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Com sacrifício, gol e até chutão, Neymar mostra por que manda no PSG

Clive Rose/Getty Images
Imagem: Clive Rose/Getty Images

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris (França)

29/11/2018 04h00

O aquecimento do Paris Saint-Germain em campo não tem a participação de Neymar. No vestiário, o brasileiro faz alongamento e massagem e deixa um suspense sobre o estado físico após passar a semana com lesão no adutor direito. O esforço inclui horas em casa de tratamento e duas idas por dia ao clube para uma recuperação recorde. E a recompensa veio com gol, e atuação de supercraque na vitória por 2 a 1 diante do Liverpool, na noite de quarta-feira, no Parque dos Príncipes, em Paris, pela Liga dos Campeões. O camisa 10 mostrou por que manda no clube.

No jogo considerado uma final valeu até chutão em direção à arquibancada para tirar a bola da zona de defesa. Com a torcida, por sinal, a sintonia foi grande, com gestos pedindo gritos a vários momentos. Em um deles, no segundo tempo, Neymar não viu nem o passe de Kimpembe por estar de costas se comunicando com os torcedores.

"Eu extravaso. Em jogo assim são nervos a flor da pele e agora uma sensação de alívio muito grande. Foi muito gratificante por tudo que vivi na semana e agora é hora de comemorar", avisou Neymar ao fim do jogo.

"Foi difícil chegar nesse jogo. Fiz tratamento de manhã até de noite, todos os dias e fiz esforço grande. Se não fosse um jogo tão grande talvez eu não jogaria, pois não joguei 100%. Fico feliz pela entrega e ter aguentado até o final. Esforço de jogador é isso", detalhou.

Na energia passada no estádio, Neymar também contagiou os jogadores do PSG. Para o capitão Thiago Silva coube os gritos de motivação no minutos finais de jogo para o zagueiro esbaforido: "Vamos, não para não. Você está jogando muito".

Do quarteto de ataque ao lado de Di Maria, Mbappé e Cavani, Neymar foi o único não substituído "Tive incômodo, dor, mas algo normal durante o jogo. Depois a gente trata. Vale a dor, vale o esforço para que possa participar de jogo assim", destacou o camisa 10.

A atuação ainda teve a clássica carretilha nos minutos finais, várias discussões com árbitro e bate boca com os adversários. Ao se dirigir ao bandeirinha para reclamar do pênalti marcado contra o PSG, ele se irrita com o empurrão do lateral do Liverpool, Robertson, e inicia uma confusão generalizada. 

Para a imprensa francesa, Neymar já nem precisava provar o status de ser "o cara" do PSG. Para apresentar o jogo, o tradicional jornal esportivo francês L´Equipe exibiu reportagem com a manchete: "Não, Neymar não é Ibrahimovic". A ideia foi a de comparar o brasileiro com o sueco, marcado negativamente no clube pelo rendimento ruim em jogos decisivos. 

"Cara, a gente conhece o Neymar e sabia que ele não perderia um jogo como esse. A atuação dele foi incrível e sabemos do potencial que ele tem para ser o melhor do mundo e fazer jus ao status que tem aqui no PSG", disse o goleiro brasileiro do Liverpool, Alisson.

A busca pelo prêmio de melhor jogador do mundo foi o principal motivo da troca de Neymar do Barcelona pelo PSG. A ideia de sair da sombra de Messi era a de provar de que pode "mandar" em um time e o transformar em multicampeão. Com a primeira temporada abaixo do esperado, com eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões, e a séria lesão no pé direito, o camisa 10 deixou a impressão de escolha errada. Uma eliminação na fase de grupos na atual edição ainda reforçaria a tese. Só que a atuação contra o Liverpool gera uma sobrevida para que em 2019, o brasileiro possa brigar para alcançar o patamar desejado.

"Sabíamos que era um tudo ou nada e que iríamos para casa vivo ou morto. Que alívio. Não vamos parar por aqui, pois tem mais jogo assim pela frente", avisou Neymar.

Para atingir as oitavas de final da Liga dos Campeões, o PSG precisa empatar com o Estrela Vermelha, em Belgrado, na Sérvia, na última rodada. Caso perca o confronto, a equipe francesa torce para que o Liverpool não vença o Napoli na Inglaterra.

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