Missa e futebol: a rotina do irmão de Adriano nos EUA é focada nos estudos

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

Há dois anos a rotina de Thiago Ribeiro, irmão de Adriano Imperador, é bem diferente do que se pode imaginar para um menino de 19 anos que sonha em ser jogador de futebol e já foi base do Flamengo. Thiago ama o esporte, mas sua prioridade longe do Brasil é estudar. 

Em 2016, o futebol levou Thiago ao Saint Benedict's Preparatory School, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. O colégio é referência quando o assunto é futebol e principalmente regras. Escola católica e só de meninos, o irmão de Adriano vive uma rotina rígida antes de tentar a faculdade em 2019. 

"Aqui no colégio não pode quase nada. A gente que mora aqui não pode ter comida dentro do quarto, de líquido, só pode água, mais nada. Para sair do colégio e ir para shopping ou algum lugar tem que ir alguém junto. Às vezes deixam se pedir para mãe, mas é difícil", contou Thiago em entrevista ao UOL Esporte

Fora do quarto, que divide com mais um amigo, Thiago precisa acordar e ir à missa, que começa às 7h50, quando é feita uma chamada. A roupa precisa estar impecável com direito a camisa por dentro do shorts e sapato. 

"A gente tem a missa das 7h50 até 8h40; depois vamos para aula. A aula termina 15h10 e vai direto para o treino. Quando o treino termina e vai para o jantar praticamente acabou o dia. Tem um horário de estudo e é isso. Dá bastante saudade do Brasil. Eu já me acostumei por ser 2 anos aqui, mas eu ainda sinto falta. Ainda mais final de semana, todo mundo junto curtindo e quando não tem jogo eu fico no quarto ouvindo música ou até com os garotos daqui", relatou. 

Thiago joga como atacante, jogou na base do Flamengo e se destacou no time da escola norte-americana, mas hoje, quando é questionado se largaria os estudos para voltar para um clube no Brasil, ressalta que prefere estudar primeiro. As incertezas do futebol são o motivo. 

"É muito incerto. Eu não vou largar agora que estou aqui há dois anos. Minha mãe fez vários sacrifícios para eu vir pra cá. Não vou ficar dois anos e ter dinheiro jogado fora. É incerto o futebol. E se eu voltar, for jogar futebol e não conseguir?", disse o irmão de Adriano, que pretende fazer faculdade nos Estados Unidos. Administração é o curso preferido no momento. 

Reprodução/Instagram
Thiago se destacou no time vencedor da escola

Thiago não pode jogar com os amigos da escola em 2018 por ter feito 19 anos antes da data limite, mas foi destaque no ano anterior. O atacante fez 11 gols em 18 jogos. A equipe do colégio tem tradição e tem 12 títulos, expostos em foto no Instagram recentemente.

"É um time de muita tradição. Ficamos 28 anos ganhando o estadual e perdemos em 2016, foi um ano ruim, porque estava há mais de 20 anos ganhando, perdeu e no outro ano conseguimos de volta o troféu. Ninguém acreditou quando perdemos. Já temos 12 nacionais. Quando termina a temporada do colégio, fazemos como um clube. A gente foi o primeiro time de Nova Jersey ganhar a Dallas Cup, que várias pessoas conhecem, vai bastante treinador de faculdade", lembrou. 

Reprodução/Instagram
Adriano prefere que o irmão estude a jogar futebol

"Ele dá uns conselhos. Por ele eu não seguiria no futebol, porque ele fala que não quer que aconteça o mesmo que aconteceu com ele de falarem besteiras e inventarem mentiras. Fala que o futebol é meio muito sujo. É bom porque ele conseguiu tudo na vida dele, tem casa, tudo que quer, conseguiu tirar a família da favela. Felicidade foi em campo, mas felicidade de tipo de se sentir feliz mesmo, quando era mais pobre se sentia mais feliz que hoje", comentou. 

"Eu vir para cá para ele foi ótimo. Ele fala: 'nos Estados Unidos estuda e se não consegui jogar, vai se formar e ter estudos. Se conseguir o futebol, graças a Deus que é teu sonho, mas primeiramente os estudos e depois o futebol'", contou Thiago sobre Adriano. 

A relação com o irmão: pai e filho

A relação de Adriano e o irmão Thiago é como se fosse pai e filho. "A gente é muito unido como pai e filho. Eu ligo pra ele e ele me liga. Ele me liga chorando de saudade, eu também. Sempre um cuidando do outro. Ele me trata como filho e eu como pai. De vez em quando eu sou mais pai que filho. Tem que ser assim. A gente é irmão, mas quando meu pai morreu ele ficou como meu pai. Ele cuida de mim como fosse meu pai. Ele é tudo pra mim", ressaltou. 

Sobre o futebol, Thiago disse que não tem o mesmo talento do irmão. "Jogar igual a ele é impossível. Ainda mais que sou muito novo, nem sei se um dia chegarei perto. Mas espero que um dia eu jogue pelo menos 1% do que ele jogou", disse. 
 
 

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos