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LeBron e NBA comandam campanha contra armas nos EUA após nova tragédia

Marcio Jose Sanchez/AP
Imagem: Marcio Jose Sanchez/AP

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

19/11/2018 04h00

Milwaukee Bucks, Los Angeles Lakers, Atlanta Hawks e Los Angeles Clippers. Duas franquias da Conferência Leste e duas do Oeste da NBA que se uniram para dizer "chega". Há uma semana, as quatro equipes usaram no aquecimento uma camisa de protesto por mais um caso de chacina nos Estados Unidos. Capitaneado por LeBron James e apoiado pela liga, os atletas exigem uma mudança na política sobre posse e porte de armas no país.

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A tragédia responsável por gerar o ato público das estrelas do basquete ocorreu no último dia 7, quando um homem abriu fogo e matou 12 pessoas em um bar na Califórnia

Foi a segunda chacina de grande repercussão em um espaço de poucas semanas: no fim de outubro, outro atirador fez 11 vítimas fatais em uma sinagoga em Pittsburgh. O curto espaço revoltou a opinião pública e repercutiu no esporte.

As camisetas utilizadas pelos jogadores das quatro equipes se tornaram um símbolo de que a NBA, tida como a liga americana mais aberta para os atletas se posicionarem, reclame da política de armamento nos Estados Unidos. LeBron James, o maior astro, foi um dos mais incisivos.

"Pensem que precisamos limpar essa questão da liberação das armas nos Estados Unidos, essa violência que temos com as armas aqui. Sabemos que pessoas podem comprar armas, e várias vidas inocentes estão sendo tiradas", lamentou LeBron após o jogo contra os Hawks, no último 11, ainda chocado com mais um caso do tipo no país.

Provavelmente eu tive a mesma reação das pessoas: ‘não, de novo não’. Ou, ‘uau, que diabos!’. Poderia até usar termos mais explícitos, mas não acho legal dizer isso aqui

LeBron James, em entrevista no último dia 11

Marcio Jose Sanchez/AP
Jogadores do Lakers estamparam os nomes das vítimas nas costas da camiseta Imagem: Marcio Jose Sanchez/AP

Além da inscrição "chega" na parte da frente, a camiseta utilizada pelos atletas continha o nome das 12 pessoas assassinadas em Thousand Oaks. A ação contou com o apoio da direção da liga, que tratou de se manifestar por intermédio do comissário Adam Silver, logo depois da vitória dos Lakers em que LeBron e companhia usaram a vestimenta.

"Como sempre digo, nossos jogadores não são apenas atletas, são cidadãos. Eles possuem um sentimento muito forte sobre o que acontece na nossa sociedade e reagem sobre isso. Eu penso que foi uma onda na nossa liga. Veio dos jogadores e passou de boa a boca de um time para outro", explicou Silver.

"Obviamente, começou aqui na Califórnia e os outros times da liga trataram de apoia-los. Novamente, nós apoiamos o desejo dos nossos jogadores de se manifestarem em coisas que eles julguem serem importantes para eles e para a nossa sociedade", acrescentou o principal dirigente da liga.

O controle de armas se tornou uma pauta cada vez mais comum nos Estados Unidos em virtude dos recorrentes casos de chacinas. Em março deste ano, por exemplo, cidadãos norte-americanos saíram às ruas em todos os estados na “Marcha pelas nossas vidas”, iniciada depois de um ex-aluno de uma escola em Parkland, na Flórida, matar 17 pessoas.

Além de esportistas, celebridades do país também assumiram o posicionamento a favor do controle total das armas nos Estados Unidos. Nomes como Paul McCartney, Miley Cyrus, Demi Lovato e Ariana Grande, por exemplo, estiveram nas ruas durante as manifestações de março deste ano.