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TJD deixa Atletiba com torcida única; Coritiba reage: "sangue nas mãos"

Divulgação/Coritiba
Jogo está confirmado e torcida do Coritiba não terá local específico na Arena da Baixada Imagem: Divulgação/Coritiba

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

30/01/2019 14h37Atualizada em 30/01/2019 17h12

Athletico Paranaense e Coritiba irão se enfrentar nos moldes que o Furacão gostaria no duelo desta quarta-feira (30), 21h30, na Arena da Baixada, mesmo com liminares contrárias emitidas pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná. Após ter descumprido duas vezes as ordens do TJD-PR, o Furacão ganhou a queda de braço por conta de uma orientação da Federação Paranaense de Futebol, que viu possíveis conflitos técnicos com uma decisão diferente.

Não significa, entretanto, que o Athletico não sofrerá punições. O TJD-PR irá julgar a aplicação três multas cujos valores de cada podem chegar a até R$ 100 mil. Os valores ficam sob a administração da Federação. O Tribunal também poderá impor penas ao presidente do clube, Luiz Sallim Emed. Apesar de figura de destaque, Mario Celso Petraglia ocupa a presidência do Conselho Deliberativo, sem ser a figura legal do clube hoje. Essas decisões estarão em julgamento no dia 7 de fevereiro.

Na prática, o jogo ocorrerá sob o projeto de torcida única - ou "torcida humana", como quer o Athletico. O modelo, criado em parceria com o Ministério Público do Paraná, determina que não haja espaço reservado especificamente para a torcida visitante e tampouco é possível entrar na Arena da Baixada com outras cores ou uniformes que não os do Athletico. Os coxas-brancas interessados em verem o jogo deverão ir ao estádio até duas horas antes da partida, comprar lugares aleatórios e fazer o procedimento de cadastro biométrico.

Em nota oficial emitida durante a tarde desta quarta, o Coritiba reagiu à decisão. No texto publicado pelo clube há um questionamento sobre a credibilidade do Campeonato Paranaense após o descumprimento da decisão por parte do Athletico. A carta ainda fala em "posição intransigente de defesa dos interesses e direitos do torcedor coxa-branca, especialmente o de ter todas as garantias e liberdade para acompanhar o seu clube onde quer que esteja" e ainda diz que o ato estará "misturando as torcidas e coagindo centenas de Coxas-Brancas a, descaracterizados, se misturarem aos atleticanos, é praticamente certo um alto número de atos de violência. O sangue estará nas mãos do CAP e do TJD-PR."

"Conflitos técnicos" recomendaram decisão 

Entre os "conflitos técnicos" imaginados pela FPF estaria a falta de calendário para uma remarcação do jogo. Um adiamento provocaria ofensa ao regulamento, pois o Coritiba faria três jogos seguidos em casa - razão pela qual o jogo voltou a ser marcado para o dia 30 depois de um adiamento a pedido da TV. Além disso, já há torcedores com ingressos adquiridos, o que causaria um transtorno e poderia acarretar em ações via Estatuto do Torcedor no caso de realização com portões fechados. O WO pedido pelo Coxa também foi descartado.

Será o Atletiba 378 da história, entre jogos oficiais e amistosos. Até hoje foram 145 vitórias do Coxa, 119 do Furacão e 113 empates. O último duelo foi vencido pelo Athletico, 2 a 0, na decisão do Paranaense 2018. A partida desta quarta também pode ser a única entre os rivais na temporada, separados em divisões nacionais distintas. 

Procuradoria do TJD-PR também emite nota em desacordo

Ainda nesta quarta, a Procuradoria do TJD emitiu nota em desacordo com a decisão da presidência do órgão e também questionou a ação de "torcida única" proposta por Athletico e MP-PR. A Procuradoria afirmou que "em momento algum (...) tentou interferir nas questões atinentes à torcida, mas simplesmente buscou fazer valer o cumprimento dos Regulamentos Geral e Específico do Campeonato Paranaense 2019, assim como o estabelecido pelo Estatuto do Torcedor, no que é aplicável ao caso. Outrossim, há que se cumprir determinações encontradas no Regulamento de Competições da CBF, em analogia com o Código Disciplinar da CONMEBOL, e ainda de acordo com o que determina a FIFA, posto que o "projeto" "Torcida Única" simplesmente não possui força de lei, ou seja, não tem caráter obrigatório."

A nota, subscrita pelos procuradores Pedro Feitosa e Henrique Cardoso, ainda aponta: "não existem levantamentos confiáveis tanto pelo MP/PR, quanto pela Polícia Militar, assim como pela Secretaria de Segurança Pública acerca dos supostos benefícios da "Torcida Humanizada". Especificamente sobre o tema temos, pela experiência prática, que infelizmente não será um simples projeto sem força de lei ou constituído por uma simples ata de reunião, sem maiores detalhes e com participação reduzida de entes ligados ao futebol, que fará desaparecer animosidades entre torcedores contrários entre si, forçadamente obrigados a conviver nas arquibancadas. Destarte, diluir torcedores adversários em jogos em geral torna-se deveras perigoso, o que ganha ainda maior vulto no caso de um clássico como o Atletiba". 
 

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