5 décadas! Ex-corintianos lembram da tumultuada relação com torcedores

Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

  • Almeida Rocha-5.fev.2011/Folhapress

    Torcedores do Corinthians protestam em frente ao CT, em 2011

    Torcedores do Corinthians protestam em frente ao CT, em 2011

Torcedores do Corinthians entrando por bem ou por mal para conversar (ou intimidar) seus jogadores é mais antigo do que parece.

Na semana passada, integrantes da uniformizada Gaviões da Fiel conversaram com atletas e diretores do clube. Mas o fato não é novo e vem desde os anos 70. E nem sempre foi amigável. Pressão, dedo na cara, invasão a treino, ameaças...

Abaixo, alguns relatos de ex-jogadores que já tiveram momentos não muito agradáveis com torcedores:

Vaguinho, 66 anos, aposentado (ex-ponta-direita do Corinthians dos anos 70)

"Existia (a pressão) com certeza, já tinha bloqueios e naquela época era pior. Hoje está fácil, porque ano sim, ano não, o Corinthians é campeão, o que a torcida do Corinthians está reclamando? É campeão brasileiro, foi campeão mundial, da Libertadores, Paulista, o Corinthians não ganha um título desde quando? Ganhou em dezembro do ano passado o brasileiro, qual o motivo que a torcida tem para entrar e querer tumultuar? São caras que querem tumultuar ou alguém politicamente está influenciando eu vejo desta maneira. "

Na minha época, eles invadiam tudo, faziam corredor polonês no Pacaembu, pegaram o Sócrates, o zagueiro Amaral, parava ônibus na entrada."

"A gente almoçava e quando estava jantando eles ficavam lá fora cantando coisas e barbaridades e naquela época não se ganhava nada hoje eu não vejo motivo para isso"

"O que eles fazem hoje é uma reunião. Na nossa época os caras chegavam juntos da gente porque não tinha blindagem. Hoje os caras vão sentar numa sala, vão conversar. Na nossa época não! Hoje eu vejo muita incompetência de administração, o time do Corinthians foi desmontado, milagre ninguém faz, né?"

Fabi M. Salles-1988/Folhapress
Biro Biro em ação pelo Corinthians, em 1988

Biro Biro, 56 anos (ex-volante dos anos 80)

"Teve uma vez no Maracanã. A gente estava entrando e a torcida fez uma fila, um corredor, e a bronca era com o Casagrande e com o Sócrates"

"Teve uma vez depois de um jogo no Pacaembu contra o Atlético-MG teve um probleminha que a torcida, depois do jogo, a torcida pediu para os jogadores, garra, vontade, acabou o Atlético ganhando. Isso foi em 86/87 por aí, foi quando o pessoal estava saindo do vestiário e entrando no ônibus no Pacaembu, a torcida pegou no pé de alguns jogadores"

Henrique, 50 anos (ex-zagueiro do Corinthians  nos anos 90)

"Na minha época não era tanto assim, acontecia uma coisa ou outra, mas eu não lembro nada de agressão, não era tanto que nem é hoje. Na minha época era uma pressãozinha pouca. Eu nunca participei de reunião com torcida e na época eu era capitão ainda. Posso dizer que da minha época para hoje mudou muito eu acho que hoje é muita pressão até política, na minha época a torcida exigia mais da gente, ia nos treinos mas era uma pressão controlada"

Eu penso que não tem nada a ver marcar reunião. Torcida é torcida e clube é clube."

"Está certo que a torcida do Corinthians é muito grande, principalmente a Gaviões que tem bastante voz ativa dentro do clube, mas quem tem que resolver os problemas é o treinador e os jogadores junto com a diretoria e a torcida não tem nada a ver com isso. "

Marcelinho Carioca, 45 anos (anos 90 e 2000)

Evelson de Freitas-17.dez.1998/Folhapress
Marcelinho Carioca dá autógrafos após treino em 1998

"Na minha época não tinha muito porque o time ganhava, então a gente não dava motivo, não dava brecha. A única vez que aconteceu foi da Libertadores em 2006, mas mesmo assim entraram lá, invadiram, não agrediram ninguém, pediram para conversar com os líderes, conversou com a gente e depois as vaias normais no jogo porque o torcedor vive de emoção ele não vive da razão"

A torcida só cobra quando o time está mal em campo, quando o jogador não está correndo e é normal isso."

"Clube grande de massa o Corinthians é tiro, porrada e bomba, não tem jeito, mano. Você fez gol na quarta-feira, é campeão, você está no céu na quinta, domingo você foi mal, você perdeu, aí você está no inferno. Mas isso é maravilhoso, é melhor viver assim do que viver no ostracismo, não ter cobrança"

"Se sou a favor de reunião? Primeiro de tudo, nós temos dois ouvidos e uma boca, certo, então escutar não faz mal a ninguém e acima de tudo faz parte da cultura e a tradição do Corinthians e da Gaviões, então desde o primeiro momento que se abriu o precedente a primeira vez não tem como você cortar, mas é sempre uma conversa normal de cobrança porque quem não deve não teme"

"Se você abriu as portas da sua casa, botou o cara para sentar no seu sofá, deu um café para o cara explicou a real situação, o cara vai sair bem mais tranquilo, não vai sair ferido, não vai sair chateado. Você fez um cafuné no cara, você deu um abraço, aí no próximo jogo você já mudou a postura e a atitude. Isso é normal no Corinthians"

"O maior exemplo de torcedor corintiano é o que ele fez no Japão em 2012, então não tem jeito, você tem que escutar os caras. Você tem que respeitar os caras. Essa história de bater no peito e falar, não vou respeitar, não vou conversar com a Gaviões, não vou conversar, com a Coringão Chope, não vou conversar, com a Camisa 12, não vou conversar com a Pavilhão 9, amigo vai estar no sal, quem falar isso, a batata assa, não adianta."

Fernando Santos-4.mai.2006/Folhapress
Policiais retiram torcedor que invadiu o Pacaembu durante jogo contra o River, em 2006

Bruno Otávio, 30 anos (ex-volante em 2006/2007)

"Eu costumava falar mesmo com o pessoal (torcedores) até porque alguém tinha que botar a cara naquela época e a molecada da base normalmente é que ficava segurando o rojão"

"2007 foi um ano que aconteceu de tudo no Corinthians, entre 2006 e 2007 a gente teve 6, 7 treinadores. Teve mais de 20 contratações só numa leva foi 12 jogadores, era uma bagunça aquilo lá, eu peguei a fase do rebaixamento o último jogo (contra o Grêmio em Porto Alegre) o (ex-presidente da Gaviões) Metaleiro entrou no nosso ônibus na saída lá do estádio do Grêmio lá no portão do Parque São Jorge de torcedores que a gente sabia que tinha envolvimento com o clube ameaçando a quebrar carros.

Almeida Rocha-2.jul.2004/Folhapress
Bruno Otávio

Eu tive o meu carro arranhado, todo mundo depois do rebaixamento teve a sua casa visitada por um grupo de "torcedores" soltando rojão"

"Infelizmente é uma tradição triste que ainda se mantém no futebol."

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