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Petraglia manda repórter se calar no Athletico; sindicato repudia e a apoia

Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress
Mário Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Athletico-PR Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress

Do UOL, em Santos (SP)

2019-05-13T20:12:37

13/05/2019 20h12

Na tarde de hoje, Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Athletico Paranaense, concedeu entrevista coletiva para dar mais detalhes sobre os casos de doping dos jogadores Thiago Heleno e Camacho, que ingeriram uma substância (Higenamina) proibida. Depois de responder a algumas perguntas, o "homem forte" do clube rubro-negro se irritou com o questionamento de uma jornalista e pediu para ela se calar (veja o diálogo completo mais abaixo), ameaçando inclusive proibir o veículo em que ela trabalha de participar da próxima entrevista coletiva do Athletico.

Antes da pergunta da repórter Luana Kaseker, da Gazeta do Povo, Petraglia já havia negado que Bruno Guimarães e João Pedro tinham, assim como Thiago Heleno e Camacho, ingerido a substância - ao contrário do que apurou o UOL Esporte. Ao ouvir às perguntas da jornalista sobre o balanço da dívida da Arena da Baixada e, depois, sobre a questão de Bruno Guimarães, o presidente do Conselho do Athletico perdeu a paciência com Luana, que chegou até a pedir desculpas no fim do "diálogo".

Horas depois, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná divulgou uma nota de repúdio saindo em defesa de Luana (leia a nota completa mais abaixo): "Mesmo que a coletiva convocada pelo Atlético fosse sobre a situação de doping de atletas, bastava ao presidente dizer que não responderia à questão quando foi questionado sobre a dívida da Arena da Baixada. A falta de respeito com profissionais da imprensa se tornou corriqueira, mas é lamentável e inaceitável. Impedir jornalistas de trabalhar por não gostar das perguntas feitas viola o livre exercício profissional".

Segundo apurou a reportagem, tanto Bruno Guimarães como João Pedro tomaram o suplemento por orientação de profissionais do clube. A informação, porém, foi negada por Petraglia durante a coletiva.

"[João Vitor] É a mesma especulação do Bruno Guimarães, que foi retirado do jogo em Buenos Aires e disseram que foi por causa do doping. O João Pedro disse que não tomou, mas poderia ter tomado. O presidente do Paraná me ligou e disse que o menino não poderia jogar pois estava com dores no tornozelo. Às vezes as induções são corretas, outras não", afirmou, antes de atacar verbalmente a jornalista.

Thiago Heleno foi apanhado pela Comissão Antidopagem da Conmebol no jogo de volta contra o Tolima, dia 9 de abril, pela fase de grupos da Copa Libertadores, e está suspenso preventivamente por 60 dias. Já Camacho realizou o exame na partida contra o Jorge Wilstermann, dia 24 de abril, e ainda aguarda contraprova.

VEJA O DIÁLOGO COMPLETO:

REPÓRTER: Aproveitando que o senhor está aqui, a gente queria saber sobre o balanço que foi divulgado recentemente, referente à dívida da Arena. A gente viu que está num valor maior, de 400 milhões, queria saber se isso preocupa...

PETRAGLIA: Minha filha. O que me preocupa hoje é a situação do doping. Isso, sim, não tem preço. A dívida do estádio é nada perto dessa dívida nossa. Então, por favor, respeite a nossa posição, vamos falar sobre o antidoping, porque é para isso que a senhora foi convocada, ou senhorita.

REPÓRTER: Está ok, queria só aproveitar...

PETRAGLIA: Se tem alguma pergunta sobre o doping, estou aberto.

REPÓRTER: Então, queria saber, na verdade, sobre o Bruno Guimarães. Ele acabou ficando de fora do jogo contra o Boca...

PETRAGLIA: Só poderia partir da Gazeta do Povo essa ilação. Já não lhe disse que foram ilações, conclusões errôneas, que acharam isso, acharam aquilo. Acabei de afirmar que seu Bruno Guimarães não estava envolvido e a senhora volta com a pergunta. O que você pretende? Mais uma vez ajudar a prejudicar a imagem de atletas que não estão envolvidos? Por favor. Estou pedindo que ajudem a melhorar, a minorar a imagem dos atletas envolvidos, e a senhorita, ou senhora, não sei, vem a prejudicar atletas que não estão envolvidos? Olha, se continuar nesse caminho, a próxima entrevista coletiva a Gazeta do Povo estará proibida de entrar.

REPÓRTER: Tudo bem, presidente.

PETRAGLIA: Está bom?

REPÓRTER: Apenas...

PETRAGLIA: Por favor, cale-se, então.

REPÓRTER: Tudo bem, obrigada.

PETRAGLIA: Não tem que agradecer, porque isso não merece agradecimento. Isso merece desculpas da sua parte.

Leia a nota de repúdio do Sindicato:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) repudia com veemência mais um ataque ao livre exercício profissional proferido pelo presidente do Conselho Deliberativo do Clube Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia.

O dirigente humilhou e hostilizou a jornalista Luana Kaseker da Silva Freire, do jornal Gazeta do Povo, durante uma coletiva de imprensa nessa segunda-feira (13), ao mandar a profissional se calar e impedir que ela concluísse uma pergunta. Petraglia também ameaçou não liberar mais a participação do jornal em futuras coletivas do clube.

Mesmo que a coletiva convocada pelo Atlético fosse sobre a situação de doping de atletas, bastava ao presidente dizer que não responderia à questão quando foi questionado sobre a dívida da Arena da Baixada.

A falta de respeito com profissionais da imprensa se tornou corriqueira, mas é lamentável e inaceitável. Impedir jornalistas de trabalhar por não gostar das perguntas feitas viola o livre exercício profissional.

Casos de violência contra jornalistas vêm crescendo muito no Brasil, especialmente quando existem mulheres trabalhando na cobertura esportiva. O setor está entre os que mais registram situações de intimidação, assédio, machismo e agressão. Não podemos permitir que isso continue acontecendo.

O SindijorPR reitera, mais uma vez, sua postura intransigente em defesa do livre exercício profissional e do respeito ao trabalhador jornalista, que exerce ofício tão caro à sociedade democrática.

#DeixaElaTrabalhar #LutaJornalista #Basta