Violência volta a mudar rotina do Flu, que sofre com área de seu CT

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Lucas Merçon

    CT do Fluminense recebe atividades da equipe profissional tricolor

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A guerra urbana no Rio de Janeiro voltou a interferir na rotina de milhares de cidadãos e também na do Fluminense. Na última quarta-feira, uma operação policial na Cidade de Deus, área vizinha ao centro de treinamento do clube, levou pânico aos cariocas e suspendeu o treino tricolor na parte da manhã [o da tarde foi mantido].

Esta não foi a primeira vez que a violência alterou o cotidiano do clube, já que uma coletiva de Paulo Autuori também foi cancelada na última semana. Na ocasião a Linha Amarela, uma das mais importantes vias da cidade, foi fechada por conta de tiroteios.

Principal financiador do CT, o ex-dirigente tricolor Pedro Antonio, que também dá nome ao local, lembra que o caos social no Rio de Janeiro está espalhado por todos os cantos. Para ele, o problema não é localizado e os problemas enfrentados no dia a dia do Tricolor são só um retrato de uma triste rotina da cidade.

"Seja pobre ou rico, todos convivem com isso no Rio de Janeiro. A cidade está em guerra e ela acontece em todos lugares. As licenças necessárias para a construção da rua [nova via de acesso ao CT] já está nas mãos do Fluminense", disse ele.

A casa tricolor também já foi invadida por bandidos que mantiveram reféns alguns funcionários do local. Na véspera do Natal de 2016, dois seguranças foram agredidos e ficaram presos por três horas. Para quem trabalha no local, o barulho de tiros é frequente. A facção criminosa que domina o tráfico de drogas na comunidade já até criou um "código" de acesso para não criar problemas para jogadores e demais funcionários, mas ainda assim quatro seguranças pediram para não trabalhar mais no CT após a invasão.

UOL

Em julho de 2017, o fisioterapeuta Nilton Petrone, o Filé, foi abordado por três homens armados quando deixava o local após um treino. O profissional tricolor procurou manter a calma e deu uma camisa do Flu para eles. Equipes de emissora de televisão também já foram abordadas e liberadas após se identificarem.

As dificuldades no acesso são um entrave diário para quem frequenta o espaço. Como a obra ainda não está 100% concluída, há apenas uma via de chegada até o CT. No caminho estão montanhas de lixo e até uma barricada supostamente armada por bandidos. A poucos metros da entrada principal, o caminho cercado por mato é considerado uma rota de fuga. Sem sinalização e iluminação, o trajeto é considerado perigoso, especialmente durante a noite.

Para fortalecer os laços com a comunidade que cerca sua casa, o Fluminense estuda a possibilidade de fazer alguma ação mais concreta no local. O projeto de uma escolinha, por exemplo, não é descartado. Além das cestas básicas, o clube já enviou bolas e alguns jogos de camisa.

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