Ex-zagueiro corintiano cita vaidade no elenco de 2005 e elogia time de 2000

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • AFP

    Marquinhos ao lado de Tevez em 2005: briga no treino acelerou saída para Atlético-MG

    Marquinhos ao lado de Tevez em 2005: briga no treino acelerou saída para Atlético-MG

De um lado, Rincón, Vampeta, Marcelinho, Ricardinho, Edilson e Luizão. Do outro, Tevez, Roger, Carlos Alberto, Mascherano e Nilmar. Comum aos dois elencos estrelados do Corinthians, o zagueiro Marquinhos, hoje no Avaí, comparou o ambiente dos dois vestiários.

Segundo o atleta que hoje defende o Avaí, o elenco corintiano de 2000, apesar de tantas estrelas juntas, tinha mais aspectos positivos que ajudavam na busca por resultados, enquanto a disputa entre os jogadores do grupo de 2005, de certa forma, atrapalhava em algumas situações.

"Era meio conturbado, muitas estrelas que sabiam que era só uma passagem. A vaidade tomava conta. Em 2000 era mais natural, a briga que tinha era para vencer", disse Marquinhos em entrevista ao UOL Esporte.

Revelado pelo Corinthians em 2000, Marquinhos chegou a treinar com o zagueiro Gamarra na temporada anterior. A experiência é guardada como uma das lembranças boas do Corinthians.

"Tive um aprendizado muito maior em 2000 [do que em 2005], porque eram mais jogadores de seleção. Joguei com o Fábio Luciano, mas cheguei a treinar com o Gamarra em 1999. Eu sentava na arquibancada do Parque São Jorge e ficava vendo ele jogar", lembrou Marquinhos.

Cinco anos depois, em abril de 2005, o zagueiro chegou a trocas socos com Tevez em uma atividade no Parque São Jorge. Depois de 13 anos, o zagueiro minimiza o episódio por ter sido "uma situação de momento" e tenta ver o lado bom da confusão. "Depois me liberaram e consegui jogar em outro clube", contou o jogador, que admite que se deixou levar pela empolgação.

Robson Ventura / Folhapress
Marquinhos reencontrou o Corinthians em 2015, dez anos depois de deixar o clube

"Subiu à cabeça. Eu era um menino da periferia, estava num grande clube, em seleções da base. Saía para noite, ia para o treino direto. São erros que muitos cometem. Quando você fica mais velho, vê as oportunidades que perdeu. Mas tudo é aprendizado, faz parte da vida", contou.

Marquinhos ainda fez parte da história de Jô no futebol. Quando Jô foi alçado aos profissionais, em 2003, o zagueiro já estava no time de cima havia três anos. Nos meses seguintes, o defensor passou a curtir a noite de São Paulo ao lado do centroavante.

"Quando ele subiu já estava três anos no profissional. Nos encontramos na Turquia depois. Brinco com ele que a primeira vez que ele saiu na noite foi comigo. Mas depois a cabeça dele mudou bastante. Conversamos bastante sobre isso depois, ele estava com a cabeça totalmente diferente. A vida vai mostrando o caminho, nós conseguimos mudar", afirmou.

De volta ao futebol

Em março passado, Marquinhos foi absolvido de uma acusação de doping por anabolizante. Considerado culpado no julgamento ocorrido em dezembro passado, o zagueiro entrou com um recurso e acabou absolvido por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

A primeira decisão, porém, atrabalhou os planos do atleta, que viu o Figueirense fechar o elenco em seguida, deixando-o de fora. Marquinhos alega que houve um erro de custódia. "A Wada cria uma série de procedimentos, no meu caso o erro foi no armazenamento [da urina]", disse.

Durante o processo, o jogador contou com a ajuda do meia Carlos Alberto, que passou por algo semelhante em 2013. Para provar a inocência, Marquinhos contratou o mesmo advogado e chegou a gastar por volta de R$ 200 mil com todas as despesas da operação.

"Minha carreira não ia terminar dessa forma, seria um peso enorme. Fico mais revoltado porque desde o início sabia que era inocente. Eu achava que sempre o jogador fazia alguma coisa nesses casos, mas quando aconteceu comigo vi que não. Tive de contratar um advogado especialista e gastei muito dinheiro para provar que era inocente", disse Marquinhos, que foi apresentado pelo Avaí no último dia 23.

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