Demitida pela CBF, Emily Lima é a 1ª mulher a comandar o feminino do Santos

Ana Carolina Silva

Do UOL, em São Paulo

  • divulgação/Santos

Com contrato válido por um ano, o Santos anunciou a técnica Emily Lima como nova comandante do futebol feminino durante 2018. Demitida da seleção brasileira em setembro de 2017, a treinadora terá a missão de guiar as Sereias da Vila no Campeonato Brasileiro, Paulista e Copa Libertadores.

"Já tive a oportunidade de vestir a camisa do Santos no início da carreira e sempre foi uma meta chegar a treinadora do clube. Hoje estou aqui. A torcida pode esperar muito trabalho. Já planejamos algumas coisas e vamos ter um time alegre, que vai fazer o torcedor muito feliz", celebrou a nova treinadora.

Vale lembrar que o clube acaba de trocar de gestão, com a eleição de José Carlos Peres para presidente. Seu antecessor, Modesto Roma, sempre foi visto como um grande entusiasta do futebol feminino. Emily não se mostrou preocupada com a mudança.

"Hoje existe uma nova diretoria, uma nova gestão, e acredito que tudo será melhor. Já começou com a contratação de um gerente de futebol feminino, que ainda não existia no clube. Assim se torna muito mais profissional o departamento", disse ao UOL Esporte.

A treinadora terá que trabalhar o elenco em cima do desfalque da argentina Sole Jaimes, artilheira do Brasileiro 2017, que se transferiu para o futebol chinês na semana passada. "A Sole foi uma perda muito grande, mas temos um elenco muito bom pra trabalhar", comentou.

Rick Rycroft/AP

A saída de Emily causou um turbilhão na seleção feminina. Maior goleadora da história dos Jogos Olímpicos, entre homens e mulheres, a atacante Cristiane deixou de atuar pelo Brasil após a demissão.

"Todas as outras comissões tiveram muito tempo de trabalho, seguiram o ciclo todo de trabalho e essa não teve sequer essa oportunidade. Foi por que era mulher?", questionou Cristiane. Ela tinha o apoio das jogadoras, mas não o respaldo do coordenador Marco Aurélio Cunha.

Vadão, que já era seu antecessor, foi escolhido pela CBF como substituto de Emily. Em meio à crise que se instalou após a saída da treinadora, que foi a primeira mulher a comandar a seleção feminina e também será pioneira no Santos, o dirigente tentou se justificar.

Segundo ele, os resultados da profissional à frente da equipe não foram satisfatórios; no entanto, é importante ressaltar que Emily assumiu o Brasil após a derrota no Rio 2016 e não teve grandes testes no período em que esteve no clube, de novembro de 2016 a setembro de 2017.

"A troca sempre é dura, triste e incomoda muita gente, mas [demitir a Emily] foi uma decisão da CBF em função dos últimos resultados. Ela tem toda a capacidade e o mérito, talvez só falte um pouco de maturidade", disse o coordenador em participação no Fox Sports.

Do outro lado, ela alegou não ter recebido da CBF um calendário apropriado para 2017, de modo que teve de buscar amistosos por contra própria para preparar o time.

Questionado a respeito da influência negativa de uma cultura machista sobre o desenvolvimento do futebol feminino brasileiro, Marco Aurélio disse não acreditar que o preconceito alegado pelas atletas seja tão decisivo.

"Eu acho que o machismo já afetou muito, mas hoje muito menos. O preconceito às vezes vem um pouco do lado de lá, do lado delas. A gente quer mostrar que não, mas as pessoas, por não serem atendidas em suas demandas, acabam achando que sim", respondeu o dirigente, na ocasião.

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