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Torcidas de Flu e Atlético-PR homenageiam Washington (e) no Maracanã em 2009

Torcidas de Flu e Atlético-PR homenageiam Washington (e) no Maracanã em 2009

28/07/2011 - 12h01

Com doença sem cura, ex-atacante do Flu recebe apoio para atenuar problemas

Marlos Bittencourt
No Rio de Janeiro

Washington derrotou vários adversários ao longo da carreira de jogador de futebol, na qual se destacou pelo Atlético-PR e Fluminense nos anos 1980. Mais de 30 depois, ele está sendo vencido lentamente pelos efeitos de uma esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que vai minando as células do sistema nervoso central, afeta os movimentos, a fala e o sistema respiratório.

WASHINGTON VEM RECEBENDO AJUDA

  • Site oficial do Fluminense

    Numa feijoada promovida pelo Fluminense, em Curitiba, o evento arrecadou cerca de R$ 6 mil

  • Marcelo Sayão/Efe

    No Jogos das Estrelas de 2009, ainda no Maracanã, Zico destinou R$ 50 mil da renda

A doença não tem cura. Mas todas as pessoas ligadas de uma forma ou outra a Washington estão engajadas na tentativa de atenuar os sérios problemas causados pela doença. Aos 51 anos, o ex-jogador vive em Curitiba praticamente isolado dos amigos porque não deseja ser visto na situação em que se encontra. A Unimed, atual patrocinadora do Fluminense, comprou a briga e disponibilizou assistência médica vinte e quatro horas para Washington.

Em sistema home care (cuidados em casa), médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde se revezam na casa do ex-jogador para ajudar na melhora do paciente. Washington atravessa sérios problemas de saúde e financeiro. De acordo com uma empresa especializada neste ramo, o serviço home care custa, em média, cerca de R$ 700 a diária.

E várias ações para levantar fundos para Washington foram ou estão sendo realizadas, pelo menos desde 2009. Em novembro daquele ano, no confronto Fluminense x Atlético-PR, pelo Brasileiro, o produtor artístico Heitor D’Alincourt organizou a campanha “Washington Day”, colocando urnas em vários setores do Maracanã para torcedores depositarem qualquer quantia. A arrecadação foi de R$ 63.387,45 e destinada ao tratamento do ex-jogador.

“Fizemos por gratidão a tudo que Washington fez pelo Fluminense. Temos de agradecer a ele, que nos deu muitas alegrias e criou uma geração de torcedores do clube. O que fizemos não foi nada perto do que ele fez por nós e pelo Fluminense”, disse emocionado Heitor D’Alincourt.

Na partida contra o Coritiba, derrota do Fluminense por 3 a 1, neste Brasileiro, o clube organizou uma feijoada com a Fluritiba, torcida tricolor da capital paranaense. No evento Tricolor em Toda Terra foram arrecadados cerca de R$ 6 mil, também destinados ao tratamento de Washington. Estiveram presentes Assis e Leomir, ex-companheiros de Washington no Fluminense dos anos de 1980.

Washington é ídolo tricolor, mas não apenas o Fluminense se mobilizou para ajudá-lo. Adversário do então jogador na década de 80, uma das épocas de ouro do futebol brasileiro, Zico, ídolo eterno do Flamengo, arregaçou as mangas e ajudou na arrecadação de dinheiro para o ex-atacante do Fluminense, em 2009. O palco foi o Maracanã e o evento o badalado Jogo das Estrelas, organizado pelo Galinho. R$ 50 mil foram doados para Washington.

SAIBA MAIS SOBRE A SUA CARREIRA

Nome: Washington César Santos
Data de Nascimento: 03 de janeiro de 1960, em Valença-BA
Posição: Atacante
Clubes: Galícia-BA, Corinthians, Operário-MS, Internacional, Atlético-PR, Fluminense, Guarani, Botafogo, União São João-SP, Desportiva-ES, Santa Cruz, Figueiras-POR, Fortaleza e Foz do Iguaçu-PR
Títulos: Gaúcho pelo Internacional (1981), Paranaense pelo Atlético (1982), Carioca pelo Fluminense (1983, 1984 e 1985), Carioca pelo Botafogo (1990) e Brasileiro pelo Fluminense (1984)
Seleção brasileira: Medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987 (Indianápolis-EUA)

“A organização do evento decidiu que deveríamos doar parte da renda para Washington, um grande adversário. Achamos que ele merecia, como tantos outros ex-companheiros merecem nosso apoio. O que pudermos fazer para ajudar, faremos. A doença dele é grave e eu quis visitá-lo, mas ele próprio não quis me receber. Provavelmente para não ser visto como está”, recordou Zico.

Assis formou Casal 20 com Washington no Flu: ‘É uma tristeza vê-lo assim’

Em 1983, quando estrearam pelo Fluminense, Assis e Washington já estavam entrosados desde quando atuaram no Atlético-PR em 1982. Neste ano foram campeões cariocas e ganharam o apelido de Casal 20, nome originado de um seriado de TV de sucesso na época. Na primeira partida de ambos pelo clube das Laranjeiras, dia 2 de julho, na abertura do Carioca, vitória tricolor por 3 a 0 sobre o São Cristóvão, sendo um gol de Washington.

“Nossa amizade começou em 1981 no Internacional, mas não chegamos a jogar juntos. Só treinamos. A dupla se formou no ano seguinte quando conquistamos o Paranaense pelo Atlético, que não vencia há 12 anos. Nossa campanha nos levou ao Fluminense e ganhamos o apelido no Rio. Posso garantir que vivemos ótimos momentos juntos”, recordou Assis.

A dupla caiu nas graças da torcida e no mesmo ano conquistou o Carioca. Na sequência faturaram os Estaduais de 1984-85, sendo tricampeões, isso sem falar no Brasileiro de 1984, também conquistado por eles. Em razão dos muitos gols marcados por Washington de cabeça, a torcida cantava da arquibancada “Ão, ão, ão, na cabeça do negão”.

O Casal 20 foi desfeito em 1987 quando Assis deixou as Laranjeiras para se estabelecer nos EUA, mas a aventura acabou frustrada por falta de visto permanente. Washington ainda ficou no Fluminense até 1989. Emocionado, Assis prefere lembrar o companheiro nos bons momentos e pede para não ser perguntado sobre a doença do amigo, que está consciente, mas em situação crítica por causa da ELA.

“Para mim é uma tristeza vê-lo dessa forma. Estive com Washington e fico muito chateado, não quero comentar sobre a doença dele, não dá. Não consigo vê-lo nessa situação, debilitado por uma doença. Vivemos grandes momentos juntos. Conquistamos muito no futebol e vivemos um dos melhores momentos de nossa vida no Fluminense

Washington vestiu a camisa do Fluminense em 311 partidas e marcou 118 gols, se tornando o oitavo maior goleador da história do clube das Laranjeiras. Pela seleção brasileira atuou apenas cinco vezes e marcou dois gols. Atualmente vive em Curitiba na companhia dos filhos Washington Júnior e Geovana. Fãs, amigos e interessados em ajudá-lo podem depositar qualquer quantia na conta poupança 1000693-7, agência 1105-1 do banco Bradesco.

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