Topo

Patrocinadores tiveram de convencer Mineirinho a celebrar título no Brasil

Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

24/12/2015 06h00

O dia de herói vivido por Adriano de Souza na última terça-feira (22) serviu para escancarar a timidez do surfista brasileiro de 28 anos. Conhecido como Mineirinho, ele venceu na última quinta-feira (17) o circuito mundial de surfe (WSL). Na volta ao país natal, teve recepção concorrida no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, deu uma entrevista coletiva lotada na sede de um de seus patrocinadores e fez um passeio em carro aberto no Guarujá (SP). Todo esse roteiro de herói, contudo, só foi possível porque os patrocinadores o convenceram. A vontade do atleta era seguir no Havaí para continuar treinando.

Adriano de Souza foi campeão após ter vencido a famosa etapa de Pipeline, a última do WSL em 2015, disputada no Havaí. Foi o segundo triunfo do surfista na temporada – o anterior havia sido em Margaret River, terceira disputa do ano.

"Eu conquistei uma taça. O Kelly Slater tem 11. Quem ficou para treinar no Havaí foi ele, e eu vim para cá. Eu pensei que se tinha um cara ali para melhorar era eu, não ele", disse Mineirinho em entrevista coletiva.

A ideia do surfista era seguir treinando no Havaí pelo menos até o fim deste ano. Ele pretendia voltar ao Brasil em janeiro, mas foi convencido por patrocinadores a antecipar o retorno. Pelo menos duas marcas que apoiam o atleta (HD e Oi) fizeram pressão para que ele retornasse mais cedo.

"Eu queria ficar, mas tinha de voltar para dar esse apoio para o Brasil e trazer a taça para cá", ponderou o surfista.

Mineirinho ainda não começou a planejar a temporada 2016, mas já sabe que o título mudará o status que ele terá no WSL. Neste ano, o décimo de sua carreira no circuito, o brasileiro teve o melhor desempenho pessoal no início (um terceiro, um segundo e um primeiro lugar nas três primeiras etapas).

"Eu não sei o dia de amanhã. O que eu quero mesmo é viver intensamente a oportunidade de hoje de saborear o troféu, minha família e meus amigos. Quero estar em casa, dormir na minha própria cama. É isso que me faz feliz. Claro que eu vou voltar aos treinamentos e me comportar como no início de 2015. Já tenho um caminho a ser traçado e vou em frente. Vou em busca", disse o surfista.