Copeiro, Cruzeiro bate Corinthians em noite de VAR contestado e leva o hexa

Bruno Grossi, Diego Salgado e Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

Copeiro. Moldado dessa forma por Mano Menezes, o Cruzeiro se mantém no olimpo da Copa do Brasil. Um time cascudo, experiente e com os nervos no lugar mesmo nas situações adversas, como a aparição do VAR em dois lances capitais na decisão da Arena Corinthians. Assim, a pressão da Fiel Torcida foi neutralizada e o Timão sucumbiu na noite desta quarta-feira. Um 2 a 1 dramático, concluído com categoria e frieza de Arrascaeta em contra-ataque letal. O uruguaio, herói em 2017 contra o Flamengo, repetiu o brilho para tornar os celestes hexacampeões.

Para chegar à glória pelo segundo ano seguido, a Raposa precisou de calma. No velho clichê, jogar com o regulamento, um benefício gerado pelo 1 a 0 no Mineirão, na semana passada. E Robinho tornou tudo mais fácil ao abrir o placar aos 29 minutos do primeiro tempo. O garoto Léo Santos, que fez sacrifício para jogar após problema físico, errou feio ao tentar sair bonito na defesa e abriu o caminho para os celestes.

Leia também:

Foi aí que a arbitragem de vídeo deu as caras. Com cinco minutos do segundo tempo, Ralf dividiu com Thiago Neves na área e pediu pênalti. O árbitro Wagner do Nascimento Magalhães ignorou de cara, mas chamou o VAR e anotou a penalidade, convertida por Jadson.

Pouco depois, nova atuação do VAR. Mas desta vez frustrante para o Corinthians. Pedrinho marcou golaço de fora da área, que acabou anulado por falta de Jadson em Dedé no lance anterior. O Cruzeiro conseguiu esfriar a pressão alvinegra, colocou a bola no chão e contou com a estrela de Giorgian De Arrascaeta para chegar ao 2 a 1 e fazer a festa em Itaquera. 

O Corinthians volta a campo no próximo domingo, pelo Campeonato Brasileiro. O time de Jair Ventura enfrenta o Vitória em Salvador às 16h (de Brasília). Na mesma data o Cruzeiro recebe a Chapecoense no Independência, às 19h.

O melhor: Dedé

Marcello Zambrana/AGIF
O zagueiro do Cruzeiro fez uma partida quase perfeita em Itaquera. Preciso na defesa, com antecipações e saídas de jogo, o zagueiro ainda levou perigo ao Corinthians ao aproveitar bolas alçadas na área. Em uma delas, o defensor cruzeirense acertou a trave.

O pior: Léo Santos

O jovem jogador do Corinthians até começou a partida com boa participação, mas errou e deu a chance de o Cruzeiro marcar o gol na Arena. No lance, Léo Santos se atrapalhou ao dominar a bola e viu Rafinha roubá-la e avançar até a área. Na sequência da jogada, Barcos acertou a trave e Robinho marcou.

Jair faz três mudanças

Com a necessidade de reverter a vantagem do Cruzeiro, o Corinthians entrou em campo com muitas mudanças. Jair Ventura escalou Jonathas no comando do ataque, com Emerson Sheik aberto à direita e Romero à esquerda. No meio-campo, o treinador optou pela dupla de volantes Ralf e Gabriel, com Jadson centralizado à frente. 

Corinthians esboça pressão

Após um jogo estudado e concentrado no meio-campo, o Corinthians esboçou uma pressão em casa a partir dos 18 minutos de jogo. Com mais posse de bola, o time alvinegro passou a sofrer com o contra-ataque do Cruzeiro, sempre armado por Thiago Neves, que explorou a velocidade de Rafinha pela esquerda.

Três amarelos para o time da casa

Visivelmente nervoso com a marcação cerrada do Cruzeiro, o Corinthians passou a fazer faltas mais duras. Em apenas 32 minutos, a equipe de Jair Ventura recebeu quatro cartões amarelos - Ralf, Gabriel, Sheik e Fagner foram advertidos. Do lado cruzeirense, Rafinha e Thiago Neves também ficaram pendurados logo na etapa inicial.

Cruzeiro marca após falha de zagueiro

Marcello Zambrana/AGIF
Aos 27 minutos do primeiro tempo, o Cruzeiro ampliou ainda mais a vantagem que tinha. O time de Mano Menezes se aproveitou de um erro cometido por Léo Santos, que perdeu a bola para

Dedé acerta a trave

Seis minutos depois, o time visitante quase ampliou em Itaquera. Na base da bola alçada na área, o Cruzeiro acertou a trave. No lance, Thiago Neves cobrou falta na intermediária e viu Dedê subir entre os zagueiros corintianos. Cássio apenas olhou e a bola explodiu no pé da trave.

