Esquecer a tragédia na final da Copa de 1950. Foi com esse pensamento que o Brasil embarcou para a Suíça. Do time vice-campeão, apenas seis jogadores continuaram na seleçãp: o goleiro Castilho, o zagueiro Nilton Santos, os meias Ely e Bauer, e os atacante Baltazar e Rodrigues.
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Só Julinho se salva
Um ponta-direita de habilidade, driblador. Assim era Julinho Botelho, o grande craque brasileiro na Copa da Suíça. Iniciou a carreira no Juventus e depois foi para a Portuguesa. Estreou na seleção em 1952. Graças ao bom desempenho no Mundial, Julinho foi jogar na Fiorentina e ajudou o clube a ganhar o seu primeiro "scudetto", na temporada 56-57.
Antes da Copa de 58, o técnico Vicente Feola pensou em convocá-lo, mas Julinho não aceitou o convite, dizendo que a vaga deveria ficar com alguém que jogasse no Brasil. Em seu lugar, Feola chamou outro ponta habilidoso e driblador, que jogava no Botafogo e se chamava... Garrincha.
Em 1959, em um amistoso contra a Inglaterra, no Rio, o atacante foi vaiado por todo o estádio porque ocupava o lugar de Garrincha. Julinho marcou um gol logo aos 2min, deu o passe para o outro gol e acabou com o jogo. No final, a torcida reconheceu o seu talento, aplaudindo-o de pé. O atacante encerrou a carreira em 1966, no Palmeiras. Na seleção, fez 27 jogos e marcou 13 gols.
Até o uniforme foi mudado. A famosa camisa amarela fez a sua estréia em Copas, substituindo a branca, considerada um dos fatores de "azar" na derrota para o Uruguai, em 1950. O técnico também mudou. Flavio Costa deu lugar ao autoritário Zezé Moreira, que em 1952 dera ao Brasil o seu primeiro título oficial internacional, o do Pan-Americano do Chile.
As novidades do novo treinador eram o esquema 4-3-3 (recuando o ponteiro Telê Santana para ajudar no meio-campo) e a marcação por zona. Como aconteceu em 1950, o primeiro adversário foi o México. E a seleção brasileira venceu com facilidade: 5 a 0. Pinga, duas vezes, Baltazar, Didi e Julinho marcaram os gols do Brasil.
O segundo jogo da seleção brasileira foi contra a Iugoslávia. O empate em 1 a 1 classificaria as duas equipes, mas mas o Brasil continuou pressionando, para desespero dos iugoslavos. No final do jogo, os brasileiros deixaram o campo chorando, pensando que haviam sido eliminados. O engano só foi desfeito quando todos estavam nos vestiários.
Nas quartas-de-final, a rival foi a poderosa Hungria. O craque Puskas, astro húngaro, machucado, não jogou. Mesmo assim, sua equipe não deu chances aos Brasil, abrindo 2 a 0 em apenas sete minutos de bola rolando, com gols de Hidegkuti e Kocsis.
Djalma Santos, de pênalti, deu uma pequena esperança à torcida ao descontar o marcador, ainda no primeiro tempo. Mas o gol de Lantos, aos 15min do segundo tempo, colocou a Hungria de novo próxima das semifinais. Cinco minutos depois, Julinho Botelho voltou a descontar a favor do Brasil, que pressionava em busca do empate.
A partir dos 25min, porém, a partida descambou para a violência. Nilton Santos e Bozsik se agrediram e foram expulsos pelo árbitro Arthur Ellis (que fora bandeirinha na final em 1950). Minutos depois, Humberto acertou uma voadora em Lorant e deixou o Brasil com nove em campo. Aproveitando a vantagem numérica, Kocsis fechou o placar para a Hungria, aos 43min.
Nem mesmo o final da partida acalmou os ânimos. Os jogadores dos dois times voltaram a se enfrentar na saída do campo. Maurinho deu um soco em Czibor. Já no túnel, Puskas abriu a testa de Pinheiro com uma garrafada. Nem os técnicos escaparam. Zezé Moreira acertou Guzstav Sebes com uma chuteira. Por tudo isso, o confronto ficou conhecido como "A Batalha de Berna". Mais uma vergonha para os eliminados brasileiros antes da volta para casa.