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Seleção tenta esquecer Rússia e Copa América vira obsessão de geração Tite

Pedro Martins / Mowa Press
Tite comanda treino da seleção brasileira em Londres antes de amistosos da seleção Imagem: Pedro Martins / Mowa Press

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de St. Albans (Inglaterra)

2018-11-14T04:00:00

14/11/2018 04h00

A cada vez que um atleta se senta em entrevista coletiva para responder perguntas, o fracasso na última Copa do Mundo bate à porta da seleção brasileira. É como se a página ainda não tivesse sido virada após a eliminação nas quartas de final na Rússia. Essa impressão não encontra respaldo, no entanto, dentro dos corredores da equipe: em seu discurso, a nova obsessão é a Copa América a ser disputada em casa, no ano que vem.

A princípio, para os mais desavisados, pode soar forte chamar de obsessão, mas, neste caso, retrata com fidelidade a forma que jogadores e comissão técnica se preparam para a competição.

Não é exagero dizer, trata-se de uma forma de não deixar todo um trabalho se perder e, mais do que isso, proteger o seu legado, com recordes que foram atropelados no caminho para o Mundial, a conquista de mais empatia com o torcedor e a recuperação, ainda que parcial, do perseguido ‘jogo bonito’.

Em entrevistas, o assunto é trazido quase sempre de forma espontânea por quem está sentado do outro lado da mesa, não pelos repórteres.

É como se na tentativa de deixar o fantasma da derrota para a Bélgica para trás de uma vez, se passasse o recado: no vestiário, não se fala mais nisso, somente na Copa América, a prioridade absoluta para resguardar a ‘geração Tite’ de qualquer ameaça.

“Já está no nosso discurso, é nosso principal objetivo. Desenvolvemos um trabalho muito bom até a Copa do Mundo e durante ela, mas nossa confiança tem que seguir e um título seria muito importante. O pensamento é se preparar da melhor maneira para que todos estejam no auge em seus clubes e na seleção”, afirmou Alisson, na última segunda-feira (12), após treino em Londres.

“Não é nada fácil, mas seria importante dar essa alegria ao nosso torcedor. Muitos jogadores não têm um título com a camisa da seleção”, completou.

Lucas Figueiredo/CBF
Atacante Douglas Costa falou que Copada Rússia virou passado Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
A campanha no Mundial segue onipresente, ainda assim.

Na terça-feira (13), por exemplo, Douglas Costa e Marquinhos foram indagados a respeito e responderam de forma similar.

“É um assunto que não rola mais porque já passou. A gente sabe que a Copa do Mundo doeu, tínhamos uma expectativa grande. Temos que pensar na próxima competição, no Brasil. A Copa ficou para trás”, disse Douglas.

Quando Tite, em especial, se manifesta, é clarividente a preocupação com o resultado na Copa América e as consequências que ele terá na continuidade do que foi feito até aqui. Não por acaso, após uma fase de observação de novos nomes, o técnico definiu que o foco estará todo concentrado na competição a partir do próximo semestre.

Antes dela, ele terá inicialmente apenas mais uma chance de reunir o seu elenco, em março, e adiantou que a sua base será a mesma da Copa do Mundo. Ou seja, formada por veteranos como Miranda, Filipe Luis e Paulinho, que terão 38, 37 e 34 anos, respectivamente, em 2022.

Mesmo num período que se acreditava ser de renovação, Tite sugeriu que ela não viria como esperado. Em somente um jogo, contra El Salvador, ousou mais e escalou apenas cinco remanescentes da Rússia. Nos demais, a média ficou de oito para cima. Ele nega que a pressão pelo título em casa interfira em seu planejamento.

A seleção encerra o ano contra o Uruguai, na próxima sexta-feira (16), no Emirates Stadium, em Londres, e depois se desloca até Milton Keynes para enfrentar Camarões, na terça seguinte (20).

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