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Declarações polêmicas e absolvição de Bandeira esquentam clima no Flamengo

Divulgação/ Renato Homem
Cacau Cotta e Eduardo Bandeira de Mello: personagens da semana no Flamengo Imagem: Divulgação/ Renato Homem

Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

2019-05-23T12:00:00

23/05/2019 12h00

O Flamengo atravessa um clima tenso nos últimos dias. Após a derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG, a pressão renasceu em relação ao trabalho do técnico Abel Braga e houve insatisfação da torcida com declarações de integrantes do clube. No meio dos acontecimentos, um revés político com a absolvição do ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello no Conselho de Administração.

Parte da torcida do Flamengo se manifesta com frequência pedindo a saída de Abel Braga. As redes sociais viraram o palco predileto das cobranças direcionadas aos dirigentes pela substituição do treinador. A relação piorou também por conta das últimas entrevistas do comandante.

Primeiro, Abel elogiou o estádio Beira-Rio e o definiu como "o mais bonito do Brasil" em um momento no qual o Flamengo assumiu a gestão do Maracanã. Na sequência, tratou as derrotas para Internacional e Atlético-MG, fora de casa, como "resultados normais".

As afirmações não foram bem vistas pelos torcedores. O tom das críticas subiu e a semana estava direcionada para mais protestos contra o técnico. Só que um novo ingrediente foi adicionado na "panela de pressão" da Gávea.

Na última segunda-feira, os muros da sede e do CT Ninho do Urubu amanheceram pichados com frases contra Abel e o vice de relações externas Luiz Eduardo Baptista, o Bap: "Fora Abel", "Fora Bap. O Flamengo não é seu", "Perder não é normal" e "Copa Mickey é o ca..." foram alguns dos dizeres.

Questionado sobre as manifestações no programa Os Donos da Bola, da TV Band Rio, o diretor de relações externas Cacau Cotta se posicionou e despertou a ira dos torcedores.

"Da forma como foi escrito, Mickey certo, Mickey todo certinho, não foi a torcida. Aquilo é político", afirmou.

Depois, Cacau se explicou no Twitter e pediu desculpas aos torcedores em participação no canal Fox Sports.

"Jamais desmereceria o torcedor do Flamengo. Se foi entendido assim, peço desculpas, mas essa não foi a intenção em nenhum momento. Eu me coloco no lugar deles. Eu sou da mesma forma que eles. É a minha raiz", disse.

Independentemente disso, o assunto esteve entre os mais comentados do Brasil no Twitter e a reprovação pela declaração foi quase que unanimidade.

Muro é pichado de novo com ironia a diretor

No dia seguinte à polêmica, o muro da sede da Gávea foi novamente pichado. A pichação desta madrugada ironiza a declaração com erros grosseiros na escrita dos nomes de Abel Braga e do personagem Mickey, além de uma referência direta à manifestação do dirigente. "Fora Abeu", "Copa Mick é o c..." e "Agora foi político também?" foram as frases pichadas.

Bandeira absolvido

E, enquanto busca se acertar em campo e lida com os problemas nos bastidores, a atual gestão se recupera de uma recente derrota política. O ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello enfrentou o plenário do Conselho de Administração e se livrou de uma suspensão de 180 dias que poderia deixá-lo inelegível. Por 47 a 41 os conselheiros o absolveram.

Uma mobilização de Grandes-Beneméritos foi determinante para o resultado, já que eles consideraram que tal punição mancharia a imagem do Flamengo. O grupo SóFla (Sócios Pelo Flamengo) comemorou muito o triunfo e deixou claro que a batalha para a eleição presidencial de 2021 já está presente.