Por que jogadores estão mais engajados na política e apoiando Bolsonaro?

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Vorley/AGIF

    Felipe Melo declarou apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro

    Felipe Melo declarou apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro

Felipe Melo roubou a cena no jogo entre Palmeiras e Bahia. Não pelo gol que marcou, mas pela declaração polêmica ainda no gramado: "Agradeço a Deus pelo gol e à família. Esse gol vai para o nosso futuro presidente, Bolsonaro". O apoio a um candidato à presidência da República foi controverso. Gerou discussões sobre liberdade de expressão em programas de televisão. Movimentou os bastidores do Palmeiras. Até uma nota oficial o clube emitiu.

No mesmo jogo, o atacante Gilberto, do Bahia, comemorou o gol e fez homenagem ao mesmo Jair Bolsonaro, candidato à presidência do PSL. O atacante Lucão, artilheiro da Série B com 12 gols, foi para o microfone ao fim do clássico contra o Atlético-GO, no mesmo fim de semana, e desejou pronta recuperação ao presidenciável após o episódio da facada que levou em Juiz de Fora (MG).

Não é comum ver jogadores de futebol se manifestando sobre política e declarar seu voto tão abertamente. Especialmente no campo de jogo. Mas nestas eleições em que qualquer pessoa tem uma opinião apaixonada sobre quem votar, os atletas resolveram também dar sua opinião. Há quem tenha aderido à campanha #EleNão e se manifestado contrário ao candidato, como é o caso dos jogadores do Atlético-PR, o atacante Marcelo Cirino e o zagueiro Paulo André, que assinou um manifesto a favor da democracia. Mas nenhum jogador declarou publicamente apoio a outros candidatos.

O UOL Esporte conversou com jogadores e especialistas para entender o motivo: afinal, por que nos espantamos quando um atleta resolve assumir seu lado político?

Os boleiros que não escondem seu apoio

"Sou de Brasília, acompanho política, vivi muito de perto. Acompanho há muito tempo o Bolsonaro, me manifestei desejando melhoras. Sei que é uma pessoa correta, um homem de bem e tem o meu apoio. Não sou de me esconder quando vejo uma pessoa correta e gente conhece", afirma Lucão, em entrevista ao UOL Esporte.

A explicação do atacante do Goiás por seu apoio a Bolsonaro não é a única que você vai ver nas redes sociais de alguns boleiros. Pela internet, o apoio é ainda mais intenso. Lucas Moura, atacante do Tottenham, da Inglaterra, travou uma longa discussão com seus seguidores no Twitter ao defender o candidato.

O meia Carlos Alberto escreveu "Bolsonaro eu sou" em Stories do Instagram. Ex-jogador do Flamengo, Ederson postou uma imagem na mesma rede social dizendo que Bolsonaro "será ainda mais forte para salvar nosso país da corrupção". O atacante Dagoberto também vem alimentando seu feed com homenagens ao presidenciável. O ex-jogador Edmundo aparece em um vídeo anunciando seu voto.

Outros atletas, se não falam tão abertamente, dão indícios de que também vão digitar o número do candidato do PSL nas urnas eletrônicas. O atacante Rossi, do Inter, já postou memes de Bolsonaro feliz com as pesquisas e o chamou de 'mito'. Roger, do Corinthians, é amigo do deputado e em 2017 postou uma imagem ao lado dele em que o classificou como 'meu futuro presidente'. Jadson também declarou em uma entrevista que gosta dos valores de Bolsonaro e que votaria nele caso concorresse ao pleito.

Não é possível afirmar que Bolsonaro é líder de pesquisa entre os atletas do futebol brasileiro. Mas é curioso notar que muitos que expressam publicamente seu voto, seja em entrevistas ou nas redes sociais, o apoiam. Apenas para ilustrar, no último Pesquisão UOL, de dezembro de 2017, um questionário elaborado pelo UOL Esporte que entrevistou 111 jogadores dos principais times das Série A e B do futebol brasileiro, 20,72% declararam que votariam em Jair Bolsonaro se ele fosse candidato nessas eleições. O ex-presidente Lula aparecia em segundo, com 5,4% dos votos.

