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Caso Daniel: mãe de gêmeo preso fala em represália e mentiras de Brittes

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Eduardo Purkote foi preso pela polícia por suposto envolvimento na morte do jogador Daniel Imagem: Reprodução

Karla Torralba*

Do UOL, em São Paulo

2018-11-19T04:00:00

19/11/2018 04h00

Depoimentos de testemunhas e de Edison Brittes Júnior, o Juninho, que confessou ter matado Daniel Corrêa, transformaram o gêmeo Eduardo Purkote, 18 anos, no sétimo suspeito de ter participado da morte do jogador em 27 de outubro. Ele está preso desde a última quinta-feira (15). Em entrevista ao UOL Esporte, a mãe do suspeito, Viviane Purkote, aponta contradições nos relatos, diz que seu filho não conhecia Daniel e fala que ele não mantinha relação com a família Brittes.

Eduardo foi apontado como um dos agressores da vítima. Uma testemunha também afirmou que foi o jovem quem pegou a faca do crime e entregou o objeto a Juninho e que o gêmeo quebrou o celular de Daniel. O suspeito dará novo depoimento à Polícia Civil do Paraná nesta segunda (19).

Para Viviane, os depoimentos contra seu filho podem ser represália pelo fato de Eduardo ter mostrado a contradição das versões de Edison Brittes ao negar arrombamento da porta do quarto onde estava Daniel e que houve gritos de socorro vindos do local (Juninho alegou que arrombou a porta após ouvir gritos de sua esposa, Cristiana, que estaria sendo estuprada por Daniel).

"Meu filho está muito abalado e depressivo", disse Viviane. "Estou desesperada, pois do dia para a noite meu filho passou de testemunha a 'criminoso'. Está há 3 dias preso injustamente, por testemunhos mentirosos que ainda não entendemos o motivo".

Mãe alega cor de camisa diferente do relatado por Juninho

Viviane Purkote disse que seu filho Eduardo estava de camiseta cinza clara no dia do crime e não escura como disse Juninho. "Sempre peço a meus filhos para mandarem foto das festas que estão, tanto que às 4h09 da manhã de sábado recebi uma foto de meu filho na qual meus dois filhos aparecem um de camiseta branca e outro de camiseta cinza clara. Isso contraria o depoimento do Edison que cita o gêmeo de camiseta escura como sendo o agressor do Daniel", alega.

Edison Brittes disse em depoimento que: “no momento da raiva todos bateram em Daniel, os homens, nomeando Purkote, David, Ygor, Eduardo, além do interrogando, relatando que, o Purkote, por serem irmãos gêmeos, informa que quem agrediu foi o que estava com a camiseta escura, não sabendo o nome dele”.

“informa que o tempo que foi levar o Daniel para rua o celular foi quebrado por Purkote, o qual havia ficado na casa do interrogado... No seu retorno perguntou pelo celular, sendo que Purkote disse que havia quebrado o celular de Daniel”.

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

A relação de Eduardo com Daniel e a família Brittes

"Meus filhos conheceram a Allana e sua família, no final do mês de agosto de 2018, através do convite de um amigo em comum. Minha família nunca ouviu falar destas pessoas ao contrário do que cita algumas reportagens que ‘eram amigos de escola’. Eles voltaram a falar nesta menina no final do mês de outubro de 2018 quando esse mesmo amigo falou da festa de 18 anos e se eles queriam ir para colocá-los na lista, meus filhos pediram e eu concordei", explicou Viviane.

"Nem eu nem meus filhos conhecíamos o Daniel, nunca ouvimos falar dele. Em momento algum souberam da presença do jogador Daniel na boate, pois o local estava muito cheio e eram dois camarotes reservados, meus filhos ficaram com os amigos aqui da cidade. Na casa também não o viram. Lá não notaram a chegada e a presença do Daniel, pois eles ficaram na parte de trás da casa no salão de festas”.

Mãe teme que acusações sejam represália por 1º depoimento

Viviane disse que acredita que Eduardo Purkote passou a ser acusado por testemunhas e por Edison Brittes por ter relatado "a verdade em seu depoimento".

Edison Brittes afirmou em depoimento que tentou proteger testemunhas e outros envolvidos em agressões antes de relatar mais nomes que bateram em Daniel no dia do crime, como Eduardo. 

"Sabíamos que o depoimento de meu filho traria uma reviravolta no caso, pois ele relatou sobre a porta não ter sido arrombada, por não terem ouvido os gritos de socorro da Cristiana e outros detalhes, estávamos com nossas consciências tranquilas. Jamais imaginávamos o que estaria por vir, pois no decorrer dos depoimentos das pessoas ligadas diretamente à família Brittes muitas controvérsias entre si e em cada um deles querendo envolver meus filhos de alguma forma diferente no caso, fomos ficando muito preocupados. Até que veio a 'justificativa' do Edison que estava tentando preservar 'o filho de um político famoso na cidade', aí começamos a ver que as coisas estavam se encaminhando para um lado pessoal”.

Viviane concorreu nas eleições de 2016 ao cargo de vereadora de São José dos Pinhais pela Rede, mas perdeu. Seu marido foi vice-prefeito da cidade. "Meu marido já não tem mais contato algum com a política há 6 anos, quando concluiu o mandato como vice-prefeito da cidade", ressaltou.

Viviane relata "inquietação de filhos" após morte

"No dia 27 de outubro pela manhã eles comentaram que estavam indo para o apartamento de outro amigo no centro. Percebi que algo havia acontecido pela mudança repentina de planos. Quando chegaram em casa percebi algo estranho no ar, estavam muito nervosos e apreensivos. No domingo (28), à noite percebi uma inquietação maior ainda entre os dois. Depois vim a saber que a Allana começou a ligar insistentemente para um dos meus filhos, que não atendia o telefone. Quando recebeu uma mensagem dela dizendo que era para ele atender ao telefone e passar o endereço, pois ela e seus pais estavam vindo a nossa casa e seu pai tinha que conversar com eles. Meu filho atendeu ao telefone em pânico e combinou então para que se encontrassem no shopping no outro dia por ser um local público e com câmeras. Ao contrário do que falam, 'do almoço descontraído' no shopping, meus filhos estavam apavorados”.

* colaborou Pedro Lopes

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