Corinthians deve para mais de meio time e não pagou prêmios do Brasileirão

Dassler Marques e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

    Corintianos comemoram gol contra o Sport; clube vive problemas financeiros

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O líder Corinthians, neste momento, encara o efeito colateral da decisão de não vender nenhum de seus principais jogadores na janela de transferências. Se por um lado Fábio Carille celebra a permanência de todos os titulares, por outro a direção do clube é cobrada por quase todos os lados depois de negar mais de R$ 90 milhões em propostas

Atualmente, diversos jogadores têm luvas ou direitos de imagem pendentes. A situação, segundo apurou a reportagem com diversas fontes, afeta reservas mais experientes como Walter, Fellipe Bastos e Kazim, jovens como Pedrinho e Guilherme Arana, e titulares rodados como Jadson, Gabriel e Rodriguinho. 

O caso deste último, em especial, chama a atenção. Em 2017, a direção do Corinthians rejeitou uma série de investidas por Rodriguinho - a mais recente a ser noticiada ocorreu em julho, quando o Spartak Moscou-RUS acenou com 6 milhões de euros. Embora tenha reajustado o contrato do meia há alguns meses, o clube não quitou luvas pendentes do vínculo antigo, tampouco do atual.

Alguns representantes de jogadores, de maneira extraoficial, também reclamam de falta de critério. As queixas são de que o Corinthians recentemente fez pagamentos pela compra de Gabriel ao Monte Azul-SP, clube ligado à empresa OTB Sports, e deixou dívidas mais antigas pendentes. Um dos empresários ouvidos, por exemplo, espera pelo pagamento de uma determinada comissão há cerca de quatro anos. 

A dificuldade em honrar compromissos atinge o elenco, a comissão técnica e jogadores também de outra maneira. Embora mantenha os salários em dia e tenha quitado o combinado pelo título paulista, o Corinthians ainda não pagou premiações estabelecidas para alguns jogos importantes do Campeonato Brasileiro: clássicos com São Paulo, Santos, Palmeiras e ainda o jogo decisivo com o Grêmio, todos vencidos pela equipe de Carille.

Há valores em aberto, inclusive, pela última vitória no Brasileirão 2016, contra o Internacional, na antepenúltima rodada. O treinador na ocasião era Oswaldo de Oliveira, que conforme mostrou o UOL Esporte ainda não recebeu nada de sua rescisão.

Contas bloqueadas e falta de patrocínio 

Marivaldo Oliveira/Código19/Estadão Conteúdo
Presidente recebeu muitas dívidas e não conseguiu mudar o panorama de dificuldades

Além de não ter angariado recursos com vendas de jogadores, exceção feita à transferência de Léo Jabá para a Rússia por cerca de R$ 7,5 milhões, o Corinthians enfrenta dificuldades com outras receitas. Além de sofrer com diversos processos movidos por empresários e outras equipes, o clube também teve bloqueio de contas em ao menos duas ocasiões no ano.

Uma delas se deve a processo movido pelo arquiteto Aníbal Coutinho, responsável pela construção da Arena Corinthians, e foi solucionado entre as partes há aproximadamente três meses. Apesar do tempo, o argumento é que isso prejudica o fluxo de caixa.

Outro caso diz respeito a um processo movido pela prefeitura de São Paulo, que reteve R$ 2,4 milhões do clube. Até a próxima semana, o Corinthians espera concluir um acordo com o poder público que liberaria boa parte dessa quantia. 

A administração Roberto de Andrade ainda tem de lidar com problemas com relação ao patrocínio de camisa. Segunda maior fonte de renda do clube até então, o dinheiro referente à Caixa Econômica Federal deixou de entrar nos cofres em maio, por conta do fim do acordo. Até então, nenhum novo parceiro foi assinado - Fernando Sales, diretor de marketing, afirma que há algo encaminhado

Corinthians nega que tenha premiações a pagar

Contatado pela reportagem, o diretor financeiro Emerson Piovesan se limitou a dizer que o clube não deve premiações ao elenco. O dirigente ainda assegurou que o clube tem trabalhado para solucionar as pendências. A reportagem também tentou contato com o diretor de futebol Flávio Adauto, que não atendeu as chamadas. 

Empresários ouvidos pela reportagem receberam a promessa de que, em setembro, um fluxo de pagamentos seria iniciado. Essa, porém, não é a primeira vez que foi prometido um plano para quitar algumas dessas dívidas.

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