Copa 2018

Dois casamentos e uma banda: o que une Suárez, Messi e Griezmann

Reprodução/Twitter
Messi e Antonella casaram e a banda uruguaia Marama se apresentou na festa Imagem: Reprodução/Twitter

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/06/2018 15h28

O que poderia ligar Lionel Messi, Luis Suárez e Antoine Griezmann? Carreiras bem-sucedidas? Ter o Real Madrid como rival? Disputar a Copa do Mundo de 2018? Na verdade, um dos laços mais pessoais - e improváveis - entre essas três estrelas vem da música uruguaia: uma boy band de cumbia chamada Marama.

- "Quem entendeu que eu não gosto de Tite não enxerga bem", diz Lugano
- Suárez exalta campanha 100% e revela malandragem em gol de falta
- Liderança e domínio do Uruguai são destaque na imprensa mundial

O grupo é formado por cinco rapazes e nasceu em 2014, em Montevidéu. Em menos de quatro anos, já haviam se transformado em fenômeno entre adolescentes, lançado um livro e cruzado o Rio da Prata para fazer sucesso na Argentina. E pelas mãos de astros uruguaios do futebol, atravessou também o Oceano Atlântico para ecoar nos vestiários de clubes como Barcelona, Atlético de Madrid e Paris Saint-Germain.

Divulgação
Marama faz sucesso com hits como "Todo comenzó bailando" , "Nena" e "Bronceado" Imagem: Divulgação

Suárez foi o responsável por levar o som de Marama a Messi. Literalmente. Além de apresentar as músicas ao amigo no Barça, o centroavante uruguaio deu um show da banda como presente de casamento para o craque argentino. O contato foi feito entre o empresário do atleta e o representante da banda, que foi apenas uma das atrações da festa quase secreta. Há apenas um vídeo, de péssima qualidade, que mostra o momento em que Gerard Piqué e Shakira dançam ao som da canção "No te vayas".

"Foi um pouco difícil cantar, por ser uma figura muito importante, com um monte de jogadores famosos, a Shakira com o Piqué na plateia. Para onde olhava eram figuras importantes. Não sei o quanto custou (risos), mas sei que não foi Messi quem pagou", confessou o vocalista Agustín Casanova, em entrevista à ESPN Argentina.

Reprodução/Instagram
Griezmann recebeu Godin e Gimenez no aeroporto com camisa do Uruguai Imagem: Reprodução/Instagram

A festa de Messi aconteceu em 1º de julho, na cidade de Córdoba, interior da Argentina. Dias antes, os integrantes do Marama já haviam passado por outra experiência próxima de jogadores de futebol famosos. Isso porque, de forma surpreendente, também foram contratados para cantar no casamento de Griezmann, na Espanha. 

Se Suárez levou a banda a Messi, foi Diego Godín quem apresentou Marama ao francês. Os dois chegaram a participar de um karaokê em um canal de TV uruguaio para cantar a música "Loquita". O zagueiro é o melhor amigo de Griezmann no Atlético de Madrid, o que explica parte do vício do atacante na cultura uruguaia. Basta uma rápida pesquisa nas redes sociais do astro da seleção da França para ver que entre seus hábitos está o consumo de mate - com cuia e "terma" - e "asados".

Reprodução/Twitter
Godín presenteou Griezmann com cuia e "terma" para tomar mate Imagem: Reprodução/Twitter

Quando o Uruguai se classificou para a Copa do Mundo no ano passado, Griezmann foi ao aeroporto de Madri uniformizado com uma camisa celeste para parabenizar Godin e o também zagueiro José María Gimenez. A torcida pelos uruguaios se estendeu até ao tenista Pablo Cuevas, que recebeu o francês após uma de suas partidas no Masters 1000 de Madri em maio de 2017.

A relação com o país sul-americano envolve ainda participação, também com Godín, na propaganda de uma marca uruguaia de bifes à milanesa. O zagueiro, no comercial, diz: "Che, Antoine, agora que você já toma mate, para virar uruguaio de vez precisa provar as milanesas de minha mãe". Para tornar tudo ainda mais curioso, Griezmann já apareceu vestido com uniforme do Peñarol, clube do qual é sócio-torcedor.

Revolução cumbiera

Os jogadores de futebol argentinos e uruguaios sempre mostraram proximidade a ritmos mais populares de suas culturas. A cumbia tem origens folclóricas, mas por algumas décadas se transformou em produto mais periférico e, muitas vezes, marginalizado por essas sociedades. Defini-la como "coisa de pobre e sem cultura" era comum, como quando Carlitos Tévez divulgava o trabalho do grupo Piola Vago nos tempos de Corinthians.

Reprodução/Twitter
Griezmann e Umtiti com a banda Marama, no casamento do atacante francês Imagem: Reprodução/Twitter

A ascensão de Marama e outras bandas contemporâneas representa um marco para a cumbia. O processo é semelhante ao do funk brasileiro nos últimos anos. Os ritmos romperam as fronteiras da periferia para serem absorvidos pelas classes mais altas e se estabelecerem como cultura pop. Só que, assim como no Brasil, há reclamações sobre a qualidade desse produto e também sobre suposta apropriação cultural.

Não à toa, Marama e Rombai, outro grupo uruguaio que cresceu rapidamente desde 2014, são chamados pejorativamente de "cumbia cheta". Em tradução livre, seria como "cumbia coxinha". São jovens ricos, brancos e que ganharam espaço por apostarem em clipes super produzidos e integrantes bonitões. Enquanto bandas mais fiéis às origens da cumbia, com linguagem mais popular, nunca conseguiram esse espaço.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está fechada

Não é possivel enviar comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Mais Copa 2018

Topo