; o seu nome completo é Érika Kelly Pereira Coimbra
2: Disputou duas Olimpíadas, em Sydney-00 e Atenas-04; na Austrália ganhou o bronze e na Grécia ficou em quarto lugar
3: Começou a jogar vôlei por um motivo incomum: estética (ela chegou até a ter contrato com uma agência de modelos)
4: Ficou um ano afastada da seleção porque em um exame teve detectado excesso de testosterona (hormônio masculino); voltou à equipe após realizar um tratamento
5: Estava no grupo de jogadoras que deixaram a seleção quando Marco Aurélio Motta era o treinador, em 2002
6: Ganhou a Superliga pelo Osasco duas vezes, nas temporadas 03/04 e 04/05
7: Ainda não escolheu lugar para morar na cidade de Macaé
No momento, apenas cinco jogadoras em atividade no Brasil são consideradas nível sete. Além das três que defenderam o Osasco na temporada passada estão duas atletas do vice-campeão Rexona/Ades: Fernanda Venturini e Fabiana. Na lista, ainda constam os nomes de três atletas que trocaram a quadra pela praia (Ana Paula, Leila e Virna) e outras duas que jogam na Itália (Fofão e Walewska).

Com a ida de Érika para o Macaé, o campeonato tende a ficar um pouco mais equilibrado. A ponta assinou um contrato para defender o time carioca até maio do ano que vem, numa negociação que durou um mês. A apresentação da jogadora será no dia 1º de setembro. Até lá, ela treina sozinha no Rio de Janeiro.

"Eu queria jogar fora (do país), mas vi que não era o momento agora. E esta vai ser mais uma experiência em minha vida", diz Érika, de 25 anos, que vai ganhar R$ 450 mil até o final do contrato -R$ 50 mil a mais do que ganhou na última temporada pelo Osasco.

Além de Érika, o Macaé investiu pesado para deixar de ser o saco de pancadas da Superliga (no ano passado, ganhou apenas um dos 16 jogos que disputou). Agora com o patrocínio da Oi, o time contratou Elisângela (que estava na Itália), Marcelle (ex-Campos), Mari Hellen (ex-Pinheiros), Fofinha (ex-Campos) e Veridiana (ex-Minas).

"Esse time é para ficar entre os quatro. É para disputar o título da Superliga", garante a supervisora da equipe de Macaé, Kerly Cristiane Paiva dos Santos.

Na casa nova, Érika tem um velho objetivo: voltar à seleção brasileira. "Essa geração é a minha geração. Quero treinar e melhorar para voltar à seleção", diz a jogadora, que no momento desistiu da tentiva de virar levantadora. "Vou continuar atacando", afirma.

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