Questionado até por Renato Gaúcho: por que Espinosa foi demitido

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Rodrigo Rodrigues/Grêmio

    Valdir Espinosa disse que diretoria do Grêmio o afastava do dia a dia da equipe

    Valdir Espinosa disse que diretoria do Grêmio o afastava do dia a dia da equipe

Valdir Espinosa foi demitido do Grêmio. Emocionado, o agora ex-coordenador técnico deu entrevista coletiva à beira do gramado do Centro de Treinamento Luiz Carvalho na tarde de quinta-feira (10) dando sua versão aos fatos. A reportagem do UOL Esporte apurou o outro lado. E uma presença pouco influente somada à falta de uma função prática montam os bastidores da queda.

Apresentado junto a Renato Gaúcho, em setembro do ano passado, Espinosa ocupava o cargo de coordenador técnico. Tinha por função, em tese, integrar categorias de base e elenco principal. Trabalhar com jogadores, membros de comissões técnicas e fazer a ligação com a direção do clube.

Mas conforme apurou a reportagem com pessoas presentes no dia a dia do clube, pouco conseguiu. Não era presença frequente em treinamentos ou momentos importantes para o time. Frequentou pouco o CDD (Centro Digital de Dados) e colecionou problemas de relacionamento. Se indispôs com profissionais da base e logística, acabou escanteado e teve, mais de uma vez, a atenção chamada pela direção.

LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Os problemas de convívio não são novidade para o profissional, como mostrou a reportagem do UOL Esporte em sua contratação pelo Tricolor. Foram elencados como motivo demissões rápidas nos trabalhos que realizou durante os últimos anos antes de voltar ao clube. 

Até mesmo o técnico Renato Gaúcho, amigo pessoal de Espinosa e principal entusiasta da contratação dele à época, reclamou em alguns momentos. Questionou a conduta do coordenador e já não fazia sua defesa como em antigamente. Participou do processo de demissão e sabia do que ocorria.

Qual a sua função?

Um dos pontos altos da demissão de Espinosa foi uma questão simples feita pela direção a ele. Como o próprio relatou em coletiva, o foi perguntado: qual sua função? A falta de resposta gerou ainda mais contestação.

"Até poderão dizer: perguntaram qual minha função? Eu falei: não sei. Eles se surpreenderam. Mas eu não sei pelo seguinte: eles não dizem o que tem que ser feito. As reuniões são com portas fechadas. Eu não sou chamado. Falam que venho e fico sentado só vendo o treino. Minha preocupação é ficar conversando com Renato, nem que seja uma piada, e que digam que eu estou me metendo. E não é isso. Não vim escalar o Grêmio. Vim para conversar. Quando for procurado, sempre terei respostas. Na minha vida, aprendi muita coisa, continuo aprendendo, e tenho muita resposta para dar. Mas não vou bater na porta se ela está fechada e dizer que é assim. Agora, vocês sabem onde estou e sabem que estou pronto para responder, é só me perguntarem", admitiu.

Espinosa também ficou magoado com a ausência nas últimas viagens com a delegação do clube e a colocação para observar jogadores da base. "Não é não viajar, mas não ser comunicado que não iria. Não sou melhor que ninguém, mas tenho uma história no clube que no mínimo o respeito tem que ser dado. Eu disse que não aceitava aquilo. Disseram: Tu tinhas que trabalhar. Dando os horários da base, Sub-17, Sub-15, Sub-12, marcando onde eu tinha que comparecer para ver os treinamentos, só para ver quem era bom e era ruim. Eu disse: Gente, pera aí. Nunca disse: sou campeão do mundo e da Libertadores, mas parece que vou ter que dizer. Que um campeão assim não fica na arquibancada vendo garoto", disse.

Espinosa tinha salário alto. Eram R$ 65 mil por mês no contrato renovado ao fim do ano passado. O Grêmio entendeu que era caro o manter sem função aparente no clube. Já não havia o apreço de Renato, tinha a indisposição com colegas e ele não era presença frequente em treinos e nem mesmo na cabine de trabalhos durante os jogos. Assistia às partidas acompanhado da esposa nas cadeiras da Arena. Ia aos vestiários apenas depois.

O ambiente longe do ideal internamente também teve ponto alto em discussões recentes com a direção e a situação ficou inviável até a demissão. Foram 10 meses de trabalho e o fim da ligação sem um projeto sequer com sua assinatura em andamento. E a saída dele, aliás, deve provocar bem pouco ou nenhum atrito no departamento de futebol.

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