De 'Instagram do futebol' a dinossauros, a vida de Doni longe dos gramados

Brunno Carvalho e Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    Aposentado dos gramados desde 2013, ex-goleiro se dedica a investimentos para manter 'saudades do futebol' em segundo plano

    Aposentado dos gramados desde 2013, ex-goleiro se dedica a investimentos para manter 'saudades do futebol' em segundo plano

Doni se aposentou oficialmente do futebol em agosto de 2013. No entanto, não entrava em campo em um jogo oficial havia mais de um ano antes disso, na derrota do Liverpool para o Swansea por 1 a 0 em 13 de maio de 2012.

O fim da carreira foi preocupante. Uma parada cardíaca na pré-temporada de 2012 abreviou sua passagem pelo futebol europeu - ele chegou a ficar 25 segundos desacordado antes de recuperar os sentidos. Acabou sem jogar no segundo semestre e rescindindo seu contrato em janeiro de 2013. Assinou com o Botafogo-SP, mas jamais conseguiu voltar aos gramados.

Aposentado, o ex-goleiro deixou até de assistir a jogos de futebol – segundo ele, para evitar as saudades. De volta a Ribeirão Preto (SP), passou a gerenciar o DoniSoccer, um complexo esportivo onde abriu uma escolinha de futebol da Roma.

No entanto, o ano de 2017 tem sido de novidades para Doni até aqui. Depois de "uns dois anos" estudando a possibilidade, o ex-goleiro lançou um aplicativo para celulares. Chamado de Cavadinha, o programa para sistemas iOS e Android foi desenvolvido em parceria com duas empresas, DS Futebol e TecSinapse, e tem como objetivo fazer a ligação entre times de futebol e jovens jogadores.

Reprodução
Cavadinha tem como objetivo divulgar peneiras e fazer a ligação entre times de futebol e jovens jogadores
A ideia, segundo Doni, é divulgar peneiras "virtuais" promovidas em qualquer lugar do mundo por clubes e empresários, de forma que jogadores interessados se inscrevam e enviem vídeos com lances pelo próprio aplicativo. O aplicativo é gratuito e surge como resposta aos pedidos que recebia de jogadores para que levasse seus vídeos para clubes.

"Foi uma ideia que veio lá de trás, minha com o meu irmão. A ideia inicial foi de ajudar a gente no tempo mesmo. Melhor do que ficar mandando DVD para todo mundo", explicou o ex-goleiro ao UOL Esporte. Desde o início da ideia em 2015, os dois buscaram parceiros e foram "colocando no papel" um projeto de longa duração.

"Temos ideias para uns cinco anos. Lógico, tem que começar mais básico e ir aprimorando. Hoje ele virou um Instagram do futebol. Qualquer um sobe um vídeo, posta e pode divulgar ali mesmo. Os próprios empresários podem entrar no perfil do garoto e entrar em contato direto", acrescentou.

Com o aplicativo, os "peneirões online" já entraram no radar de clubes e empresários. Segundo o próprio Doni, "dois clubes grandes" já têm conversas com a iniciativa, de forma a abrir portas para os inscritos no programa. Os nomes, porém, são mantidos em sigilo.

"Está bem adiantado. Não posso falar o nome ainda. Tem outros para conversar, mas estamos começando com os dois. Já tivemos reuniões e estamos seguindo", explica Doni. "É algo que não tem custo nenhum ao clube, que usará a nossa plataforma, que já está pronta, com seguidores e tudo mais", assegura.

Dinossauros marcam a nova vida empresarial de Doni

O aplicativo de futebol, no entanto, não é a primeira aventura de Doni no mundo empresarial. O agora ex-goleiro é dono da D32, empresa do ramo de entretenimento criada ainda na época em que atuava no Liverpool. A ideia da produtora, contudo, surgiu na cidade em que o jogador mais se destacou no futebol: Roma.

"Conheci meu sócio em Roma. Coincidentemente, ele era diretor de um parque lá e era de Ribeirão Preto também. Convivemos juntos por uns quatro, cinco anos, e foi quando montamos uma exposição de dinossauros no parque dele e resolvemos trazer para o Brasil", conta.

Os dinossauros acabaram se tornando algo presente na produtora de Doni, "por ser um tema educacional, que não tem fim". Apesar de trabalhar com variados temas de entretenimento, a empresa tem como destaque a exposição "O Mundo dos Dinossauros", no Zoológico de São Paulo, e o recém-criado T-Rex Park, parque de diversão em Campinas (SP).

T-Rex Park/Divulgação
T-Rex Park, parque de diversões criado por Doni na cidade de Campinas (SP)

A veia empresarial, acredita Doni, é algo que veio de família. "Acho que está no sangue. Meus pais sempre foram empresários. Quando eu jogava, já investia, sempre pensei em investir."

É à nova carreira que Doni se apega para diminuir os pensamentos sobre a aposentadoria precoce. Mesmo admitindo que a maneira como deixou o futebol "será sempre algo ruim", o ex-goleiro acredita que, se não fosse o ocorrido aos 32 anos, não teria a cabeça empresarial que tem atualmente.

"Começo a olhar um pouco para esse lado. Se eu sei o que eu sei hoje, é porque parei cedo de jogar futebol. Claro, se pudesse estar jogando hoje, nenhum jogador gostaria de parar de jogar, mas estou feliz pelo aprendizado e por tudo que eu tenho", analisa.

O problema no coração, que fez com que Doni tivesse que deixar o futebol, já não o incomoda mais. O goleiro diz ter refeito todos os exames depois da aposentadoria e nenhuma alteração foi constatada. "Hoje está tudo normal, até jogar bola, eu jogo", completou.

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