Pedro Ladeira/Folhapress

As pessoas estão mais engajadas

Depois de levantarem bandeiras na década 80 em prol da Democracia Corintiana e do movimento das Diretas Já, os jogadores de futebol se desconectaram. Críticas por serem 'alienados' eram frequentes, mas nos últimos anos, os atletas têm demonstrado maior interesse pela política. Um exemplo foi o movimento Bom Senso, de 2013, em que os atletas pediam melhores condições de trabalho. Em 2014, nomes expressivos, como Ronaldo e Neymar, já tinham declarado apoio a Aécio Neves nas eleições presidenciais.

O futebol é, sim, um reflexo da sociedade. O engajamento recente de jogadores reflete uma mudança de comportamento da população como um todo. Algo intensificado desde as manifestações de 2013, que levaram mais de um milhão de pessoas às ruas, e com os pedidos de Impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"É um sinal claro de que o eleitor está indignado. Com a classe política, com escândalos de corrupção, com os rumos do país, é um efeito colateral da Lava Jato, da superexposição de quantias bilionárias, das malas de dinheiro com milhões. Tudo isso foi deixando marcas até chegar a esse 'chega', esse 'basta'. Os jogadores são brasileiros, são do povo. Não é um grupo que pode dissociar", analisa Victor Trujillo, professor de marketing eleitoral da ESPM.

Luciana Amaral/UOL

Por que a opção por Bolsonaro?

Essa é a questão que fica mais evidente: por que, entre os 13 candidatos, justamente o do PSL fez seus eleitores boleiros se manifestarem em voz alta? Na visão do seu eleitorado, ele representa a indignação da população e a promessa de um rompimento com o sistema. É um voto de desabafo. O discurso populista inflamado, especialmente no combate à corrupção e à criminalidade, pode conquistar muita gente.

"O que me chama atenção é que ele é um candidato ficha limpa, que não tem rabo preso com ninguém, único que tem capacidade de fazer alguma coisa. Não vai resolver tudo, ele desconhece alguns assuntos. Mas ele vai ter especialistas, como o grande economista que é o Paulo Guedes. Ele representa bater de frente com o sistema. Coisa que outros fazem por troca de favores, para esse início é preciso uma mudança meio que radical pras coisas", afirma Carlos Alberto, meio-campista com passagens importantes por times como Corinthians, São Paulo, Botafogo, Vasco e Grêmio – e campeão da Liga dos Campeões pelo Porto.
O mesmo pensamento é compartilhado por um jogador de um time grande da elite do futebol brasileiro que não quis revelar seu nome. "Eu penso da mesma forma que o brasileiro. Está cansado de corrupção, violência. O brasileiro de bem não quer corrupção, essa coisa de muito roubo. É uma revolta com o cenário. Quer mais uma coisa limpa. Principalmente esse último mandato da Dilma teve muita sujeira, gasto público, deputado gastando muita coisa, deputado com dinheiro em apartamento, muita corrupção. A gente imagina um Brasil mais limpo".

"A forma como ele se comunica, as características de linguagem, a expressão. Ele consegue se comunicar com o povo. Embora o perfil de eleitor dele seja de elite, ele resumidamente quer mudar o sistema: 'vamos mudar isso que tá aí'. Ele conseguiu com êxito se apresentar a esse eleitor indignado, que não quer mais do mesmo, cansado, impaciente, machucado. Conseguiu se mostrar como aquele que vai mudar o sistema.  Principalmente tentando subverter algumas coisas, promover rupturas em relação ao desarmamento"

Victor Trujillo, professor de marketing eleitoral da ESPM.

Reprodução/Instagram

Discurso inflamado contra criminalidade: 'bandido bom é bandido morto'

Uma das maiores bandeiras dos atletas é a forma de combate à violência e à criminalidade com o lema 'bandido bom é bandido morto' e contra a defesa dos direitos humanos. Felipe Melo, por exemplo, anda com carro blindado, tem medo que a sua família sofra violência e é adepto desse pensamento. O jogador viveu por muitos anos fora do Brasil em países onde ele tinha um sentimento de segurança urbano maior. O impacto de voltar e encarar uma realidade diferente foi grande.

