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Por que "o mais técnico de Cotia" não tem pressa para subir no São Paulo

Celio Messias/saopaulofc.net
Rodrigo Nestor, meia do sub-20 do São Paulo, tem contrato até 19 de novembro de 2021 Imagem: Celio Messias/saopaulofc.net

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

08/02/2019 04h00

Há 15 dias, o São Paulo conquistava pela quarta vez a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em final emocionante contra o Vasco da Gama. Um dos gols do empate por 2 a 2 no tempo normal saiu graças a um bonito passe daquele que é considerado "o mais técnico de Cotia", mas que não tem nenhuma pressa de chegar ao time profissional do Tricolor Paulista.

Rodrigo Nestor, meio-campista, ainda tem 18 anos e mostra consciência sobre o cenário em que se encontra no clube do Morumbi. Em 2018, sua primeira temporada como sub-20, ficou aquém do esperado após ser uma das sensações do sub-17, fazendo parceria de sucesso com os hoje profissionais Helinho e Brenner.

A comissão técnica teve paciência e colheu os frutos logo na primeira competição de 2019. Mas o treinador Orlando Ribeiro, que o definiu como "o mais técnico de Cotia" logo após a Copinha, também mantém os pés no chão. Ainda acha que Nestor precisa de mais tempo na base para amadurecer e ganhar força física.

No CFA Laudo Natel, o São Paulo inverteu o processo que por alguns anos dominou a formação de atletas. Em vez de priorizar os mais fortes, apostou nos mais qualificados e investiu no crescimento físico desses jogadores, mesmo que seja necessário seguir com uma preparação especial no time profissional, como acontece com Helinho e Antony, conforme apurou o Blog do Menon.

Nesta entrevista ao UOL Esporte, Rodrigo Nestor diz concordar com os processos impostos pelo Tricolor. Ele não tem pressa para ser promovido. Quer chegar no topo quando merecer, quando estiver totalmente condicionado. E, para isso, busca ajuda até em vídeos para entender melhor a função de um meio-campista moderno.

Já caiu a ficha sobre o título da Copinha?
Ainda não caiu. Fiquei muito feliz. A final foi muito marcante, com o Pacaembu lotado, a gente levando o empate, mas ganhando nos pênaltis. Ficou muito marcado.

O que foi o grande diferencial da equipe?
O diferencial foi nossa união. A confiança que a comissão deu para gente. Mesmo com tantos desfalques (quatro atletas convocados para a seleção brasileira sub-20), a gente sabia que podia ser campeão.

O fato de todas as categorias seguirem o mesmo modelo de jogo facilitou a adaptação de quem entrou?
Sim, com certeza. Mesmo os jogadores mais jovens já chegaram com o entendimento do jogo sem chutão, que não prioriza a força.

Você acredita que o São Paulo faz certo ao preferir o jogo mais técnico?
Eles valorizam bastante a técnica, porque o jogador quando é bem técnico consegue fugir do mais forte. E quando ele crescer, a força vai igualar, porque às vezes é um crescimento tardio. Um cara mais forte, na base, se aproveita disso, às vezes deixa a técnica de lado. Só que quando chegar no profissional não vai conseguir igualar a técnica.

Orlando Ribeiro disse que você ainda precisa de mais tempo, apesar de ser muito técnico, para subir. Você concorda?
Com certeza eu ainda tenho que melhorar bastante fisicamente. Já estou em um nível bom para o profissional, mas ainda não é o que eu preciso. Acho que vai ser bom mais um tempo na base, sem pressa.

Quais são suas referências para a função que você faz? É uma função que mudou, com muitos jogadores técnicos atuando mais recuados para ajudar na saída de bola, de costas para a marcação...
Hoje em dia os jogadores que mais gosto são Kroos e Modric (ambos do Real Madrid). São os dois em quem eu mais me espelho. Mas até hoje sou muito fã do Kaká. Gostava bastante do futebol dele. Eu gosto de ver os jogos desses caras para ficar gravado na mente, aí quem sabe na hora do meu jogo não consigo reproduzir (risos).

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