Ponte questiona "gato" no Goiás, mas CBF não vê risco de punição a clubes

Marcello De Vico, Pedro Ivo Almeida e Pedro Lopes

Do UOL, em Santos e São Paulo

  • Rosiron Rodrigues / Goiás E.C.

    Lateral esquerdo Ernandes comemora gol do Goiás sobre o Fortaleza, em jogo da Série B

    Lateral esquerdo Ernandes comemora gol do Goiás sobre o Fortaleza, em jogo da Série B

A Ponte Preta recebeu uma denúncia de irregularidade do jogador Ernandes e se movimenta para entrar na Justiça, mas a medida não deve provocar uma reviravolta no resultado da segunda divisão do Campeonato Brasileiro de 2018. Lateral esquerdo do Goiás na Série B (em 31 jogos) e do Ceará na Séria A (em uma partida), ele possui datas de nascimento conflitantes: no registro da CBF e dos clubes, aparece como nascido em 1987; no cartório de sua cidade natal, São Felix do Araguaia (MT), seu nascimento é registrado em 1985.

As discrepâncias foram publicadas pela Rádio Central de Campinas e confirmadas pelo UOL Esporte, que teve acesso aos documentos.

O Goiás conquistou o acesso para a Série A, mas em caso de perda de pontos, correria o risco até de ser rebaixado para a Série C. Com isso, a Ponte Preta ficaria com o acesso e o Paysandu evitaria o descenso. Já em relação ao Ceará, a equipe ficaria com o rebaixamento no lugar do Sport. A Confederação Brasileira de Futebol, entretanto, não vê nenhum risco de aplicação da punição.

Em contato com a reportagem, a entidade que comanda o futebol brasileiro afirmou que não existe jurisprudência de aplicação de perda de pontos a clubes em casos como esse. Em geral, problemas nos registros pessoais dos atletas geram punições aos próprios jogadores, mas não chegam a afetar os clubes e tabelas dos campeonatos.

"É uma questão clara do regulamento geral de competições. A irregularidade no ato do registro não é uma irregularidade na condição de jogo. Ele tinha condição. Não é nem um caso de STJD. A CNRD [Câmara Nacional de Resolução de Disputas] que vai apreciar. Dois anos a mais ou a menos não tem impacto esportivo no Brasileirão. O registro está errado há 20 anos. Não vejo uma punição ao clube. O RGC [Regulamento Geral das Competições 2018] é claro quanto a isso", explica Reynaldo Buzzoni, diretor de registros da CBF.

O artigo 35 do regulamento geral de competições, em seu parágrafo terceiro, reflete a explicação do dirigente. "Eventual irregularidade de ato de registro e/ou transferência não se confunde com irregularidade da condição de jogo, sendo de competência da CNRD, na forma de seu Regulamento, apreciar e julgar tais irregularidades".

Jogador tem discrepâncias entre datas de nascimento e dois CPF's

Segundo informações do Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do próprio site do Goiás, Ernandes Dias Luz nasceu no dia 11 de novembro de 1987 e, portanto, teria 31 anos. Porém, o UOL Esporte teve acesso a uma certidão de nascimento, no cartório de São Felix do Araguaia, na qual consta a data de nascimento de 11 de novembro de 1985 (33 anos) e registro em setembro de 1986.

No próprio site da Receita Federal, o jogador tem dois CPF's registrados: o de 1985 aparece com a situação cadastral 'suspensa', enquanto o de 1987 está regular.

Goiás ainda não conseguiu contato com Ernando

Procurado pela reportagem, o gestor de futebol do Goiás, Túlio Lustosa, informou que Ernandes ainda não foi encontrado e que o clube pretende falar com o atleta antes de tomar alguma posição oficial sobre o caso.

"A gente ainda não conseguiu contato com o Ernandes para averiguar qual a história real. Não vai haver punição. Temos que saber se a história verídica, mas pelo que consultamos parece que sim. É uma situação muito difícil para o clube porque é um atleta que jogou toda carreira com essa identidade, que foi feita antes de completar 18 anos... Primeiro vamos conversar com o atleta, ver o que ele tem para falar com a gente, e aí sim vamos nos pronunciar oficialmente", afirmou.

Ernandes tem contrato com o Goiás só por mais alguns dias - até 6 de dezembro - e havia sinalizado ao término da Série B que pretendia continuar no clube para 2019. Além do clube esmeraldino e do Ceará, ele acumula passagens por América-MG, Atlético-GO, Sampaio Corrêa e Vitória, entre outros.

O que dizem os clubes

Segundo apurou o UOL Esporte, a Ponte Preta tem documentos e informações sobre o caso e já sinaliza com a intenção de entrar na Justiça. O clube inclusive concederá uma entrevista coletiva às 9h desta terça-feira (4) para esclarecer como o clube irá agir. O presidente José Armando Abdalla, o diretor jurídico Giuliano Guerreiro e o advogado João Felipe Artioli estarão presentes.

"A Ponte Preta informa que foi pega de surpresa em relação à notícia divulgada nesta tarde pela imprensa sobre uma suposta irregularidade de um atleta do Goiás. A Macaca está buscando informações e documentos a respeito para se embasar melhor e verificar, primeiramente, a veracidade da informação e - em seguida - definir os próximos passos e quais medidas serão tomadas. Assim que isso ocorrer, o Departamento Jurídico irá se pronunciar a respeito do caso", divulgou o clube campineiro.

O Goiás, por sua vez, se diz tranquilo quanto à situação e alega que, caso haja algum tipo de punição, seria ao atleta, e não ao clube.

"No Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ernandes Dias Luz nasceu no dia 11 de novembro de 1987, ou seja, como consta no documento apresentado pelo jogador no ato de contrato com o Goiás Esporte Clube. Se o atleta possui outra documentação, o fato não é de responsabilidade do clube que o contratou e sim de quem efetuou o registro do jogador como profissional de futebol. Em toda documentação de Ernandes apresentada ao Goiás, desde Carteira de Trabalho, de Reservista, Carteira de Motorista e de Identidade apresentam a data de nascimento com o ano de 1987. Fato este que não acarretará nenhum tipo de ação ou punição contra o Goiás Esporte Clube. O atleta está de férias e até o presente momento não foi localizado para prestar esclarecimentos sobre o fato apresentado", diz a nota divulgada pela assessoria de imprensa.

O Paysandu, por sua vez, disse estar de olho no episódio. "Hoje no início da tarde tomamos conhecimentos dos fatos através da imprensa e rede social. Estamos levantando a veracidade das informações e caso seja real, aguardamos e vamos trabalhar para que o STJD, através da sua Procuradoria, apure e se entender que haja indícios de irregularidade, denuncie o Goiás", disse o advogado Alexandre Pires.

Já Sport e Ceará afirmaram estar cientes, mas ainda sem posição oficial sobre o caso.

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