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Jesus conhece "fantasma" do Fla no Maraca a uma semana da Libertadores

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

18/07/2019 04h00

Fim de jogo no Maracanã na noite de ontem (17). Jorge Jesus reúne o time do Flamengo no centro de campo e todos agradecem aos quase 70 mil presentes que viram a derrota por 3 a 1 nos pênaltis para o Athletico após o empate por 1 a 1 no tempo normal e a consequente queda na Copa do Brasil. A reação é diferente da esperada. Os rubro-negros vaiam elenco e treinador. Uma semana após seu primeiro jogo à frente da equipe, o português a essência de um clube traumatizado com eliminações recentes e já preocupado com as próximas decisões.

Em muito pouco tempo de casa, o treinador já experimentou os extremos de sentimentos que caracterizam o Flamengo e seu torcedor. Do modo "Rumo ao Mundial", que contaminou a arquibancada depois da goleada, os rubro-negros deixaram ontem o Maracanã com a sensação de que estão presos a um pesadelo que parece não ter fim. Tudo isso em um intervalo de três dias.

Eliminações

A consternação era evidente entre o elenco e funcionários do clube, que deixaram o estádio visivelmente insatisfeitos com o desfecho da trama. Ante quase 70 mil rubro-negros, o grupo escreveu uma nova página de frustrações que marcam a história recente rubro-negra, recheada por eliminações no Maracanã (especialmente na Libertadores) e perda de títulos em seus domínios.

Na saída do vestiário, Jesus estava com a cara de poucos amigos, assim como todos os funcionários do clube. Sem a Copa do Brasil, restam os sonhos da competição continental e do Brasileiro. Em meio ao desânimo causado pelo tropeço desta quarta, Fla tem de juntar os cacos para tentar seguir vivo pelo título sul-americano. Na próxima quarta (24), a equipe encara o Emelec, em Guaiaquil. No domingo (21), o time visita o Corinthians, mas pelo Brasileiro. Sem sentir o sabor desta conquista desde 2009, o Rubro-negro terá de encarar ainda mais esse peso extra até o fim do ano.

"Em um grande clube como o Flamengo, o objetivo é conquistar todos os troféus, mas é estar preparado para ganhar tudo e também quando as coisas não ocorrem bem, como foi hoje. Conta, claro, mas vamos controlar as emoções. O fato é que não conseguimos ser melhores. Isso dói, ainda mais por termos tido chances", analisou o português.

Ajustes defensivos

Jesus foi transparente ao reconhecer que o time precisa de ajustes defensivos. Ele não viu o rival ter chances claras de gol, ainda que o Furacão tenha assustado, mas afirmou que há necessidade de melhorar a produção no setor. O zagueiro espanhol Pablo Marí foi contratado e Filipe Luís ainda é sonho de consumo para a lateral esquerda.

"Defensivamente, a equipe esteve bem. Se pensarmos em chances do Athletico, não teve. Acabamos surpreendidos quando estávamos bem posicionados. Temos que melhorar a última linha, é o mais difícil quando defende com poucos. É que o Flamengo faz", garantiu.

Diego em xeque

A lua de mel sofreu um abalo assim que o Athletico sacramentou a vaga à semifinal. Capitão do time, Diego desperdiçou a primeira cobrança e foi alvo da ira. Na saída do campo, foi alvejado com um copo plástico que foi arremessado da arquibancada. Apesar da relação estremecida, o camisa 10 manteve o tom sereno e afirmou que o "torcedor merece respeito".

O goleiro Diego Alves também já parece calejado com este "trauma" do Flamengo. Ele falou que os próximos dias "serão de sofrimento", mas ressaltou que não há meio-termo quando o assunto envolve o clube.

"Entendemos que nossa torcida esteja triste, mas nós ainda vamos colher os frutos. Isso não pode destruir toda a temporada. Em um clube do tamanho do Flamengo, pressão existe até em amistoso", disse ele.

Do céu ao inferno em 72 horas, o Fla terá de se reconstruir para seguir sonhando com o que ainda resta. A expectativa do torcedor é do mesmo tamanho do investimento realizado, mas agora há uma taça a menos em disputa.

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