10 jogos após lesão, Valdívia vira alvo da torcida do Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

Aos 45 minutos do segundo tempo, pênalti para o Inter. A chance de virar contra o São Paulo e acabar com o maior jejum de vitórias da história do clube é entregue a Valdívia. Antigo xodó da torcida, que teve até peruca replicando os longos e encaracolados cabelos vendida no ano passado, ele chutou... para fora. A batida foi o último ato de um regresso longe do ideal após lesão. Em seu décimo jogo, ele ainda não conheceu vitória e virou alvo.

Depois da partida, cerca de 60 aficionados postaram-se abaixo da passarela que liga o Beira-Rio ao estacionamento onde ficam os carros dos atletas. Reclamaram, xingaram e esperaram por Valdívia. Desta vez não era para comemorar ou gritar 'Pokopika', como ele se intitula nas redes sociais. Pelo contrário. 
 
"Valdívia pipoqueiro" era o grito que vinha dos torcedores. Um dos poucos cânticos sem a presença de palavrões. "Ei, Valdívia, sai do Instagram", repetiram mais tarde os mesmos colorados citando a frequência do jogador em redes sociais.
 
Os torcedores esperaram até o último atleta passar, mas não tiveram sucesso no objetivo de ver o atacante. Abalado, ele saiu por um portão alternativo. No vestiário, o clima era de total tristeza. "Ele está desolado", revelou o técnico Celso Roth. 
 
Após ter se lesionado defendendo a seleção olímpica do Brasil, Valdívia precisou passar por cirurgia e ficou fora de atividade por quase oito meses. Perdeu a chance de disputar os Jogos do Rio de Janeiro. Poderia ter conquistado a medalha de ouro como seus companheiros William e Rodrigo Dourado, mas precisou encarar uma dura recuperação. Vivia seu melhor momento, regressou com dificuldades. 
 
Com o Inter ensaiando entrar em crise, Argel Fucks apressou o retorno do jogador. Ele já entrou durante a partida contra o Flamengo, na derrota por 1 a 0. Esteve em campo de novo no Gre-Nal, novamente diante do Santa Cruz, quando Argel caiu, na estreia de Falcão contra o Palmeiras e virou titular diante da Ponte Preta. Repetindo condição contra Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Chapecoense e São Paulo. 
 
Faltou, porém, o rendimento do ano passado. Os dribles em direção ao gol, os chutes precisos que o levaram ao posto de predileto de muitos torcedores ainda não aconteceram após o período lesionado. Apenas um gol foi marcado, diante da Ponte Preta, e com ele em campo, três empates e sete derrotas aconteceram.
 
"Os jogadores sabem tudo que precisam fazer, entram em campo sabendo. Era Valdívia ou Seijas para bater o pênalti. Ele bateu porque treinou. Estava determinado, mas foi infeliz. Deixamos escapar uma situação muito importante de vitória. Não foi o momento. Significa que ainda temos que trabalhar muito", disse o técnico Celso Roth. 
 
A chance para recuperar o posto de xodó, deixando qualquer tropeço para trás, acontecerá apenas na próxima semana. Sem Copa do Brasil na quarta-feira, o Inter terá tempo para se preparar para o duelo com o Sport, em Pernambuco. 
 
"O Valdívia tem nosso apoio. É um jogador de qualidade e que vai superar isso. Errou o pênalti, faz parte do futebol. Vamos buscar sair dessa situação com ele, e com muito trabalho", amenizou o zagueiro Ernando. 

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