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Brasileirão - 2019


Como uma escolha de Jorge Jesus mudou a carreira de Fábio Carille

Carille e Jesus se encontram pela segunda vez em suas carreiras amanhã, na Arena Corinthians - Montagem sobre fotos de Thiago Ribeiro e Daniel Vorley/AGIF
Carille e Jesus se encontram pela segunda vez em suas carreiras amanhã, na Arena Corinthians Imagem: Montagem sobre fotos de Thiago Ribeiro e Daniel Vorley/AGIF

Arthur Sandes e Leo Burlá

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

20/07/2019 04h00

Rivais no Corinthians x Flamengo de amanhã, os técnicos Fábio Carille e Jorge Jesus tiveram as carreiras cruzadas em junho de 2018. Na época ambos eram sondados por times sauditas, principalmente o Al-Hilal, do qual eram primeira e segunda opções. O português tinha a preferência e aceitou a proposta, em um cenário no qual restou ao brasileiro acertar com o Al-Wehda, do mesmo país.

Não fosse o "sim" de Jorge Jesus, muita coisa poderia ser diferente a esta altura. A começar pela própria carreira do português, que foi convencido pelos sauditas após uma reunião em Lisboa. O "plano B" era Carille. Se tivesse duas propostas na mesa, o então técnico do Corinthians dificilmente escolheria o Al-Wehda, um clube menor e de estrutura inferior ao Al-Hilal.

A estrutura (ou falta dela) foi a justificativa de Fábio Carille para deixar o futebol saudita após seis meses. Mas teria ele abandonado a aventura e voltado ao Brasil se estivesse no Al-Hilal, um dos grandes clubes do país? O técnico chegou a ser sondado novamente pelo time neste ano, após Jesus ter sido demitido, mas desta vez preferiu seguir no Corinthians.

E Jorge Jesus, estaria hoje no Flamengo se tivesse dito não aos sauditas? Em 2018 ele havia completado seu terceiro ano à frente do Sporting e já não era muito querido, mas as portas do mercado estavam abertas para quem tinha três títulos portugueses no currículo. Ele deixou a Arábia Saudita na mesma época que Carille, demitido por não querer uma renovação longa de seu contrato. Sem clube por seis meses, decidiu recomeçar no Rubro-Negro.

Outra curiosidade em tudo isso é que os dois treinadores têm estilo muito diferentes, apesar de terem despertado o interesse do mesmo clube. Nos dias de jogos, por exemplo, Carille é um tipo introvertido, pensativo, avesso às broncas teatrais na área técnica; já Jorge Jesus não consegue se aquietar: contra o Athletico, há três dias, tanto se mexeu que teve a atenção chamada algumas vezes pelo quarto árbitro do jogo.

O entendimento do futebol também opõe os treinadores. Carille tem ideais quase inabaláveis: trabalha em torno de um esquema de jogo estabelecido (o 4-2-3-1); insiste nos jogadores em que confia, sejam ou não aprovados pela torcida; e é tão avesso a polêmicas que trata a imprensa com uma frieza quase hostil. Já Jorge Jesus é o oposto em quase tudo: tem fama de ofensivo pelo sistema de jogo que gosta (com três meias e dois atacantes); e não dispensa o ar bonachão, como prova o histórico de declarações controversas.

Às 16 horas (de Brasília) de amanhã, portanto, o jogo entre Corinthians e Flamengo reúne dois técnicos muito diferentes e com carreiras de certa forma entrelaçadas. O duelo pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro é o segundo nas carreiras de Fábio Carille e Jorge Jesus: na única vez em que se encontraram na Arábia Saudita, o português levou a melhor por 3 a 0.