Reprodução/Instagram

A defesa do aumento do poder da Polícia Militar é fruto desse impacto. No fim do ano passado, o volante emitiu opinião sobre uma enquete do programa Encontro com Fátima Bernardes que perguntava quem deveria ser salvo primeiro: um policial levemente ferido ou um traficante com risco de morte? "Independentemente de qualquer circunstância, um traficante não pode ser salvo antes de um policial. Estou chocado de tão ridículo o resultado dessa enquete que foi feita pelo programa da Fátima Bernardes", escreveu em suas redes sociais.

"A maioria dos jogadores de futebol vem de classes menos favorecidas e a gente está cansado de viver certas coisas. Outro dia, vi uma postagem de uma matéria. Era um cara falando de presidiários. Um cidadão que trabalha vai sustentar vagabundo na cadeia?", questiona Carlos Alberto.

"Você não vai combater violência com flor. Tem de tomar medidas à altura do tipo de violência"

Lucão, atacante do Goiás

Conservadorismo e religião

A sintonia do discurso de boleiros com o candidato do PSL não para por aí: as ideias conservadoras têm estreita ligação com o meio do futebol, em que uma grande parte dos atletas é praticante de alguma religião cristã.  

"Bolsonaro é um candidato que faz questão de enfatizar sua religiosidade a cada discurso. Com exceção do caricato Cabo Daciolo, não me parece haver outro candidato que defenda valores cristãos com tanta ênfase como Bolsonaro. No meio futebolístico, isso tem muito valor", comenta Aníbal Chaim, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, autor do livro A bola e o Chumbo (2014).

Em seu Instagram, Dagoberto usou a mensagem para justificar seu voto: "Família, moralidade, justiça. Se você não tem a mesma opinião apenas respeite a minha !!! Feliz a nação cujo Deus é o senhor".

O atacante Lucão concorda com o ideal conservador: "Esse mundo em que a gente vive tem muita violência, muitas coisas ruins. De repente, chega uma pessoa de opinião forte, patriota, que vem de uma família de bem. Vai nos representar muito bem. Chegou esse dia. Tem que ser uma pessoa que expressa sua opinião, o modo de pensar, conservador, protetor".

Ideal de masculinidade na sociedade

O ambiente do futebol é predominantemente masculino, não existem homossexuais declarados no esporte profissional e a força bruta e a virilidade são valorizadas. Além disso, cerca de 85% do eleitorado do candidato é formado por homens. É mais um ponto que o aproxima dos jogadores. A escolha de palavras dos atletas ao justificar seu voto mostra isso.

"O cara tem que ter colhão para fazer algumas coisas. Quando nasci, nasci no morro, em uma situação adversa para uma criança de 6 anos. Minha infância foi complicada. O meu pai teve força, vontade e dedicação para mudar a situação e não me dar desconforto para que eu pudesse me encaminhar. O líder tem que ter essas características. Quem lidera com braço frouxo vai ter gente covarde por perto. Mulheres e homens podem [exercer o cargo]. Se fosse uma mulher, teria que ter os mesmos preceitos", diz Carlos Alberto.

"Bolsonaro apresenta um discurso que é bruto, sintético e, de certa forma, agressivo. A comunicação entre atletas, especialmente quando em campo de jogo, também é bruta, sintética e, de certa forma, agressiva. Pelo que as pesquisas têm mostrado, este tipo de postura/discurso tem mais aceitação entre os homens do que entre as mulheres", afirma Aníbal Chaim.

Celso de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra), acredita que há uma crise cultural masculina que faz homens se identificarem com o candidato do PSL. "O Bolsonaro, como vários candidatos da extrema-direita no mundo, tem um apelo grande ao público masculino. Há um estereótipo de masculinidade, de ser machão, essas besteiras que impressionam os homens, e o Bolsonaro reforça isso. É disparado o candidato que tem maior diferença [de apoio] entre homens e mulheres até hoje. Isso nunca foi expressivo no Brasil. O percentual sempre foi muito parecido, mesmo com candidatas mulheres como Dilma e Marina".

"Tem jogadores ruins que precisam apelar. Podem ser grossos e violentos para cultivar uma imagem de cão de guarda. Há um certo casamento. É uma doença dos homens na sociedade moderna. Aparentemente, esse tipo de valor é uma crise de cultura. A necessidade de afirmar essas coisas: 'sou homem'. A gente fala que o Brasil tem problemas com mulheres, mas o Brasil tem problemas é com seus homens".

