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Quem é o advogado que deixou caso de Najila e defende monarquia no Brasil

Suamy Beydoun/AGIF
Danilo Garcia de Andrade é ex-advogado da modelo Najila Trindade Imagem: Suamy Beydoun/AGIF

Do UOL, em São Paulo

2019-06-12T04:00:00

12/06/2019 04h00

Danilo Garcia de Andrade se tornou um personagem do caso envolvendo Najila Trindade e Neymar. O advogado trabalhou menos de uma semana como defensor da modelo que acusa o jogador de estupro, mas já viveu todas as peculiaridades que um caso dessa proporção pode ter. Agora distante, ele conta como foi estar à frente do caso, faz uma reflexão sobre o papel da imprensa e mostra uma outra faceta menos conhecida como defensor do regime monárquico.

Na última segunda-feira, ele renunciou ao posto por discordar das atitudes de sua cliente. Ele diz que Najila Trindade o acusou de planejar um arrombamento em seu apartamento e de furtar um tablet que conteria uma das principais provas do suposto crime. Além disso, viu a modelo descumprir uma promessa feita à Polícia Civil de entregar o celular e não teve acesso às provas que ela alegou ter produzido, apesar de ter feito inúmeros pedidos.

Danilo Garcia de Andrade considera que o trabalho foi um grande aprendizado, apesar dos dias tumultuados. Ele recebia centenas de ligações por dia e milhares de mensagens de WhastApp. Chegou a criar estratégias para não ser seguido na rua e viu pessoas ficarem de tocaia em frente ao seu escritório. Mas o episódio em que mais se sentiu invadido foi quando sua cliente passou mal na delegacia após prestar depoimento, na última sexta-feira, e precisou ser levada a um posto de saúde na Zona Sul de São Paulo.

"Processualmente falando, eu não acho o caso tão complicado. Mas você não só dialoga pela questão processual, criminal, mas dialoga com essa questão midiática. Acho que a gente tem que repensar. Quando essa moça passou mal, fomos perseguidos com helicópteros, carros, duas motos da Record. O cara em pé em cima da moto fotografando, cortando o trânsito, colocando em risco a vida das outras pessoas que nada têm a ver com o caso, colocando em risco a minha vida, a dele próprio e dos policiais porque poderia causar um acidente. E não respeitando a necessidade de socorro de uma pessoa que passou mal e precisava ser atendida. Quase provocando uma omissão de socorro, eu diria, o que é crime".

Ele considera que algumas abordagens da imprensa passaram do limite ético. "Tinha repórter ligando às 4h para minha casa, são 100, 300 ligações por dia. Tenho que ficar com telefone desligado, não posso atender e falar com a minha família. E isso é um absurdo, eu tenho direito à minha intimidade, individualidade e vida pessoal. Fui procurado por alguns canais que fizeram propostas para eu dar uma exclusiva dizendo: 'pode pedir o que você quiser, estamos abertos a negociações'. Isso eu achei um absurdo porque é a vida também dela. Foi um teste esse caso".

Danilo Garcia chegou a Najila Trindade por meio da amiga Yasmin Abdalla, que era advogada da modelo e decidiu se afastar. No decorrer do inquérito, Najila apresentou uma mudança de postura e passou a dar entrevistas para canais de TV aberta. Alguns prints de WhastApp também vazaram para a imprensa. Mas ele afirma que isso não fez parte de sua estratégia e que a modelo tomava suas próprias decisões.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Advogado é monarquista e se nega a defender o PCC

Danilo Garcia de Andrade tem um escritório perto da Av. Paulista, área nobre de São Paulo, e anda com carro blindado. Chegou a trabalhar com direito tributário, mas considera que o criminal é mais vivo e estimula a criatividade. Defende a advocacia e acredita que todo mundo tem direito a contar o seu lado da história. Mas se nega a defender crime organizado ou PCC e faz parte de uma linha criminal "mais tranquila" até pegar este caso de grande repercussão.

Além de defender pessoas, o advogado também tem outra bandeira. Ele é monarquista. Faz parte de uma família muito antiga da região da Galícia e descende de pessoas com vários títulos de nobreza sendo o Conde de Bobadela, do século XVIII, o mais recente deles. Hoje, faz questão de cultivar a tradição da família e de passar para a frente os ensinamentos de seu avô. É considerado o guardião desses títulos e, por isso, é chamado de "Conde" por amigos.

Danilo é integrante ativo do movimento monarquista. Participa de encontros que geralmente ocorrem no Rio de Janeiro e faz parte de grupos que compartilham das mesmas ideias. A ideia do movimento é resgatar os valores, o patriotismo, a identidade nacional e trazer à pátria o propósito divino.

Ele acredita que o Brasil seria um país melhor se hoje vivesse em um regime monárquico. "O Brasil na época do Império era a segunda maior frota naval mercante do mundo, era a grande economia atrás da Inglaterra. Pedro II era uma pessoa respeitada em todos os lugares. E hoje, os melhores IDHs do mundo são monarquias. Nós podemos ver que a Espanha, apesar de todos os problemas, é uma monarquia. A qualidade de vida que se tem na Espanha e em Luxemburgo são superiores ao Brasil. Na Inglaterra, as pessoas gostam da rainha. O Japão é uma monarquia, as pessoas são civilizadas no Japão".

O advogado relembra o plebiscito de 1993 quando, após a redemocratização do país, o povo votou para decidir se o país deveria ter uma forma de governo republicana ou monarquista. Ele acredita que se a consulta se repetisse daqui a cinco anos o resultado poderia ser diferente porque as pessoas estão percebendo a importância do resgate desses valores.

"O rei é uma referência de valores morais. Nós teríamos um imperador, ele é um exemplo, é um norte de conduta. É uma referência de como conduzir uma família. Se as famílias se organizarem, se as famílias tiverem educação, se as famílias se respeitarem, prezarem pelo certo, teremos pouca criminalidade ou não teremos criminalidade. E o advogado criminal não vai existir", diz.

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