Em qual brecha contratual o SP se baseia para contratar Lugano?

Guilherme Palenzuela

Do UOL, em São Paulo

Depois de receber do empresário Juan Figer as informações do contrato firmado entre Diego Lugano e o Cerro Porteño, o departamento jurídico do São Paulo analisou a documentação e concordou com a interpretação sugerida: há, no contrato, uma cláusula que permite que Lugano jogue no Morumbi em 2016 sem que o São Paulo tenha de indenizar o Cerro Porteño com uma proposta de compra.

A interpretação foi feita pelo jurídico do Grupo Figer e compartilhada pelo São Paulo. Segundo informado por membros do clube ao UOL Esporte, as partes entendem que o contrato do zagueiro prevê que ele seja liberado caso um clube lhe faça uma proposta salarial superior à de 70 mil dólares (R$ 280 mil, aproximadamente) sem que seja necessário pagar ao Cerro pela quebra contratual. Assim, o São Paulo poderia contratar Lugano "de graça", sem pagar ao clube paraguaio, se apresentasse ao jogador uma oferta contratual com salários de R$ 300 mil, por exemplo.

A reportagem procurou o presidente do Cerro Porteño, Juan José Zapag, mas não obteve retorno. O clube paraguaio fechou 2015 afirmando que Lugano não deixaria o clube, mas neste início de 2016 já admite tal possibilidade. O presidente afirmou em entrevista coletiva que a permanência do zagueiro no clube não é certa. "Estamos à espera do jogador e de seu representante. Nossa política é de segurá-lo, mas temos que ver também o ponto de vista do jogador. Sua continuidade está em dúvida", disse.

Segundo pessoas ligadas ao jogador, Lugano e Juan Figer se encontraram na segunda-feira, no Uruguai, para conversar sobre como abordar o tema em reunião com o Cerro Porteño, no Paraguai, nos próximos dias. Lugano não se apresentou ao clube na data inicialmente marcada, mas acabou se reapresentando no começo desta semana.

Reprodução / Twitter
O presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, afirmou no último sábado que acreditava que até quarta-feira (6) "tudo estaria resolvido". Segundo Leco, é o diretor executivo de futebol Gustavo Vieira de Oliveira quem está à frente da negociação. O prazo do São Paulo para Lugano é semelhante ao estipulado para fechar com o atacante Kieza, que pertence ao Shanghai Shenxin, da China, e esteve emprestado ao Bahia nas últimas duas temporadas.

A decisão de tentar contratar Lugano foi definida no São Paulo depois de reuniões sobre o que o zagueiro poderia acrescentar e quais seriam os possíveis problemas em seu retorno. Desde o início, os pontos favoráveis ao retorno do ídolo foram o poder de liderança e o comprometimento exemplar com o clube. Contrário a ele havia a desconfiança sobre suas condições física e técnica e a possível pressão que seu retorno exerceria sobre o novo técnico – como lidaria com pedidos da torcida para escalar o uruguaio a qualquer custo.

Pesou definitivamente a favor de Lugano o fim de ano do São Paulo, com histórica derrota por 6 a 1 para o arquirrival Corinthians, a qual o presidente Leco definiu como desastrosa. Na ocasião, o mandatário afirmou que nem todos os jogadores do elenco tinham o mesmo comprometimento com o clube.

Lugano foi ovacionado ao voltar ao Morumbi em 11 de dezembro para o evento de despedida de Rogério Ceni. Depois de quase dez anos o uruguaio voltou a vestir a camisa tricolor e jogou no amistoso de campeões mundiais pelo clube no estádio. Durante a partida, Rogério Ceni tirou a braçadeira de capitão e passou ao uruguaio, em ato que simbolizou aquilo que agora a diretoria espera para 2016.

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