Rodrigo Caetano avalia temporada 2018: "O Inter voltou, e muito forte"

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Ricardo Duarte/Inter

    Rodrigo Caetano, diretor executivo de futebol do Inter, acredita em recuperação do clube

    Rodrigo Caetano, diretor executivo de futebol do Inter, acredita em recuperação do clube

Um nome pauta as manifestações de praticamente todos os jogadores do Inter ao avaliarem a temporada: Rodrigo Caetano. Contratado em maio, a chegada do diretor executivo de futebol alavancou a arrancada para boa temporada do time. E em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, ele explicou como aconteceu todo processo. 

Para Caetano, apesar de o título não ter vindo, a temporada foi especial para o Colorado. Acima de tudo pela mensagem enviada ao futebol, que depois de cair e disputar a Série B, o time vermelho está refeito, reconstruído e forte. "Tenho certeza que resgatamos a autoestima do torcedor. E ainda passamos uma sinalização muito importante para o Brasil: O Inter voltou, e voltou muito forte", disse. 

Para 2019 a exigência cresce. Já refeito dos problemas recentes, o Colorado projeta títulos. Caetano estará presente. Depois da sondagem do Atlético-MG, ele firma posição e pretende cumprir seu contrato e terá pela frente a oportunidade de formar o elenco para o ano que marcará o retorno à Libertadores. 

Confira a entrevista de Rodrigo Caetano ao UOL Esporte: 

UOL: Como você avalia sua chegada e a temporada e 2018? 
Rodrigo: As coisas aconteceram, na minha chegada, de forma muito rápida. A adaptação que tive com o clube... Primeiro porque eu conhecia as pessoas da diretoria, comissão técnica, funcionários e alguns atletas, e isso facilitou demais. Mas eu sou muito grato com a forma que fui recebido, dentro daquilo que eu talvez tenha conseguido colaborar foi nessa questão de ajudar, de ser mais um suporte na comissão técnica e nos atletas do que propriamente o mercado. Foi a primeira vez que eu peguei um trabalho no meio do ano, nunca tinha acontecido, sempre iniciei os trabalhos. É óbvio que, por todo o contexto que o Inter viveu no ano passado e no início deste ano, chegamos com um saldo positivo ao fim da temporada. Mas, mais do que isso, o fato de ter disputado realmente o título da competição, fomos líderes em algumas rodadas, tenho certeza que resgatamos a autoestima do torcedor. E ainda passamos uma sinalização importante para o Brasil: O Inter voltou, e voltou muito forte. O que aumenta demais a nossa exigência agora em relação a 2019. Mesmo com inúmeros problemas financeiros que temos, a exigência é gigante, porque trabalhamos num clube gigante. Isso eu sempre discursei e coloquei como um mantra nosso. Independente do Internacional estar voltando de uma segunda divisão, estamos num clube gigante e a exigência é disputar tudo que tivermos e estar sempre no topo. 

Ricardo Duarte/Inter

UOL: Todos os jogadores te citam como fundamental na arrancada do time. Qual a sua parcela de contribuição neste ano? 
Rodrigo: Eu fui mais uma peça na engrenagem. Minha função era muito mais de suporte, de ser o elo entre a diretoria estatutária e os atletas. Meu modo de atuar foi o mesmo dos outros clubes. É solucionar as pendências de forma rápida, dar agilidade aos processos, e que eles (jogadores) entendam rapidamente que eu vou ser mais um membro da diretoria com objetivo de facilitar este dia a dia. E este entendimento foi muito rápido por parte deles. Nosso grupo não é só qualificado tecnicamente, na questão cognitiva é também acima da média. Eles entenderam rapidamente o recado, do que são nossos desafios. Temos um grupo com líderes altamente positivos e isso facilitou demais o meu trabalho. Eles se sentiram com uma figura, um profissional que viesse a dar suporte a eles, e dar sequência no trabalho iniciado pelo Jorge Macedo, com brilhantes escolhas e muito tempo de casa. Eu dei segmento, um pouco mais com a minha cara. Eu sou bastante intenso no que faço, com jogadores e comissão técnica.

