Fla manteve relação com organizada investigada e cota de ingressos em final

Leo Burlá, Pedro Ivo Almeida e Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

Após quase nove meses de investigação, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação visando acabar com a farra de ingressos e as relações entre clubes e organizadas. No curso dos fatos, presidentes das torcidas e funcionários de clubes foram presos apontados de integrarem "organizações criminosas". Isso tudo não bastou para cessar a relação entre as partes. Na tumultuada e violenta final da Copa Sul-Americana, na última quarta-feira (13), Flamengo e Raça Rubro-Negra mantiveram os laços estreitos que veem sendo investigados pelo poder público.

Nem mesmo a operação policial em curso inibiu tal relação. Na própria segunda-feira (11), dia em que a última parte da "Limpidus" foi deflagrada, integrantes da organizada, cujo presidente Alesson Galvão de Souza está preso, buscavam ingressos com o Rubro-negro. Enquanto a Polícia Civil entrava na Gávea para deter o funcionário Cláudio Tavares, torcedores da Raça chegaram à sede do clube para pressionar a diretoria em busca dos bilhetes.

Vinicius Castro/ UOL
A relação entre Fla e organizadas continua apesar das últimas operações policiais
Conforme revelado pelo UOL Esporte ainda em junho, Raça, Fla Manguaça, Urubuzada e Falange têm privilégios para comprar ingressos no clube a partir da criação de uma categoria do plano de sócios chamada "corporativo". O grupo paga uma mensalidade mais barata do que aquela do torcedor comum e tem uma cota de 800 entradas por jogo garantidas pelo Flamengo.

A Raça Rubro-Negra exerceu o direito e conseguiu 500 bilhetes. Segundo apuração da reportagem, a Polícia Militar identificou integrantes da organizada nos tumultos e invasões promovidas no Maracanã. Banida dos estádios, a Torcida Jovem do Flamengo também teve diversos membros reconhecidos.

Entraram os que portavam ingressos, mas também quem invadiu e nem sequer passou pela revista. O número de bombas e morteiros dentro do Maracanã foi intimidador, com diversos artefatos estourando até na cobertura do estádio e disparados após o jogo na parte externa contra caminhões de transmissão, áreas dos camarotes, imprensa e PM.

Apesar do discurso de colaboração com a Justiça e apoio ao trabalho da Polícia Civil, o Flamengo manteve a relação com a torcida investigada por formação de quadrilha e organização criminosa, vendendo os ingressos na prática que já dura alguns anos.

Procurado pela reportagem para esclarecer o caso, o clube confirmou a relação com o grupo e informou que a Raça Rubro-Negra e as outras organizadas receberam as respectivas cotas de maneira normal para compra, já que não estão "suspensas ou banidas" dos estádios.

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