Confusão em votação é mais um capítulo de caos na política do Santos

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

  • Marco Galvão/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    José Carlos Peres, atual presidente do Santos

    José Carlos Peres, atual presidente do Santos

A votação que decidiu pelo prosseguimento do processo de impeachment do presidente José Carlos Peres, na noite da última segunda-feira (10), contou com uma dose de confusão ao longo da sessão extraordinária que reuniu conselheiros para decidir o futuro do clube. Mais uma vez, o Santos deu mostras do caos político que ficou cada vez mais evidente nos últimos anos.

O impasse provocado ao fim da votação do primeiro processo, feito por Alexandre Santos e Silva, conselheiro eleito pela chapa de Modesto Roma Júnior, não resultou em maiores problemas para a sequência da votação e a aprovação do impeachment, que agora será definido pelos sócios. Mas deu ares de tensão para a reunião - que contou com mais de 200 conselheiros - e uma nova "arma" a Peres para ir à Justiça e adiar a decisão.

Para que os processos fossem adiante, eram necessários dois terços dos votos. Ao fim da contagem, os números foram os seguintes: 165 votos a favor, 74 contra, um branco e dois nulos, quantidade suficiente para dar sequência ao impeachment. A defesa de Peres, porém, questionou o quórum do pleito, uma vez que, inicialmente, foram contados membros do Comitê de Inquérito e Sindicância (CIS), o que não é permitido de acordo com o Estatuto.

De acordo com o estatuto, dois terços dos presentes devem votar a favor para que o processo de impeachment continue – e sem a participação de membros da Comissão de Inquérito. Nas contas de Peres, eram necessários 166 votos diante do total de presentes, e não apenas 165.

O presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Teixeira, chegou a confirmar a aprovação do processo, mas voltou atrás e precisou se reunir por alguns minutos com a Comissão do Estatuto para acertar as pontas. Retirados os membros da CIS da contagem total de votantes, o ex-presidente santista manteve o "sim" e deu início ao segundo processo, encabeçado por Esmeraldo Tarquínio Neto; foram 164 votos a favor, 72 contra, dois nulos e um branco.

Os números de ambos, na visão do Conselho, foram suficientes para a aprovação, mas deram margem para Peres ir à Justiça e tentar evitar o processo de impeachment nos tribunais. O próprio mandatário já adiantou, inclusive, que irá tomar as medidas legais para que isso aconteça.

Decisões na Justiça, aliás, viraram recorrentes na história recente do Santos, que ainda aguarda uma resposta da Conmebol para dar sequência à defesa do "caso Sánchez" – que tirou o Santos da Libertadores por conta da escalação irregular do jogador. No ano passado, outra polêmica tomou conta dos bastidores do clube: a demissão do gerente de futebol Sérgio Dimas por supostamente esquecer de inscrever o time na Libertadores – problema que foi contornado.

Os erros recorrentes que, teoricamente, seriam de simples administração, esquentam ainda mais os bastidores do clube da Vila Belmiro, que terá nos próximos dias mais momentos de turbulência por conta da tentativa de impeachment de José Carlos Peres. A princípio, a assembleia de sócios deve ser marcada para 29 de setembro.

Todos os sócios adimplentes com pelo menos um ano de associado terão direito ao voto para decidir o futuro do presidente em exercício. Caso a maioria voto contra a saída de Peres, o atual vice, Orlando Rollo, assume a presidência do Santos.

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