Espanha investiga acordo entre Nike e CBF e repasse de US$ 5 mi a Teixeira

Do UOL, em São Paulo

  • Acervo/Agência Estado

    Tribunal investiga suposto repasse para Teixeira; defesa de ex-dirigente nega ilegalidade

    Tribunal investiga suposto repasse para Teixeira; defesa de ex-dirigente nega ilegalidade

Ex-executivo da Nike, Sandro Rosell é investigado pela Justiça espanhola por lavagem de dinheiro em uma suposta comissão de US$ 26 milhões (R$ 96,7 milhões) recebida pela renovação de contrato da fornecedora esportiva com a CBF, em 2008.

De acordo com o jornal "El Confidencial", Rosell, que está preso desde o ano passado, ocultou o montante recebido ao fisco e teria repassado US$ 5 milhões (R$ 18,5 milhões) para Ricardo Teixeira, que presidia a CBF na época.

Alejandro García/EFE
Sandro Rosell intermediou renovação de contrato da Nike com CBF. Tribunal investiga se ele recebeu US$ 26 milhões pelo acordo.

Alvo de análise das autoridades da Espanha, o acordo de renovação da parceria Nike/CBF foi firmado em 2008, com validade até 2011. 

Autoridades espanholas suspeitam que o valor depositado por uma empresa de Rosell na conta de Teixeira teria servido para lavar dinheiro. 

Advogado de Ricardo Teixeira, Michel Assef Filho disse ao UOL Esporte que o ex-presidente da CBF recebeu legalmente os US$ 5 milhões de Rosell.

"Esse valor de US$ 5 milhões recebido pelo Ricardo não tem relação com o contrato [de renovação de contrato com a Nike]. Foi o pagamento de um empréstimo feito pelo Teixeira ao Rosell, tudo declarado às autoridades brasileiras. Inclusive o Rosell falou isso em depoimento na audiência nacional", comunicou a defesa de Teixeira.

Segundo a defesa de Teixeira, a operação de empréstimo foi feita em fevereiro de 2009. Na ocasião, Teixeira teria emprestado dinheiro a Rosell. De acordo com o jurídico do ex-presidente da CBF, Rosell teria devolvido a quantia em janeiro de 2012. Toda a operação foi declarada à Receita, enfatiza a defesa de Teixeira.

O advogado ressaltou que Ricardo Teixeira nunca recebeu intimação da Espanha pelo processo, e que Teixeira não é cidadão espanhol e por isso não está sob jurisdição da Espanha.

"Vamos tomar uma providência e enviar uma declaração de Teixeira para a Justiça Espanhola com uma explicação para ser juntada no processo", complementou o advogado de Teixeira.

Procurada pelo UOL Esporte nesta terça-feira, a CBF não quis se pronunciar. Em posição oficial, a Nike afirma que "acredita fortemente em ética e fair play, tanto nos negócios como no esporte, e repudia fortemente toda e qualquer forma de manipulação ou propina".

O fim do contrato intermediado por Rosell com Teixeira coincidiu com o início da gestão do espanhol como presidente do Barça. Ele deixou de representar a Nike assim que assumiu o Barcelona para evitar conflito de interesses.

Em comunicado à imprensa, a defesa de Rosell informou que a transação com Teixeira foi regular.

"A informação que vários meios de comunicação reproduziram não é novidade. Tanto é que o sr Rosell já declarou por este mesmo meio, com essas mesmas informações nas sedes policial e judicial. Em síntese, a remuneração que fazem referência não é proveniente de atividade ilícita, nem ilegal, mas sim de um contrato entre Nike e Ailanto, a empresa desportiva de Rosell no Brasil, que conta com uma importante estrutura e que se encontrava em dia".

Rosell criou empresa para vender jogos da seleção brasileira

A relação Nike/CBF já tinha sido alvo dos tribunais brasileiro e espanhol. Então presidente da CBF, Teixeira contratou empresa de Sandro Rosell para comercializar os amistosos da seleção brasileira. 

Para Rosell operar na comercialização dos jogos, foi fundada a empresa Fundación Regata, no Panamá, que recebia recursos da Uptrend, de propriedade de Rosell.

Era essa Fundácion Regata a responsável por transferir dinheiro recebido pelos jogos da seleção para a Europa. O dinheiro entrava no continente europeu por meio de contas em Andorra, operadas pelo espanhol Joan Besolí.

Conforme apresentou o Blog do Rodrigo Mattos em 25 de julho do ano passado, era Besolí quem distribuía o dinheiro para contas ou cartões de crédito de Teixeira e Sandro Rosell, apontados como cabeças da operação. Foram utilizadas ainda as empresas Itasca, BSM e Sports  Investments Offshore (SAL) para supostamente lavar o dinheiro, segundo a Justiça Espanhola.

Os documentos espanhóis apontam que Teixeira ficou com 8,4 milhões de euros e Rosell, com 6,6 milhões de euros. Além dos dois, outras cinco pessoas participaram da operação de lavagem de dinheiro.

Rosell está preso desde o ano passado sob a acusação de receber propina na intermediação de jogos da seleção brasileira.

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