VAR 'marca' pênalti para Corinthians

Com cinco minutos do segundo tempo, a torcida do Corinthians novamente se voltou contra a arbitragem quando Ralf correu na área, enroscou-se com Thiago Neves e caiu. Wagner do Nascimento Magalhães a princípio ignorou, mas foi alertado pela equipe de vídeo e resolveu conferir na TV à beira de campo. A penalidade foi confirmada quase dois minutos depois e convertida por Jadson, que deslocou Fábio para empatar.

O VAR, sempre ele, vira protagonista

Empolgado com o empate e esboçando pressão, o Corinthians melhorou no segundo tempo. A entrada de Pedrinho na vaga de Jonathas melhorou a movimentação no ataque e deu resultado quando o garoto acertou um chutaço para fazer o segundo gol. Mas Dedé ficara estirado no chão, com dores no rosto. Ao checar o VAR, Wagner do Nascimento Magalhães entendeu que o zagueiro levou um tapa de Jadson no lance e anulou o golaço corintiano.

Arrascaeta chega de viagem e decide

Toda a logística do Cruzeiro para ter Arrascaeta na final valeu a pena. O uruguaio estava servindo à seleção uruguaia e viajou por 25 horas para chegar a tempo de jogar a decisão. Começou na reserva pelo desgaste do deslocamento, mas entrou na etapa final e em 15 minutos resolveu a partida. Em um contra-ataque mortal, foi acionado por Raniel e tocou com classe na saída de Cássio.

Torcida da Raposa vai à loucura e faz juiz parar o jogo

O belo gol de Arrascaeta fez com que os torcedores do Cruzeiro perdessem o controle. Uma bonita festa se armou, abafando a torcida do Corinthians, até que sinalizadores foram acesos e a arbitragem precisou interromper a partida por um minuto para que a fumaça se espalhasse.

Corinthians encerra jejum de gols

Com o acerto de Jadson na cobrança de pênalti, o Corinthians encerrou um jejum de 435 minutos sem marcar gols - foram quatro jogos seguidos, no total, contra América-MG (0 a 0), Flamengo (0 a 3), Cruzeiro (0 a 1) e Santos (0 a 1). O último gol havia sido anotado por Pedrinho, no segundo tempo da semifinal da Copa do Brasil, diante do Flamengo (2 a 1).

Festa da CBF antecede decisão

A CBF preparou mais uma festa de luxo para abrir a final da Copa do Brasil, como já havia acontecido no Mineirão. A cantora italiana Elettra Lamborghini se apresentou antes da partida de forma insossa, já que o público ainda entrava na Arena Corinthians.

Fitas de led seguiam as linhas do campo, dando belo efeito quando os refletores se apagavam. Bandeiras de todos os clubes participantes foram levadas ao gramado e fogos de artifício estouraram após a execução do hino nacional por longos minutos. Os torcedores corintianos ainda mostraram faixas com a frase 'não é brincadeira'.

Corintianos mostram tensão e brigam

A festa corintiana no pré-jogo foi se transformando em tensão rapidamente com o apito inicial. E o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães foi escolhido como principal alvo. A cada falta cometida pelo Cruzeiro e que não rendia cartão, a revolta aumentava. O gol de Robinho intensificou a bronca.

O problema é que, além dos xingamentos para a arbitragem, uma briga entre corintianos aconteceu. Foi no setor das organizadas, no gol norte, em um espaço que era dividido pela Pavilhão Nove e pela Estopim. Não foi possível ver quem iniciou a confusão, que precisou ser controlada pelos próprios torcedores, já que nenhum policial militar se aproximou do local. O nervosismo aumentou à medida que o tempo passava, e a decepção tomou conta no segundo gol celeste. Muita gente foi embora antes do apito final, mas quem ficou preferiu apoiar e cantar o hino do clube.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 1 x 2 CRUZEIRO

Data: 17 de outubro de 2018, quarta-feira
Horário: 21h45 (de Brasília)
Competição: Copa do Brasil (volta da final)
Local: Arena Corinthians, em São Paulo (SP)
Público: 45.978 pagantes (total de 46.571)
Renda: R$ 5.108.151,00
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães (Fifa/RJ)
Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (Fifa/RJ) e Bruno Boschilia (Fifa/PR)
Cartões amarelos: Ralf, Gabriel, Emerson, Fagner, Jadson, Clayson (Corinthians); Rafinha, Thiago Neves, Robinho (Cruzeiro)

Gols: Robinho, aos 27 minutos do primeiro tempo; Jadson, aos nove, e Arrascaeta aos 36 minutos do segundo tempo.

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Léo Santos, Henrique e Danilo Avelar; Ralf e Gabriel; Romero, Jadson e Emerson Sheik (Clayson); Jonathas (Pedrinho). Técnico: Jair Ventura.

CRUZEIRO: Fábio; Edilson, Dedé, Leo e Lucas Romero; Henrique e Ariel Cabral; Robinho, Thiago Neves (Lucas Silva) e Rafinha (Arrascaeta); Barcos (Raniel). Técnico: Mano Menezes.

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos