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Caso Daniel


Cristiana e Allana Brittes são transferidas de ala na cadeia após ameaças

Cristiana e Allana Brittes em audiência de instrução do caso Daniel - GIULIANO GOMES/PR PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Cristiana e Allana Brittes em audiência de instrução do caso Daniel Imagem: GIULIANO GOMES/PR PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

01/05/2019 18h54

Cristiana e Allana Brittes, presas por envolvimento no caso Daniel, foram transferidas de ala da Penitenciária Feminina do Paraná após serem hostilizadas e ameaçadas por outras presas. O incidente aconteceu no retorno das duas à cadeia depois da conclusão da segunda fase de audiência de instrução no início de abril, em São José dos Pinhais (PR).

A diretora da penitenciária, Alessandra Antunes do Prado, informou o caso à Justiça em ofício juntado ao processo na última segunda (29) e cita questão de segurança para o fato. Cristiana e Allana foram mudadas da galeria D para a galeria A da Penitenciária em Piraquara, onde permanecem até hoje.

"Em que pese a recomendação para que as acusadas voltem a ser alojadas na galeria D, onde se encontravam até 1 de abril, cumpre informar que não se trata de local apropriado e seguro, por ora, para sua permanência", disse a diretora no início do documento, que ainda relata ameaças.

"Segundo comunicados internos da Inspetora e da Divisão de Segurança e Disciplina, no dia 1 de abril, após retorno das acusadas da audiência, as mesmas foram hostilizadas pela massa carcerária, sendo recebidas na unidade sob protestos e gritos de 'ih, fora!', além de ameaças contra suas integridades físicas, vindos da massa, especialmente da galeria D, onde se encontram presas de alta periculosidade, inclusive presas faccionadas", relatou a diretora.

Alessandra Antunes do Prado continua relatando no documento que a decisão de trocar Cristiana e Allana de ala se deu para não expor mãe e filha a perigo e "não causar agitação das demais presas da unidade".

A diretora explicou que estão na galeria A presas de "convívio normal, em sua maioria, presas provisórias". "Não se trata de isolamento, castigo ou qualquer reprimenda disciplinar, mas sim, uma galeria menor, mais tranquila, menos acessível à massa".

Em contato com a reportagem, o advogado de defesa de Cristiana e Allana, Cláudio Dalledone Júnior, ressaltou a preocupação com a segurança das duas. "A defesa teme pela integridade física delas ao mesmo tempo em que incessantemente busca a liberdade de ambas".

Além de Cristiana e Allana Brittes, quatro réus estão presos pela morte do jogador: Edison Brittes Júnior, que confessou ter matado Daniel após "after party" em sua casa; David Vollero, Ygor King e Eduardo Henrique da Silva. Evellyn Perusso é ré por falso testemunho e responde em liberdade. Os quatro homens e Cristiana respondem por homicídio.