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Polícia aponta falha de segurança do Comitê da Copa América no Maracanã

UOL
Portão de acesso ao Maracanã antes de Uruguai x Chile pela Copa América: local foi invadido em 2014 Imagem: UOL

Leo Burlá e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

2019-06-25T04:00:00

25/06/2019 04h00

Após enfrentar reclamações referentes ao preço dos ingressos e ao estado ruim de alguns gramados, a organização da Copa América foi duramente criticada pelo tenente-coronel Silvio Luiz, comandante do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (BEPE), grupo da Polícia Militar do Rio responsável por cuidar da segurança em dias de jogos na cidade.

Ao UOL Esporte, Silvio Luiz disse que o Comitê Organizador Local (COL) não cumpriu com o que teria sido acordado entre as partes: a instauração de um perímetro de segurança que dificultasse o acesso de quem não tem ingressos ao entorno do Maracanã. Ele disse que os responsáveis pela área prometeram que isso seria feito para facilitar a operação para a partida Chile x Uruguai, mas o acordo não saiu do papel.

"Fizemos uma série de exigências ao COL que não foram cumpridas, mas principalmente essa do perímetro. Não alegaram nada, apenas não cumpriram com o combinado. Isso é algo totalmente necessário, é preciso identificar quem tem o ingresso ou não. O estádio passa a ser vulnerável. Uma invasão seria por culpa do Comitê, não da PM", disse ele.

O temor por tumultos no Maracanã envolvendo jogos dos chilenos se justifica. Em 2014, 88 torcedores daquele país foram detidos antes de Chile x Espanha após entrarem sem bilhetes no Maracanã. O ocorrido foi um dos maiores escândalos daquele Mundial, e gerou até uma reprimenda pública da Fifa.

O oficial, que era sub-comandante do BEPE na época, foi o responsável pelas detenções naquele dia. Já calejada com o episódio, a polícia diz ter destacado 600 homens para cuidar de toda a operação referente ao jogo de ontem, incluídos aí policiais que atuaram em estações de trem e de metrô, por exemplo. Nos outros dois jogos que o Maracanã recebeu, este efetivo era de cerca de 350 pessoas.

"Reforçamos o policiamento para esse jogo do Chile, os outros dois tiveram procura baixa de ingressos. A tendência é que seja mantido para Argentina x Venezuela (sexta-feira, às 16h), mas ainda será definido. Mas o perímetro de segurança será exigido novamente com toda certeza", acrescentou ele.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Comitê informou que "realiza constantes reuniões de alinhamentos com todos os órgãos de segurança pública envolvidos nas operações de todos os estádios e reitera que cumpre com o que foi acordado previamente". O COL acrescentou que Maracanã recebeu na noite desta segunda-feira, dia 24, um grande clássico sul-americano, com mais de 55 mil pessoas e sem qualquer incidente".

Invasor em campo

Thiago Ribeiro/AGIF
Invasor em Chile x Uruguai Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Apesar do discurso oficial de aparente normalidade, a segurança privada interna do Maracanã (de responsabilidade do COL) foi colocada à prova e não passou no teste. Na segunda etapa, um torcedor uruguaio invadiu o campo e foi perseguido por vários seguranças privados. Fantasiado com uma máscara de galo, ele só foi contido após ser desequilibrado pelo chileno Jara.

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