5 mudanças de comportamento mostram como Inter 'aprendeu a jogar Série B'

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Ricardo Duarte/Inter

    D'Alessandro comemora vitória do Inter com gol e liderança da Série B

    D'Alessandro comemora vitória do Inter com gol e liderança da Série B

O Inter aprendeu a jogar a Série B. Depois de oscilar bastante no começo da competição, jogadores, comissão técnica e direção admitem que o clube entendeu as peculiaridades da competição aos poucos e conseguiu deslanchar. E como isso aconteceu? O UOL Esporte explica.

Foram fatores que se alteraram no decorrer dos jogos. Uma mudança clara de conduta evidenciada por uma série de componentes. Confira cinco comportamentos que consolidaram a arrancada do Inter e mostram como o clube 'se enquadrou' na segunda divisão, para logo sair dela.

A IMPORTÂNCIA DO ADVERSÁRIO

Ricardo Duarte/Inter

O Inter sempre estudou seus adversários, é verdade. Mas isso não basta na Série B. Quando se é o clube grande da competição - único na edição deste ano - é necessário ir além. Não basta apenas ver como cada adversário joga ou conhecer as características dos jogadores, é preciso entender como o adversário vai jogar contra você. "Nós notamos que os times jogam de uma forma, mas de uma outra totalmente diferente contra o Inter. O Criciúma foi um exemplo. Jogou ofensivamente contra o Juventude, atacaram bastante. Contra o Inter, totalmente fechado", disse o vice de futebol Roberto Melo. E assim o clube se moldou ao que o rival faria no duelo peculiar contra o maior da competição. E não nos jogos diante de iguais.

VAI NA FORÇA

Ricardo Duarte/Divulgação

Técnica não basta. Mesmo com um time qualificado, financeiramente mais pesado que os demais, o Inter não conseguiu os melhores resultados no começo da Série B. Percebeu que não adiantava ser apenas melhor, teria que se empenhar no mínimo o mesmo que o adversário. Exemplo disso foi a contratação de Leandro Damião. O Inter percebeu que Nico López não seria um atacante com perfil de Série B. Não tinha vitória no embate físico, apenas na técnica. Por isso, deslocou o uruguaio para ser opção pelo lado e trouxe um jogador que se não ganhasse a bola pela habilidade, venceria por ser mais forte. O mesmo vale para Pottker, um jogador de velocidade e força que usa isso muitas vezes ao disputar corpo a corpo com adversários.

NÃO PRECISA GOLEAR TODO MUNDO

Ricardo Duarte/SC Internacional

Uma das mudanças de conduta do Inter ficou evidente nas declarações de seus treinadores. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte no começo da segunda divisão, Antonio Carlos Zago vestiu totalmente o favoritismo. Disse que o Inter teria 'certa tranquilidade' e que era muito superior a seus adversários. Palavras que revelam a ideia de facilidade, certo posicionamento acima dos rivais antes mesmo de jogar. Já Guto Ferreira, em também em entrevista ao UOL Esporte, mostrou-se totalmente contrário. Mesmo com Inter recuperado e entre os primeiros da competição, o atual comandante pregou total respeito e colocou o time na mesma condição de disputa dos demais. O Inter entendeu que 'não precisa golear todo mundo'. Basta respeitar e vencer, por vezes pelo placar mínimo e sem jogar bem, mas somar os pontos que o coloquem de volta na elite.

TORCEDOR VALE MUITO

Ricardo Duarte/Inter

O casamento com a torcida foi passo importante na reconstrução do Inter. Quando viveu instabilidade, o que vinha das cadeiras do Beira-Rio eram vaias, xingamentos, momentos de protesto e até violência. Mas a mudança dos aficionados partiu, antes, dos próprios jogadores. Quando teve uma sequência de compromissos em casa, o Inter pediu uma trégua. E nesta paz solicitada mostrou que poderia mais. Bastou uma vitória com muito empenho - mesmo sem tanto futebol - que a torcida 'comprou' a ideia do time. Passou a comparecer em peso no estádio e apoiar mesmo em momentos em que o gol não acontecia. O casamento só trouxe coisas positivas. "Este espírito adquirido foi importante e também a adquiriu a confiança do nosso torcedor. Ele passou a confiar na equipe, passamos a ter uma grande média de público, e isso foi preponderante na campanha que temos até agora. Mas ainda não conquistamos nada", ressaltou o vice de futebol do Inter.

A CAMISA PESA, MAS NEM TANTO

Ricardo Rimoli/AGIF

A camisa pesa, é verdade. Se não fosse assim, os rivais não mudariam sua conduta ao enfrentar o Internacional. O time é, reconhecidamente, o maior em estrutura e poder financeiro na segunda divisão nacional. No entanto, quando oscilou no começo da competição, os times 'perderam medo' de encarar o Colorado. Percebendo que a equipe não estava jogando bem, passaram a acreditar mais e conseguir melhores resultados. O Inter, então, precisou entender que os adversários não respeitariam apenas a camisa. Que no momento de oscilação, o temor de perder se enfraqueceu e que para retomar o caminho seria preciso igualar empenho. O Inter, então, passou a atuar até de forma defensiva quando preciso e resgatou o respeito dos rivais. Foi humilde e retomou o posto de 'rival a ser batido' na competição. Hoje é líder do torneio.

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