Rompido com Roberto, Andrés se mexe por eleição corintiana em 2018

Dassler Marques e Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

    Andrés Sanchez pode ser novamente candidato à presidência corintiana em 2018

    Andrés Sanchez pode ser novamente candidato à presidência corintiana em 2018

As recentes movimentações do ex-presidente Andrés Sanchez reforçam duas tendências sobre o Corinthians: o afastamento entre o atual mandatário Roberto de Andrade e ele é cada vez mais definitivo; e Andrés, em meio a seu trabalho como deputado federal em Brasília, já faz articulações de olho nas eleições do clube, em 2018. 

Desde a votação do impeachment de Roberto, Sanchez se mexe para aglutinar grupos políticos em torno de uma candidatura comum. Durante esse processo em que se discutiu a queda do atual mandatário, situação e oposição se fragmentaram em inúmeras correntes.

A ideia de Andrés, segundo confirmam várias pessoas próximas, é reorganizar uma chapa para buscar a eleição em fevereiro do ano que vem. Para isso, ele criou até uma conta no Instagram com mensagens que, quase em sua totalidade, pedem união e novas propostas para o clube. Nos bastidores, tem ligado para conselheiros de diferentes vertentes para sondar posicionamento, antecipar questões relativas à eleição e, principalmente, marcar território. 

À reportagem do UOL Esporte, Andrés disse que a criação da conta da rede social "não tem nada a ver" com as questões políticas do clube. "É para responder as mentiras que dizem e também para as matérias que dão sobre mim sem ouvir minha opinião", disse o ex-presidente do Corinthians. 

O dirigente também evitou fazer planos a médio prazo. Ele negou que tenha ambições políticas no clube, mas deixou aberta a possibilidade. "Não quero, mas é muito cedo ainda", frisou.

André Luiz Oliveira, primeiro vice-presidente do Corinthians e braço direito histórico de Andrés, também começou a se movimentar, Ativo nas redes sociais, ele tem feito, desde o começo da semana, vídeos em que anuncia o começo da campanha política no clube e "alerta traidores", uma reação à debandada parcial do grupo Renovação & Transparência. André chega a dizer que é, pessoalmente, candidato, repetindo o discurso de pleitos anteriores em que, em cima da hora, retirou seu nome para apoiar a Andrés ou alguém apadrinhado por ele. 

Esse processo é uma sequência da decisão quase consensual de afastamento entre Roberto de Andrade e Andrés. O ex-presidente, que no início do ano tentou promover os retornos de Luís Paulo Rosenberg (ex-diretor de marketing e vice) e Raúl Correia (ex-diretor financeiro), sequer foi recebido pelo atual mandatário na ocasião. Ali, considerou que deixar Roberto andar com as próprias pernas seria o ideal, até porque a avaliação em geral sobre a atual gestão é ruim. 

O afastamento ganhou outros contornos após a movimentação na base do Corinthians, há duas semanas, que desagradou Andrés. Em nota enviada ao Blog do Ohata, o ex-presidente disse, entre outras coisas, que "não tem nada a ver com Roberto de Andrade". Pessoas próximas, porém, asseguram que em questões pontuais Roberto de Andrade ainda busca o ex-presidente para se aconselhar. 

Se não for candidato, Andrés tem favorito para apoiar

Divulgação/Chapa Pró-Corinthians
Paulo Garcia é candidato possível no Corinthians

Não existe, nesse momento, um nome da situação que desponte como candidato, mas Andrés Sanchez é o principal favorito. Após dois mandatos de 'quarentena', em que um presidente não pode concorrer a cargos, ele estaria novamente elegível. Andrés, confirmam aliados, trata essa hipótese como bastante considerável. Uma decisão nesse sentido, porém, só deve ser tomada daqui alguns meses. 

O nome de Paulo Garcia, candidato e pré-candidato da oposição nos últimos pleitos, é a alternativa mais forte como presidenciável apoiado por Andrés. Entretanto, ele gostaria de concorrer, se essa fosse a decisão, com o apoio do próprio Sanchez. Com isso, aliados apostam que a candidatura de Paulo só ocorreria se assim escolhesse Andrés Sanchez. Um nome sempre citado é de Duílio Monteiro Alves, ex-diretor de futebol, mas que segue com residência nos Estados Unidos. 

Entre os fatores que deverão influenciar a escolha de Andrés está o rumo da Operação Lava Jato, já que o deputado é alvo de investigação em Brasília. De acordo com a Folha de S. Paulo, ele recebeu R$ 2,5 milhões da Odebrecht em Caixa 2. O avanço dessa questão pode ajudar com que Paulo Garcia seja o escolhido.

Com o maior capital financeiro entre todos os presidenciáveis, Paulo Garcia é comparado por conselheiros ao palmeirense Paulo Nobre, que colocou dinheiro próprio a serviço do clube em momento de dificuldade. Contra a candidatura dele, porém, pesa a contrariedade da família em razão de questões de saúde. 

Paulo Garcia, vale lembrar, foi figura importante para Roberto de Andrade conquistar apoio político contra o impeachment. Hoje, ele tem três aliados importantes em cargos chave da gestão: Emerson Piovesan, diretor financeiro, Flávio Adauto, diretor de futebol, e Antônio Rachid, secretário geral, todos oriundos de seu grupo.  

Rosenberg deve se juntar a Andrés novamente

Julia Chequer/Folhapress
Rosenberg se reaproximou de Andrés

Rompido com Andrés durante a presidência de Mário Gobbi, em que se afastou após um ano como vice-presidente, Luís Paulo Rosenberg se reaproximou de Sanchez nos últimos meses e viu com bons olhos, inclusive, a chance de assumir novamente o marketing do clube.

Depois de se desligar do Conselho e deixar até mesmo de ser sócio, aliados apostam que Rosenberg irá declarar apoio, sobretudo se Andrés for aliado. No momento, por possuir uma série de desavenças com o atual presidente Roberto de Andrade, Luís Paulo permanece distante do Corinthians.

"É cedo para falar de sucessão, só atrapalharia o presidente", se limitou a dizer ao UOL Esporte.

Nas últimas eleições, Rosenberg declarou apoio a Roque Citadini, candidato mais que provável da oposição. Há a ainda a remota chance do surgimento uma terceira via, atualmente articulada por ex-diretores, mas no momento o grupo está mais disposto a se fortalecer politicamente do que lançar candidato próprio.  

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