Gêmeos do Santos já enganaram juiz e hoje são exemplos de futebol moderno

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

  • Ivan Storti/Santos FC

    Yuri e Yan foram lapidadospor Fernando Diniz no Audax e são apostas de Dorival Jr.

    Yuri e Yan foram lapidadospor Fernando Diniz no Audax e são apostas de Dorival Jr.

O Santos conta em seu elenco com os gêmeos Yuri e Yan, volantes que foram contratados do Audax-SP no ano passado. Os dois se destacam pela técnica dentro de campo e pelo carisma fora dele. Eles cumprimentam a todos no clube e até brincam com a imprensa ao se apresentarem nos treinos no dia a dia. "Sabe quem sou eu, né?". Como são idênticos, quase ninguém acerta.

Os irmãos também são ótimos contadores de histórias. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, eles lembram quando enganaram um árbitro em jogo pelas categorias de base do Audax. Na ocasião, Yuri tomou dois cartões amarelos e permaneceu no jogo pois percebeu que o juiz o confundiu com o seu irmão, Yan. A dupla também aprontou com troca de RG para jogar futsal na escola.

Hoje, mais sérios, Yuri e Yan, lapidados pelo técnico Fernando Diniz, são exemplos de futebol moderno no Santos. O técnico Dorival Júnior elogia a técnica da dupla e, inclusive, os improvisa para atuar na zaga. O treinador acredita que com eles na zaga o time ganha em qualidade na saída de bola.  

O sonho dos gêmeos é atuar juntos pela primeira vez em uma equipe profissional. O objetivo pode ser adiado pois o Campeonato Paulista permite a inscrição de apenas 28 atletas. Yuri está garantido, mas Yan faz parte da lista de dúvidas de Dorival Júnior.

Confira a entrevista completa com Yuri e Yan:

Yuri: Não sei de onde o juiz tirou aquilo. Com essas trocas estamos acostumados, acontecem bastante, mas do juiz errar o nome na súmula foi a primeira vez.
 
UOL Esporte: Conte um fato curioso por serem gêmeos no futebol?
Yan: Teve um caso pelo Audax. O Yuri tomou dois cartões amarelos e não foi expulso. Ambos estávamos jogando, aí ninguém falou nada também, ficamos quietinhos.
 
Yuri: Jogávamos futebol de salão na escola com alguns caras mais velhos. Só tínhamos eu e ele de moleques no time, o Yan era titular, mas eu não, nem jogava direito. Aí o Yan esqueceu o RG um dia, o técnico chegou para mim e falou: empresta o seu RG para o seu irmão jogar. Eu falei que tudo bem, o Yan jogou com o meu RG.
 
UOL Esporte: Vocês já jogaram juntos profissionalmente?
Yuri: Profissionalmente, não. Sempre jogamos juntos na base do Audax, mas por conta das lesões dele não conseguimos ainda. Para todos os lugares íamos juntos. Foi a base inteira no Audax.
 
UOL Esporte: Como foi a trajetória de vocês?
Yuri: Começamos no Joerg Bruder, com o professor Ludinho, uma escolinha em Santo Amaro. Com 12 anos fomos para o Audax e, no último ano do sub-20, fomos para o Palmeiras. Ficamos lá um ano e dois meses, aí retornamos para o profissional do Audax com o Fernando Diniz onde acabamos disputando o Paulista.
 
UOL Esporte: Fale da importância de Fernando Diniz e Dorival na carreira de vocês?
Yuri: Esses caras estão mudando o futebol para o bem. Pegam essa capacidade do jogador de fazer mais de uma função e acredito que a maioria dos atletas tem esse potencial, mas acabam não treinando. O Diniz treina bastante, busca sempre o melhor do seu jogador. Foi um cara que me fez evoluir muito.
 
UOL Esporte: Como foi a vinda do seu irmão para cá?
Yuri: O Dimas (gerente de futebol do Santos), que trabalha no Santos, já nos conhecia do Audax. Quando acertou a minha contratação acabou trazendo o Yan para o sub 23. Quando cheguei, umas duas semanas ele estava aqui (profissional).
 
UOL Esporte: Já pensou em se fixar como zagueiro, talvez como o Mascherano fez?
Yuri: No que precisar, onde o professor precisar me utilizar estou à disposição, tanto como zagueiro como no meio de campo. Temos sempre que evoluir. Tenho que melhorar a marcação e minha bola aérea.
 
UOL Esporte: E você, Yan, qual seu principal objetivo hoje? Jogar com o seu irmão?
Yan: Com certeza, agora que estou com a oportunidade de treinar no elenco principal é me manter. De imediato é me manter para ter a oportunidade de jogar com o meu irmão. Ia ser um sonho, seria o nosso primeiro jogo profissional juntos.
 
UOL Esporte: Vocês treinam juntos? Alguém marca mais forte?
Yuri: Ele sempre chega mais forte, era mais brutão. Em um treino, normal querer dar o melhor sempre.
 
UOL Esporte: Yan, acredita que estreia este ano no profissional?
Yan: Sim, o Dorival já falou comigo para me preparar bem para o começo do ano, que se tiver bem a oportunidade vai chegar. Vou me preparar para este Paulista.
 
UOL Esporte: Quem tinha fama de craque dos dois na infância?
Yan: Somos gêmeos até nisso. Desde pequeno eram os dois, ninguém se sobressaia muita coisa. O pessoal elogiava os dois jogando.
 
UOL Esporte: Vocês são técnicos. Sempre foram volantes?
Yuri: Eu sempre joguei de meia na base. O Yan era mais volante mesmo, às vezes jogava como meia, acabei recuando um pouco mais com o Diniz no Paulista. E me senti melhor para sair jogando, chegar lá de trás. Passei a só jogar de volante.

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