As acusações a Bolsonaro

Apesar de ser líder das pesquisas, com 28% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Ibope, publicada na segunda-feira dia 24 de setembro, Bolsonaro é também quem tem a maior rejeição. Esse índice aumentou e chegou a 46% na mesma pesquisa. Seus críticos o acusam de ser fascista, representar uma ameaça à democracia por declarar apoio à ditadura. As opiniões de seu vice, General Hamilton Mourão, ao afirmar que uma nova Constituição não precisa ser elaborada por parlamentares eleitos e, sim, por uma comissão de notáveis e declarar que o presidente possa dar um 'auto golpe' para evitar uma anarquia , também assustam a sociedade.

Reprodução/Facebook

Bolsonaro também é acusado de enriquecimento ilícito, de receber propina da JBS e tem sua efetiva participação em 27 anos de mandato no Congresso Nacional questionada. Carrega, ainda, outros pontos controversos, como o fato de não abrir mão de benefícios parlamentares. As acusações envolvem o uso de verba da Câmara dos Deputados para empregar uma funcionária fantasma e o recebimento de auxílio-moradia mesmo sendo dono de um apartamento em Brasília.

Além disso, é acusado de adotar discursos de ódio, estimulando o racismo, o machismo, a misoginia e a homofobia. A declaração contra quilombolas o levou a ser denunciado pela procuradora geral da República Raquel Dodge ao Supremo Tribunal Federal (STF) por racismo. O STF, porém, decidiu que Bolsonaro não deveria ser denunciado.

Os jogadores, no entanto, o defendem:

"Todas as polêmicas que surgiram contra ele, chegaram a ter processo e ele ganhou. Não vale nem a pena dar assunto se ele já ganhou na Justiça, se não se prova nada contra ele. Nunca fez gesto de discriminação ou qualquer coisa contra qualquer pessoa. Ele que sempre foi agredido, sempre sofreu atentado como agora. Distorcem o que ele fala para tentar não deixar ele assumir"

Lucão, atacante do Goiás.

"Como um cara homofóbico vive postando foto com homossexuais? Já vi várias. Racista? Eu sou negro. Quando o cara não tem o que falar, cria situações. Cada um interpreta da maneira que quer. Um cara que tem opinião vai ser polêmico. Vai ter opinião contrária a uma outra. Jogadores gostam de sinceridade"

Carlos Alberto, meia

"Machismo não acredito, falam muito que ele não protege mulheres, mas o projeto (que ele apresentou e) que não foi aceito foi a castração (química) de estupradores, justamente para defender mulheres. Eu não entendo esse tipo de coisa"

Jogador de um time da Série A que falou em condição de anonimato 

A socióloga Esther Solano, professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Unifesp, escreveu o livro "O ódio como política" e fez pesquisas com eleitores de Bolsonaro. Na visão dela, o eleitorado do presidenciável minimiza seu discurso. "O discurso de Bolsonaro continua sendo muito duro e antidemocrático do ponto de vista do conteúdo, mas a forma como se apresenta ameniza, parece algo mais leve e folclórico e as pessoas compartilham no Facebook, WhatsApp, You Tube. As pessoas gostam porque ele se apresenta como candidato que fala o que pensa, sincero, honesto, que não se deixa levar pelo marketing eleitoral. Que não tem roteiro definido, como outros candidatos. ", disse ela, em entrevista recente ao UOL.

Por que não só votar, mas expressar isso publicamente?

"Há uma indignação do eleitor e a crença de que, com as suas atividades, vai mudar o Brasil. Ele está certo disso. Ele acredita que mudar o cenário depende dele e ele faz diferença nesse processo. Acredita que esse protagonismo faz diferença. Não acredita na vontade do povo, no sistema, nas instituições. A crença é de que eu faço a diferença individualmente com as minhas postagens. Ao mesmo tempo, não acredita na coletividade. 'Acredito que as pessoas não têm discernimento para decidir sozinhas, então e preciso convencê-las. Vocês votam errado, tem que pensar como eu'", explica Victor Trujillo, professor de marketing eleitoral da ESPM.