UOL: Qual foi o Inter que você encontrou? 
Rodrigo: Por conta do primeiro semestre não ter sido tão bom, e dos anos anteriores... Eu vim de fora, e não vim com nenhum tipo de cicatriz em relação a isso. O que procuramos aqui foi preservar o que o Inter tem de conquistas, e potencializar neles, que estes atletas, esta comissão, tinham a missão de resgatar o sentimento de orgulho do torcedor, e que só viria com as vitórias. E que nós não devíamos nada para outros times. Eu vi isso quando eu recebi o primeiro contato da diretoria do Inter, quando ficamos negociando uma semana. Eu fiz um mapeamento do elenco do Inter, e me surpreendia mesmo: por que da dúvida que podia ser um protagonista no campeonato? Repetimos muito para eles que era possível. E aconteceu que todos acreditaram. Do último funcionário ao presidente do clube, todos acreditaram. Chegamos no fim do ano com saldo positivo, mas com gostinho de que o Inter talvez tenha tido uma oportunidade de ser campeão. Não invalida nada o que foi feito, mas no próximo ano entraremos no campeonato para ser o campeão. Independente do nome, do investimento, de quem estiver aqui. Isso é uma questão de identidade, como valores do clube. 

UOL: Talvez a vírgula no ano positivo tenha sido não conseguir colocar o Guerrero em campo? 
Rodrigo: Foi uma grande oportunidade de negócio. Conseguimos fazer o Guerrero entender que o Inter poderia ser a casa dele para um recomeço. Nos causou uma estranheza como tudo aconteceu, foi anunciado e logo depois caiu a liminar. Qualquer coisa que eu falar aqui é 'achismo', não é ilação. Mas é muito estranho. No Flamengo tinha liminar, no Inter caiu a liminar, no mínimo estranho. Mas não tem problema nenhum, quando fomos atrás do Paolo era para um projeto um pouco mais longo. Isso foi interrompido momentaneamente. Mas não tem problema. Em abril ele estará apto a jogar. São situações que temos que estar atentos. A chegada dele não desqualifica nossos atacantes. Vamos tentar, mesmo não tendo recursos, vamos procurar nos aproximar dos clubes com elencos qualificados e numerosos. Não tínhamos como imaginar o cenário da liminar cair em seguida. Infelizmente aconteceu. E vamos aguardar em abril ele podendo estrear que é o que nós queremos e o torcedor também. 

Marinho Saldanha/UOL

UOL: Qual situação te deu mais trabalho, a remobilização do elenco quando chegou ou o mercado que se abre agora? 
Rodrigo: São funções distintas. Na verdade quando eu cheguei o Inter estava resgatando. Vinha de dois bons resultados, o empate no Gre-Nal e a vitória contra a Chape. Estava num viés de alta. Trabalhamos essa parte psicológica, de convencimento que era possível. Na parada da Copa (do Mundo) fizemos alguns ajustes, equilibramos, trabalhamos na questão dos atletas treinando separado, recolocando no mercado, fazendo uma desoneração importante para o clube. Agora é juntamente com Roberto (Melo, vice de futebol), presidente (Marcelo Medeiros), principalmente o nosso CAPA (Centro de Análise e Prospecção de Atletas), o Biasotto (Marcos, gerente de futebol) que chegou agora, é qualificar o elenco. Temos uma base muito boa e temos que aumentar as opções do Odair. Vamos trabalhar as entradas e as saídas, jogadores que voltam de empréstimo. E o tempo para isso é o mesmo. Quem chega e quem sai. É um período intenso, mas esperamos que dentro do mês de janeiro já tenhamos um desenho do elenco do Inter para 2019. 

UOL: O Inter volta à Libertadores em condições de disputar o título? 
Rodrigo: É difícil o prognóstico. O Inter tem uma vantagem, porque é um clube que disputou o campeonato na última década, firmou posição em relação à Conmebol. Conquistou títulos, é respeitado no continente, na Conmebol, isso é uma vantagem. Você não volta depois de ter ficado 10 anos fora, você se fez presente na competição. A responsabilidade aumenta. Mas vai depender do caminho, o sorteio pode facilitar ou dificultar. Vejo que o primeiro passo é passar pela fase de grupos. A partir dali é outro campeonato. A Libertadores tem duas fórmulas no mesmo campeonato, e espero que tenhamos corpo suficiente para lá em março ser altamente competitivo. Vamos buscar o máximo que pudermos, e tomara Deus possamos fazer história novamente no cenário sul-americano. 

