UOL Esporte Vôlei
 
17/04/2009 - 15h07

Prometido equilíbrio fica no papel, e Superliga terá finais previstas

Roberta Nomura
Em São Paulo
A 15ª edição da Superliga de vôlei teve início com discurso uníssono de maior equilíbrio da história. No entanto, a promessa ficou no papel e a principal competição nacional chega ao fim com desfecho semelhante ao de temporadas anteriores. Neste final de semana, Rexona-Ades e Finasa/Osasco decidem o título pela quinta vez consecutiva, às 9h30 de sábado. Um dia depois, no mesmo horário, Cimed/Brasil Telecom e Vivo/Minas reeditam as decisões dos últimos três anos.

Em ano recorde de repatriações, com destaque para o retorno de atletas de seleção brasileira, o torneio proporcionou duelos mais equilibrados e até ameaça real de dois favoritos serem eliminados nas semifinais. Porém, os holofotes seguiram com as grandes potências, que buscam o título em jogo único no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

Único tetracampeão da Superliga, o Vivo/Minas quase ficou de fora de sua oitava final, a quinta consecutiva. A equipe, que repatriou os medalhistas olímpicos de prata André Heller e André Nascimento, perdeu o primeiro jogo para o Sada Cruzeiro e perdia por 2 a 1 a segunda partida da semifinal. Mesmo em desvantagem no quarto set, os comandados de Mauro Grasso viraram o jogo e venceram também a terceira partida.

Agora, o Minas desafia novamente a atual campeã Cimed. Nas três decisões anteriores, a equipe catarinense levou a melhor em duas oportunidades, com os títulos das temporadas 2005/2006 e 2007/2008. O time de Belo Horizonte conquistou seu quarto título em 2006/2007.

"É melhor enfrentar um time que já conhece bem, porque se prepara melhor. Você tem um monte de dados, e depois de estudar consegue ficar bem próximo de detalhes táticos e técnicos", disse o técnico Mauro Grasso ao UOL Esporte. Na atual edição da Superliga, os rivais se enfrentaram cinco vezes, com três vitórias da Cimed.

Nas ocasiões, o clube de Florianópolis atuou quatro vezes em casa. Mas, neste sábado, o duelo é em campo neutro. "Sabíamos desde o início que a forma de disputa seria essa. Lutamos muito para terminar em primeiro para termos privilégios nas quartas e nas semifinais e o fator local foi determinante. Nosso time tem como conduta focar dentro de uma realidade, que agora é jogo único, e trabalhamos o ano inteiro para construir nossa história e chegar neste momento. O dia é domingo", disse o técnico da Cimed, Marcos Pacheco.

Mesmo distante de Minas Gerais e Santa Catarina, o treinador não acredita em ginásio vazio. "No ano passado que era tudo uma interrogação, tinha muita torcida e 90% era da Cimed, porque a empresa tem representantes no país inteiro e é forte no Rio. Mas a Superliga, por si só, tem apelo muito forte e não vejo como não estar cheio", falou Pacheco. Na temporada anterior, 10.180 pessoas viram a vitória catarinense no Maracanãzinho.

O investimento de outras equipes para tentar acabar com a 'monotonia' na Superliga trouxe atletas de ponta como Marcelinho, André Nascimento, André Heller, Fofão, Mari, Sheilla de volta ao voleibol brasileiro. No entanto, as hegemonias não foram quebradas na atual temporada, que terá finais repetidas tanto no torneio feminino quanto no masculino.

Para os treinadores de Vivo/Minas e Cimed/Brasil Telecom ter um parceria forte por trás do clube explica boa parte do sucesso das equipes, que se enfrentam pela quarta vez consecutiva na decisão.

"Soma-se aí tradição, capacidade e continuidade. Na Cimed, especificamente, o voleibol é ferramenta de marketing. Não tem juvenil é uma arma mesmo e só vai dar retorno se tiver sucesso. Não é o mais determinante, não é assim, mas é mais um fator pela busca incessante pelo sucesso. É um fator muito importante", explicou Marcos Pacheco, técnico do time catarinense.

"Com certeza ter um nome forte por trás ajuda e muito. Dá segurança e tudo o que é necessário para desenvolver o trabalho. Porque temos profissionais muito competentes como o Talmo de Oliveira e Rubinho, por exemplo, que ficaram de fora da final, mas fizeram bons trabalhos. A sequência agora é importante", opinou Mauro Grasso, treinador do Minas.
PARCERIAS SÃO APONTADAS COMO FÓRMULA DE SUCESSO
TESTE-SE SOBRE A SUPERLIGA
Pela disputa feminina foi o Rexona que viu o sonho do sexto título ameaçado. A equipe comandada pelo técnico Bernardinho foi derrotada pelo Brasil Telecom na primeira partida da série melhor-de-três da semifinal e perdia o segundo confronto por 2 sets a 0, mas reagiu. No entanto, era a outra chave tinha vaga considerada incerta.

Em duelo com sete campeãs olímpicas em quadra, Carol Albuquerque, Paula Pequeno, Sassá e Thaísa (Finasa) levaram a melhor sobre Fofão, Mari e Sheilla (São Caetano). A equipe do ABC repatriou as três titulares na campanha da seleção brasileira nos Jogos em Pequim e foi apontada como a principal arma para encerrar o domínio do clube de Osasco e o Rexona.

Mas as repatriadas pararam na semifinal e viram o Finasa alcançar sua oitava final consecutiva - a quinta contra o rival carioca. Diante do Rexona, a equipe paulista levantou o troféu somente em 2004/2005. Desde então, é superado em decisões com o maior clássico feminino.

"O que vai fazer diferença agora é a vontade, a garra, a individualidade. É conseguir defender aquela bola impossível, é passar pelo triplo montado. Este é o maior clássico do vôlei brasileiro e a vitória tem de ser perseguida com todas as forças", declarou o técnico do Finasa, Luizomar de Moura, via assessoria de imprensa.

Mesmo com o retrospecto positivo diante do adversário, com a conquista dos três últimos títulos da Superliga e três vitórias nas finais de turno da atual edição, o técnico Bernardinho faz questão de jogar o favoritismo para o outro lado.

"O Osasco é um time completo e forte. As suas jogadoras estão em um bom momento e com certeza virão confiantes. O importante é jogarmos o nosso melhor e torcer para que elas não estejam no seu melhor", disse Bernardinho, também por meio da assessoria.

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