Nessas eleições, esse desejo de protagonismo do eleitor é turbinado pelas redes sociais. O ativismo digital é a marca da atual campanha eleitoral. "A novidade é o engajamento sem precedentes, por pessoas que não são pagas. Não são funcionários, são eleitores indignados, engajadíssimos. Militantes na internet, nas redes sociais. Tem muito robô, postagem impulsionada. Mas não é nada perto da postagem engajada", finaliza Trujillo.

No caso dos eleitores do Bolsonaro, esse engajamento aumenta porque ele não tem o mesmo tempo de TV que alguns de seus concorrentes e os eleitores se sentem como soldados recrutados para uma guerra. "A gente tem que impulsionar, já que é formador de opinião. Impactar outras pessoas. O Bolsonaro não tem campanhas milionárias e eu nunca vi um apelo tão grande nos meus 33 anos para candidato nenhum. O povo está demonstrando isso por vontade própria, sem pressão, a gente como cidadão. Não estou ganhando nada para votar nele. Não estou dizendo que vai ser salvação. Como atleta, tudo o que a gente faz acaba virando referência. Corte de cabelo, maneira de vestir. Por que não fazer o mesmo na hora de opinar para a escolha da presidência da República?", afirma Carlos Alberto.

"Diferentemente de outros candidatos – com exceção de João Amoêdo –, Bolsonaro não tem tempo de TV nem uma estrutura partidária para divulgar sua mensagem. Então é possível que figuras públicas que comungam de seus valores sintam-se incumbidas de se manifestar para dar ao candidato a publicidade que ele não possui por outros meios".

Aníbal Chaim, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo

Vontade de expor x retaliação

Expor sua opinião também tem seu preço. Em um cenário de polarização da política atual, qualquer manifestação vem acompanhada de críticas e discursos raivosos. Muitos jogadores se negaram a dar entrevistas para esta matéria. Eles sentem medo ou são orientados por suas assessorias de imprensa para não se comprometerem e lidam com restrições veladas em seus clubes.

Durante a apuração, a reportagem fez entrevista com um atleta de um dos principais clubes do país. Após a conversa, ele se arrependeu e entrou em contato dizendo que não era do seu interesse se manifestar sobre assuntos fora do futebol e pediu que não fosse publicado. O UOL Esporte decidiu publicar as aspas, mas preservar o anonimato.

O atacante Roger, quando defendia o Botafogo, publicou uma foto em seu Instagram ao lado de Bolsonaro com a legenda. "Foi muito bom passar algumas horas com você, meu futuro presidente. Tô contigo sempre! Deus te abençoe com muita sabedoria para governar essa nação". O jogador recebeu xingamentos e atos hostis e apagou o perfil na rede social.

Outros atletas sofreram retaliações. Lucão foi xingado após desejar boa recuperação ao candidato e lamenta. "Como eu vivo no esporte, tenho um público muito grande. Isso acaba também trazendo incômodos, às vezes muitos não se manifestam por esse medo. Mas tem que respeitar a opinião de cada um. Não sou fanático, mas eu tenho o meu voto e a minha opinião. Sempre tem comentários maldosos. Fui bem-criado pela minha mãe para respeitar a opinião dos outros, muitos não têm esse respeito. Só que eu não ligo, o que dizem não me ofende. Infelizmente, faz parte", disse.

Marcello Zambrana/Agif/Estadão Conteúdo

Jogadores contra Bolsonaro

São raros os atletas que se manifestaram contra Jair Bolsonaro. Marcelo Cirino, atacante do Atlético-PR, foi um deles. Ele postou a hashtag #EleNão em seu Stories, campanha que simboliza a rejeição contra Bolsonaro nas redes sociais.

O zagueiro Paulo André, do Atlético-PR, também se posicionou. O atleta assinou o manifesto 'Democracia Sim', que está circulando nas redes sociais e tem como objetivo fortalecer os preceitos democráticos do país. O documento está recebendo a adesão de personalidades, entre artistas, atletas e intelectuais, e considera que "a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial".

Procurado pelo UOL Esporte, Paulo André foi econômico ao comentar o assunto, mas postou em seu Twitter. "Somos diversos. Mas compartilhamos o compromisso com a democracia".

Outros nomes ligados ao futebol que também assinaram o manifesto foram os ex-jogadores Raí e Walter Casagrande, hoje comentarista da TV Globo. 

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos