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Mancini não foi aproveitado pelo técnico Cuca e está sem clube desde o ano passado

Mancini não foi aproveitado pelo técnico Cuca e está sem clube desde o ano passado

28/05/2013 - 06h02

Mancini vai da seleção ao desemprego em cinco anos e sofre em busca de clube

Luiza Oliveira e Renan Prates
Do UOL, em São Paulo

Mancini teve uma carreira vitoriosa. Fez sucesso no Atlético-MG, jogou em três grandes clubes da Itália e ainda pode se gabar de colecionar passagens pela seleção brasileira entre 2004 e 2008. Mas, cinco anos após vestir a camisa amarela pela última vez, o meia vive situação difícil por estar desempregado e sofre em busca de um clube.

Mancini não entra em campo desde o ano passado quando jogou o Campeonato Brasileiro com a camisa do Bahia, emprestado pelo Atlético-MG. Em janeiro, um dia antes do início da pré-temporada, foi avisado por uma ligação que não precisava se apresentar ao clube mineiro. Em abril, rescindiu o contrato em comum acordo com a diretoria do Galo.

Nos cinco meses de 2013, Mancini teve pouco contato com bola e apenas realizou treinamentos por conta própria em uma academia. Aos 32 anos e sem conseguir fechar com um novo time, ele se apegou à família parar superar a fase difícil.

Mancini
Mancini

“Foi a primeira vez que vivi isso. No início foi difícil, mas com o tempo a gente vai aceitando, convivendo com isso. Ocupo meu tempo com as coisas na parte extra-campeonato. Minha família dá suporte, ainda mais morando em Belo Horizonte perto da esposa, filho e irmãos”, disse, em entrevista ao UOL Esporte.

O atleta, no entanto, nega qualquer problema de relacionamento com o técnico Cuca, que não quis aproveitá-lo. Ele só lamenta não poder fazer parte do grupo que é campeão mineiro e está nas quartas de final da Libertadores.

Meu objetivo hoje é focar no Brasil e realmente selar essa minha carreira brilhante. Atingi o ápice que poucos jogadores conseguiram. O ápice na seleção aos 17 anos, com reconhecimento a nível nacional. Uma história bonita, os números falam. Minha trajetória fala tudo que fiz, sou um cara muito privilegiado. A idade chega, fisicamente não é mesma coisa, mas com a experiência, a gente vai nos atalhos

Mancini, sobre seus objetivos no fim da carreira

“Não tive problema com o Cuca. Foi uma opção dele por outros jogadores, a gente sabe que no futebol é assim. É um baita treinador, demonstra isso. Claro que quando pega um clube estruturado, redondo, a gente fica: 'poxa, poderia ajudar, entrar para somar'. Não foi dessa maneira, a vida continua. Eu como atleticano torço demais”.

Após o fim de sua trajetória no Atlético, Mancini mostra disposição. Admite que não esbanja mais velocidade para atuar na lateral, mas se considera em boa forma física para jogar em alto nível como segundo volante ou meia por pelo menos mais dois anos.

Enquanto isso, seu empresário trabalha nos bastidores. Tenta cavar uma vaga entre os grandes do Rio de Janeiro, foi sondado até para atuar em um time dos Estados Unidos, mas as negociações não avançaram. Os planos fora do país não estão descartados.

“Meu empresário que está olhando isso para mim, pois tem bom relacionamento dentro do clube. É um grande clube do Rio. Se não der certo, vou para fora novamente”, disse. “Tive contato também em São Paulo, mas tem que aguardar. Essas coisas são lentas, tem que ver com calma. Recebi propostas que não foram legais, pois também não quero sair para clube sem projeto de estrutura. Quero ir para um clube que dê condições de trabalho para que eu possa ganhar títulos”.

Se dentro dos gramados a vida está complicada, fora deles Mancini não tem do que reclamar. O lateral conseguiu se organizar com o dinheiro que ganhou no futebol e tem tranquilidade para quando se aposentar definitivamente.

Hoje, ele também se tornou empresário. Após fechar uma lanchonete em que vendia kebabs, montou uma imobiliária. E planeja continuar trabalhando com esporte em um cargo diretivo.

Estava muito tempo longe. O clube não estava atravessando um momento maravilhoso como agora. O elenco era bom, mas não encaixava. O Atlético ainda vivia a fase de não cair. O time não se encaixava. Era um elenco bom, com qualidade técnica grande, mas o sistema tático não se encaixou como hoje

Mancini, explicando porque não deu certo em sua última passagem pelo Atlético

Ele diz, inclusive, que recebeu um convite do presidente do Atlético, Alexandre Kalil, para ser auxiliar técnico. Mas cogita aceitar apenas quando desistir dos campos.

“Ainda tenho lenha para queimar, qualidade técnica e estou motivado. Quero dar a volta por cima e começar do zero. Creio que tenho condições de jogar mais dois anos”.

Mancini surgiu como uma grande promessa no futebol brasileiro e teve várias convocações para a seleção de base. Conquistou três Campeonatos Mineiros no Atlético até se transferir para a Itália, onde teve uma passagem de sucesso pela Roma e Inter de Milão. Antes de voltar ao Brasil, ainda jogou pelo Milan. Em 2011, voltou ao Galo, mas não conseguiu repetir as boas atuações até ser emprestado ao Bahia, também sem sucesso.

Em 2011, Mancini enfrentou problemas com a Justiça ao ser condenado a dois anos e oito meses de prisão por supostamente ter estuprado uma jovem que ele conheceu em uma festa na casa de Ronaldinho Gaúcho em Milão. Na entrevista ao UOL Esporte, o atleta não quis falar sobre o assunto e disse que a situação está sendo resolvida.

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