UOL: Recentemente houve uma série de notícias de sua possível saída. Sondagem do Atlético-MG, o que você tem a dizer sobre isso? 
Rodrigo: Em relação a consultas e convites eu não gostaria de entrar em detalhes, entre A, B ou C. Essas coisas infelizmente acabam vindo a público. Não gostaria de citar qualquer clube, até em respeito. Eu tenho contrato com o Inter até o final de 2019, e quando firmei este contrato, como quando firmo todos os meus contratos, eu procuro cumpri-los na integralidade. São 15 anos de profissão e apenas este último com Flamengo que não foi cumprido por um acordo bilateral, entendemos que era melhor interromper. Nosso projeto adentra 2019 e neste momento que o profissional tem mais valor. Independente das questões políticas, o profissional tem obrigação de fazer com o que clube não pare. Espero poder cumprir até o final o meu contrato. Já conversamos sobre o planejamento do próximo ano, e a princípio eu cumpro meu contrato naturalmente e normalmente como foi definido na minha chegada. 

UOL: O Inter precisa agregar muito para 2019?
Rodrigo: Eu penso que quando se está numa escalada de melhoria tem que agregar qualidade. E às vezes em número. Temos um projeto de aproveitar melhor os jovens da base, está no DNA do Inter. E para que isso aconteça, temos que ter jogadores de bom nível. A manutenção da base de time, de grupo, nos traz uma certa tranquilidade, para que possamos trazer peças específicas para transformar nosso elenco em um time forte, como fizemos no decorrer da competição deste ano. E agora temos que elevar o nível do elenco que é muito bom. Existe o mundo ideal e o real, não vamos ter condições, muita coisa não vamos poder cumprir. E não podemos criar expectativa que vire frustração. Temos que fazer receitas...

Divulgação/Internacional

UOL: Há condições financeiras para reforçar? 
Rodrigo: A condição financeira não nos dá possibilidade de ir ao mercado e adquirir o vínculo de determinado jogador. Teremos que buscar jogadores que por ventura estejam em fim de contrato, permutas... Mas temos uma vantagem: O Inter tem uma vaga direta na Libertadores, passa a ser atrativo para muitos atletas. Sinalizamos coisas boas para o mercado. Vamos ter cautela, calma, não vamos ter pressa. Muitas vezes se traz uma peça e logo em seguida aparece uma oportunidade que por você ter trazido outra não tem mais orçamento para fazer. Vamos com calma. Serão poucas (contratações), mas vamos tentar qualificar o grupo. 

UOL: Como você se sente neste novo trabalho, está feliz no Inter? 
Rodrigo: Primeiro que é uma honra trabalhar no Inter para mim. Ter a oportunidade de trabalhar no outro gigante, outro clube grande do Rio Grande do Sul (Rodrigo começou carreira no Grêmio), um gigante que tem essa história linda. Eu acho que isso consolida o profissional. O torcedor... É difícil interpretar o profissional. Quando me abordam, e faziam também no Rio, eu afirmo: não existe nada mais importante do que o clube em que eu estou. É difícil para o torcedor entender, mas eu e minha família dependemos demais do Inter, modifiquei minha vida, saí do Rio, vim para cá, por este projeto do Inter. Não há nada mais importante na minha vida que o nível de intensidade que trabalho pelo Inter. E minha família vem junto. Vêm para cá uniformizados, vibram, choram, como todo torcedor. E até mais. Torcedor, no dia seguinte a vida segue. A minha é aqui. A forma que fui recebido foi muito rápida, talvez por eu não ser um forasteiro, isso facilitou demais. Estou feliz e espero que no final de 2019 possamos repetir isso, olhar para trás e pontuar o resgate que o Inter iniciou muito atrás da minha chegada e todos os profissionais que estão e estavam aqui tem seus méritos de ter começado este resgate num cenário muito mais adverso que se tem hoje. 

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